segunda-feira, 15 de abril de 2024
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  • Produção cultural no DF assume relevante participação econômica

    Setor de Economia Criativa da capital movimentou R$ 9 bilhões arrecadados com mais de 90 mil agentes criativos de diversos ramos

    Mais de 90 mil agentes criativos registrados no Distrito Federal têm gerado mais de R$ 9 bilhões de movimentação na economia local da unidade federativa. Este é um dos resultados apontados pela segunda fase pesquisa Panorama da Economia Criativa do DF, indicando que a capital possui não apenas expressiva produção cultural como também compõe importante participação no Produto Interno Bruto (PIB) local, chegando a 3,5% do arrecadado em 2020.

    Os dados parciais da pesquisa serão divulgados na próxima terça-feira (18) na Faculdade Senac, na quadra 913 da Asa Sul, às 14h. A intenção é apresentar a relevância dos setores que circulam as produções tecnológicas, artesanais, musicais, teatrais, entre outros, e evidenciar ainda que o incentivo adequado em cada uma destas áreas poderá potencializar a qualidade e retorno financeiro dos projetos, empreendimentos e iniciativas do DF.

    O índice aferido pela pesquisa quanto à arrecadação do PIB pela Economia Criativa supera a participação da Construção Civil no DF para o mesmo indicador. No último ano, este ramo do setor industrial contribuiu com cerca de 2,7% do total arrecadado – aproximadamente R$ 6 bilhões.

    A pesquisa, realizada em todas as Regiões Administrativas do DF, indica que todas as localidades possuem, de alguma forma, alguma manifestação da cadeia produtiva da Economia Criativa. As que mais se destacam em termos de quantidade de agentes criativos são Plano Piloto, Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras, Guará, Samambaia, Sobradinho e Gama.

    Os setores que predominam dentro das produções culturais e que possuem mais agentes envolvidos são os da Publicidade, Moda, Audiovisual, Pesquisa, Turismo, Eventos, Arquitetura, Softwares e Gastronomia, conforme levantamento feito pela pesquisa. Outra área que tem crescido na capital e que possui potencial de expansão na cidade é o desenvolvimento de jogos virtuais.

    De acordo com o coordenador da pesquisa, Alexandre Kieling, o Panorama traz novas perspectivas a respeito da capacidade cultural produtiva do DF. Os dados poderão proporcionar uma análise mais detalhada sobre as potencialidades dos produtores da capital, sobretudo os pequenos, visto que mais de 50% dos 90 mil agentes criativos da unidade federativa são Microempreendedores Individuais (MEIs) e sobrevivem da produção própria.

    “Representa em primeiro lugar um potencial econômico. Aqui [no DF] há uma capacidade instalada com um grande potencial de geração de riqueza. Em segundo lugar, é uma produção de riqueza transversal, que vai desde o artesanato vindo das regiões mais periféricas até que os possuem pós-graduação, mestrado e doutorado que estão produzindo softwares, espetáculos sofisticados de música e teatro, e [os que gostam de] jogos, de onde vem uma garotada boa”, destacou.

    Ele destaca também as grandes potencialidades presentes dentro da gastronomia e moda brasiliense. “Aqui tem uma produção de moda e gastronomia que é muito forte nas regiões administrativas do DF – não é só o Plano Piloto”, comentou Alexandre.

    Conforme explicou o pesquisador, “ativar as competências” de talentos dentro das RAs, principalmente naquelas com maiores dificuldades sociais, é possível “resolver problemas de ocupação no mercado de trabalho”, uma vez que a qualificação será suficiente para alavancar o trabalhador para que ele se sustente com o produto que gosta de produzir.

    “Esses dados vão auxiliar na tomada de decisão tanto do poder público quanto da iniciativa privada sobre onde investir. Temos hoje um conjunto de investidores, muitos do DF, e esse levantamento vai mostrar claramente os potenciais dessas áreas todas – de turismo, gastronomia, moda, design, audiovisual, jogos, música, dança, softwares, etc. Nós temos muita competência instalada, com um percurso de experiências já trilhado, que assegura uma base sólida para uma indução muito rápida de desenvolvimento econômico”, destacou.

    Sobre a pesquisa

    O Panorama é realizado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), onde Alexandre também é professor, e conta com o fomento de órgãos públicos e privados para a produção da pesquisa. Entre os apoiadores do levantamento estão a Secretaria de Turismo do DF (Setur), a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio).

    Os dados coletados dentro do Panorama têm fonte em registros oficiais de órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ministério do Trabalho e Previdência, a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda do DF (Sefaz), a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), as Secretarias de Turismo e Cultura do DF, e organizações e associações de atividades criativas.

    Por Redação do Jornal de Brasília

    Foto: Reprodução Jornal de Brasília

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