quinta-feira, 18 de abril de 2024
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Hemocentro de Brasília está com estoque crítico e precisa de doadores

Todos os tipos sanguíneos, com exceção do B+, estão com os níveis de armazenamento muito baixos. Situação é emergencial.

O estoque de sangue no Hemocentro está muito abaixo do ideal. Segundo o último relatório do órgão, atualizado no fim da última quinta-feira (15), as quantidades armazenadas para doações dos tipos O+, O- e B- estão em estado crítico. A Fundação faz, portanto, o convite para que mais donatários agendem um horário e se dirijam à sede, na Asa Norte, ou a alguma unidade móvel para doar.

De acordo com a diretora do ciclo doador da Fundação, Mayara Aoyama, a situação atual é preocupante, uma vez que a instituição é quem garante o abastecimento de sangue de todos os hospitais públicos do Distrito Federal e alguns conveniados. Além dos já citados, também estão com baixo estoque os sangues tipo AB-, A+ e A-. O AB está regular e o tipo B+ está com o nível adequado.

O apelo é para que mais doações sejam feitas ao longo das semanas, a fim de garantir que pacientes portadores de anemia falciforme, e outros com doenças hematológicas e onco-hematológicas (doenças no sangue) tenham o recurso disponível não apenas nos hospitais, mas também na Fundação Hemocentro, que faz um estoque estratégico para atender em casos de emergência. O sangue doado também é utilizado em cirurgias de grande porte quando precisam de transfusão, entre outras circunstâncias.

“Tivemos uma queda de 15% no volume de doações no segundo trimestre. Estávamos atendendo cerca de 180 pessoas por dia, mas tivemos essa queda brusca com os feriados. Fica difícil recuperarmos [os estoques], só que a nossa demanda é constante, então as doações deveriam ser constantes também [a fim de garantir o abastecimento continuamente]”, afirmou a diretora.

Conforme relatou, menos de 2% da população do DF é doadora de sangue. Apesar de representar um número expressivo de pessoas – quase 60 mil –, com o baixo quantitativo de doadores nos últimos três meses, os estoques atingiram os níveis mínimos nestas últimas semanas, justamente no Mês Vermelho, de conscientização à doação de sangue.

“No Dia Mundial do Doador de Sangue [celebrado na última quarta-feira, 14], tivemos uma boa quantidade de doadores aqui. Foram cerca de 230 voluntários. […] Pelo sangue ser uma matéria essencialmente humana, não temos um substituto para ele, então dependemos dessa solidariedade e ato altruísta da população para que a gente mantenha o estoque e consiga salvar vidas”, destacou.

Campanhas

As campanhas de doação de sangue da Fundação Hemocentro de Brasília, portanto, são essenciais para conscientizar a população acerca da importância da solidariedade. De acordo com Mayara, em uma única doação, em que são coletados entre 405ml e 465ml de sangue, pode-se salvar até quatro vidas. Nesse sentido, os parceiros e doadores regulares ajudam nas campanhas.

Doando pela primeira vez, a servidora pública Renata Miranda, 42 anos, compareceu à sede do Hemocentro na tarde da última quinta-feira (15) após ser incentivada em uma campanha de doação organizada pelo órgão em que trabalha. Conforme contou, ela nunca tinha doado por medo e nervosismo, mas desta vez o grupo com quem trabalha a ajudou a vencer a aflição.

“Sempre tive receio, mas agora com a campanha decidi vir e fazer esse gesto”, destacou. Antes da doação, Renata descreveu que estava “mega nervosa”, com medo da agulha. “Mas é um sentimento de felicidade, sabendo que vai ajudar pessoas que vão precisar, então a gente realmente até supera esse nervoso por esse gesto”, complementou.

Depois de 10 minutos colhendo o sangue, ela se sentiu bem em todo o processo, sem dor e sem enjoos ou náuseas. Após a experiência positiva, então, ela pretende voltar outras vezes à unidade para fazer mais doações e ajudar mais pessoas. “Foi bem tranquilo. Achei ótimo, gostei, não senti nada. Não doeu nem um pouco”, reforçou a servidora.

Waldeir Francisco Lima, 47, é motorista de caminhão e deu uma pausa no trabalho para conseguir doar sangue. Ele afirma que é doador desde os 18 anos, quando um colega à época precisou de uma transfusão de emergência em uma cirurgia. Percebendo a importância da atitude, ele continuou a fazer as doações de forma regular.

“Sempre doo de 6 em 6 meses, ou de 2 em 2 meses. Sempre que eu tenho um tempinho eu venho. É bom ajudar”, disse. “Sinto que estou contribuindo de alguma forma. Fico satisfeito. Se eu posso contribuir, por que não vou lá doar, né?”, indagou. “Fico sem palavras. Acho que devemos fazer primeiro o bem, pensar no próximo.”

Ele destaca a importância da doação principalmente nestas épocas de festas, em que acidentes graves podem acontecer, e muitas pessoas provavelmente precisarão de uma transfusão de sangue para serem salvas.

Como doar?

O funcionamento atual é por agendamento pelo site www.agenda.df.gov.br ou pelo número 160, opção número 2.

Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos de idade, sendo que o menor de 18 precisa apresentar formulário com autorização e cópia da identidade com foto de algum responsável legal.

Pesar mais de 51 quilos e ter o Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 18,5;

Apresentar documento de identificação oficial com foto;

Dormir pelo menos seis horas, com qualidade, na noite anterior à doação;

Não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação;

Não fumar duas horas antes da doação;

Para mais informações, acesse o portal da Fundação Hemocentro de Brasília na aba “Quero Doar” e “Doação de Sangue”.

Por Victor Mendonça do Jornal de Brasília

Foto: Victor Mendonça / Reprodução Jornal de Brasília

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