segunda-feira, 15 de abril de 2024
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  • Detran-DF registra 30 mortes de motociclistas no primeiro semestre do ano

    Número de infrações cometidas por motoqueiros em 2023 superam os de 2021 e estão perto dos de 2022

    A realidade dos motociclistas nas pistas do Distrito Federal: O Departamento de Trânsito do DF registrou no 1º semestre deste ano 30 mortes de condutores de motos na capital do País. O número fica abaixo do apontado em 2022, no mesmo período, com a ocorrência de 41 óbitos de motociclistas – o ano passado fechou em 74 mortes no total. Atrás das 37 mortes de pedestres, os motoqueiros foram os que mais morreram em 2023, quando analisamos outros tipos de vítimas de trânsito.

    De acordo com último Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população do Distrito Federal conta atualmente com 2.817.068 habitantes, com um total de 2.021.627 veículos, sendo dessas 231.021 motocicletas. Pensando nesses números e no cenário atual com grandes acidentes e mortes no trânsito dos mais expostos, o diretor-geral do Detran-DF, Takane do Nascimento, comenta sobre a importância de se respeitar as regras do trânsito e de se lembrar da regra ‘o maior cuida do menor nas ruas’.

    “A redução de mortes no trânsito depende principalmente do respeito às normas previstas para todos que utilizam as vias em seus deslocamentos diários. Em especial, há uma preocupação maior com a segurança dos mais vulneráveis, que são motociclistas, ciclistas e pedestres. Por isso, lançamos uma campanha para que os motociclistas se atentem aos cuidados indispensáveis com a sua própria vida e a segurança dos demais usuários das vias. Estamos empenhados em garantir ainda mais segurança aos motociclistas e vamos reforçar as ações de educação e fiscalização ao longo desse semestre para que os números sejam cada vez menores de acidentes envolvendo esse público”, destaca Takane.

    Dados disponibilizados pelo Detran-DF mostram ainda que 6.582 infrações foram cometidas por motociclistas em 2023, de acordo com o artigo 244 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – único que trata exclusivamente dos condutores de moto, por se tratar do uso de capacete, vestimenta adequada e outras especificações. O número já é maior do que o registrado em todo 2021 (6.500 infrações). O resultado indica que os números podem chegar ao patamar de 2022, no qual registrou 10.310 infrações.

    Para o entregador de aplicativo de delivery, Leomar Paz, que pilota moto todos os dias há três anos, a responsabilidade em muitos casos não é somente dos motociclistas. “Eu acredito que tenha como os acidentes de trânsito com motociclistas serem em sua maioria evitados. Muitas vezes as colisões acontecem por parte dos condutores de carro e motociclistas. Na minha opinião o que provoca normalmente os acidentes são os pequenos detalhes, como não usar a seta e não observar os retrovisores. Eu também dirijo carro, então sei que quando você olha no retrovisor é possível ver um motociclista”, comenta o motoboy.

    Em 2021, Leomar sofreu um acidente, no qual ainda hoje sente dores na perna, coxa e quadril. Ele explica que o motorista do carro, sem sinalizar que iria trocar de faixa, jogou o carro na sua direção e ambos acabaram colidindo. “Além do meu, já presenciei alguns acidentes, inclusive com colegas de trabalho, sendo uns até fatais. Diariamente andando pelo trânsito podemos presenciar pelo menos três ou quatro acidentes de moto. Infelizmente é bem comum”, lamenta Leomar.

    Ao Jornal de Brasília a Doutora em Transportes, Adriana Modesto, comenta sobre a importância de se ir além das campanhas educativas e de se pensar nas condições dos motociclistas que em muitos casos usam a moto como meio de trabalho em condições desfavoráveis. “É importante destacar que em se considerando os sinistros (acidente) envolvendo trabalhadores, para uma análise mais acurada quanto às medidas preventivas, é fundamental dialogar com outros elementos tais como planejamento urbano, planejamento de transportes, planejamento de circulação”, argumenta Adriana.

    A Doutora em Transportes reforça ainda a necessidade de se entender o contexto em que acontecem as mortes e acidentes no trânsito como um todo, deixando de focar somente nos números, faixa etária, sexo e entre outros. “Aludindo-se o princípio da falibilidade humana, pode-se dizer que somos todos suscetíveis aos erros e embora não seja possível modificar a condição humana, é possível modificar o ambiente, dentre aqueles que podem favorecer a ocorrência de um sinistro (acidente) de trânsito. Essas modificações se constituem como barreiras ou defesas”, completa Adriana.

    Por fim, à reportagem, Adriana finaliza sobre a relevância de se trabalhar com: intervenções na via, esforço legal, campanhas de conscientização quanto aos riscos no trânsito, formação qualificada de condutores veiculares, capacitação de motoristas profissionais, desenvolvimento de incrementos tecnológicos, segurança veicular, convergência de políticas públicas preventivas aos sinistros de trânsito e ações preventivas direcionadas a segmentos específicos tais como motofretistas e entregadores por aplicativos”.

    Saiba mais:

    Campanhas educativas Detran-DF voltadas para motociclistas:

    A Diretoria de Educação de Trânsito promove palestras, ações nas vias públicas, bares e eventos, com distribuição de materiais educativos;

    Detran-DF também promoveu ação educativa no formato de “Palestras de Rua”, direcionada aos motociclistas que trabalham com delivery por aplicativos;

    Em julho, o Detran-DF lançou uma campanha voltada para os motociclistas. Com o slogan “Qual é o seu modo moto? Seja vivo! Viva seu modo moto com o Detran-DF”, a campanha incentiva o motociclista a refletir sobre as medidas de segurança indispensáveis no trânsito.

    Por Redação do Jornal de Brasília

    Foto: Agência Brasil / Reprodução Jornal de Brasília

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