sábado, 20 de abril de 2024
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Conheça onde realizar o afroturismo em Brasília e no Entorno

A turismóloga Aline Karina idealizou projetos em torno do afroturismo, segmento que valoriza os patrimônios culturais e ambientais partindo de uma perspectiva negra

Onde estão as pessoas que construíram Brasília? Onde estão os pioneiros negros? Onde estão os lugares que marcam essas presenças no Distrito Federal? Foi a partir dessas três perguntas que Aline Karina, 34 anos, idealizou projetos em torno do afroturismo, segmento que visa valorizar os patrimônios culturais e ambientais de uma perspectiva negra, considerando que se trata de um povo construtor e que também preserva suas raízes.

Para a turismóloga, formada pela Universidade de Brasília (UnB), e mestre em preservação do patrimônio cultural, o turismo pode ser uma ferramenta de transformação social. Nesse sentido, dar protagonismo ao afroturismo significa potencializar a riqueza do país e valorizar nosso povo, além de gerar emprego, renda e movimentar a economia.

Morando em São Sebastião, Aline conseguiu impactar a vida dos moradores locais, levando mais de 400 pessoas a conhecerem as riquezas da região pelo programa de base comunitária Sebas Turística, que promove o turismo cidadão, resgatando o protagonismo e as identidades históricas daquele espaço. “Potencializando a composição cultural, social, ambiental e turística do DF, o projeto contribui para uma descentralização do lazer e da cultura para além dos limites do Plano Piloto”, avalia a pesquisadora.

Potência cultural

Do Sebas Turística, nasceu, em 2022, o Turismo Fora do Avião, agência focada em turismo negro, periférico e criativo no DF e no Entorno, com meta de ampliação para o Centro Oeste e para o Brasil. Entre os parceiros da iniciativa, estão a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), a UnB e o Sebrae.

Recentemente, o empreendimento lançou o 1° Guia do Afroturismo de Brasília e do Entorno, no qual há sugestões de passeios, rotas, monumentos e centros de convivência e comidas típicas, que visam difundir a cultura afro-brasileira. Mais de 200 atrativos foram mapeados. “Não tem como a gente falar do Brasil se não incluirmos verdadeiramente quem faz parte dos grupos formadores da nossa sociedade”, defende a especialista em preservação do patrimônio cultural.

Aline, que também é supervisora de afroturismo, diversidade e povos indígenas da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), acrescenta que o guia é uma forma de dar visibilidade a certos grupos sociais. “Essa metodologia está sendo replicada, inclusive, pelo Ministério da Igualdade Racial e pelo Ministério do Turismo, com o objetivo de driblar as questões de desigualdade social e promover o que temos de mais importante, nossas pessoas e nossa cultura”, defendeu. 

Reconhecimento

Neste mês, Aline foi vencedora do Prêmio Fac Cultura Mulher, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec). A premiação reconhece e celebra mulheres notáveis do DF que têm feito contribuições significativas no cenário cultural, na promoção da igualdade de gênero e no combate à violência contra a mulher. 

Aline Karina explica que o afroturismo se relaciona com questões relativas ao gênero no que tange a geração de empregos e de renda, contribuindo para as mulheres serem inseridas no mercado de trabalho. “Eu trabalho com mulheres, principalmente periféricas, para conseguir trazer essa transformação social, porque a gente compreende que, quando elas têm a sua renda, elas também possuem direito de escolha, afastando-se de certos tipos de violência”, comentou.

Pesquisas

O estudo acadêmico “Turismo afrocentrado e educação antirracista: relatos a partir da hashtag #afroturismo no Instagram”, produzido por Priscilla Teixeira da Silva e publicado na revista Boletim de Conjuntura, traz relatos de experiência e registros de atividades turísticas afrocentradas. A pesquisa destaca a potência do afroturismo enquanto ação educativa antirracista junto a grupos escolares, de turistas, colaboradores de empresas e magistrados, compondo caminhos possíveis no combate ao racismo no Brasil.

“O aumento de pesquisas acerca do afroturismo, em 2023, parece ser fruto tanto da mobilização social de grupos historicamente invisibilizados, como de interesses mercadológicos marcados pela diversificação de prestadores de serviços e ofertantes de produtos turísticos vinculados ao povo negro”, argumenta o professor Izac Bonfim, editor chefe do periódico científico Ateliê do Turismo, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Ele analisa também a atuação de comunidades tradicionais que, por meio do afroturismo, buscam o reconhecimento e a valorização da herança negra. “Ao mesmo tempo, são comuns relatos de hostilidade, de racismo e de outras formas de violência nas viagens turísticas por parte de outros viajantes, de moradores dos destinos turísticos ou, mesmo, de prestadores de serviços turísticos”, conta o docente, em chamada à publicação de artigos científicos, no site da Escola de Administração e Negócios da UFMS.

Guia do Afroturismo em Brasília e no Entorno

» Praça Zumbi dos Palmares, no Conic

» Monumentos Os Candangos, referência ao casal
de guerreiros quilombolas angolanos,
na Praça dos Três Poderes

» Capela São Francisco de Assis, no Gama

» Galeria Olho de Águia, em Taguatinga

» Museu Histórico e Artístico de Planaltina

» Espaço Maria Morena, em Planaltina

» Terreiro Caboclo Boiadeiro da Maré, no Paranoá

» Espaço Cultural Filhos do Quilombo, em Ceilândia

» Crioula Café, no Guará

» Praça do Reggae, em São Sebastião

» Instituto Metamorfose, em São Sebastião

Fonte: Turismo Fora do Avião

Por Letícia Mouhamad do Correio Braziliense Foto: Arquivo pessoal / Reprodução Correio Braziliense

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