Evoluir na carreira e desenvolver novas competências não depende apenas de inteligência técnica. Segundo as pesquisas da psicóloga Carol S. Dweck, da Universidade Stanford, a mentalidade com que se encara as próprias capacidades também é um fator determinante para o sucesso.
A psicóloga destaca em seu livro Mindset: a nova psicologia do sucesso que existem duas maneiras de pensar, sendo o mindset fixo e o mindset de crescimento.
Enquanto o pensamento fixo supõe que a inteligência e o talento são características imutáveis, a mentalidade de crescimento acredita que o intelecto pode ser desenvolvido por meio do esforço, de estratégias adequadas e persistência.
Essa mudança de perspectiva se tornou cada vez mais necessária no ambiente profissional, pois a crença no talento imutável desperta o medo de desafios e a resistência a feedbacks, o que limita o potencial de desenvolvimento.
Ao adotar a visão de crescimento, o profissional deixa de focar na validação constante de sua inteligência e passa a investir na expansão de suas habilidades, tornando-se mais resiliente diante das transformações do mercado.
Dominando o mindset fixo
O primeiro passo para essa mudança de mentalidade, é aceitar que o mindset fixo é uma presença universal. O desafio é identificar os gatilhos que despertam a voz da insegurança, geralmente associados a grandes desafios, críticas construtivas ou ao sucesso de outros.
Uma técnica eficaz é personificar o mindset fixo. Ou seja, atribuir um nome a essa “voz interna” crítica — como um personagem fictício —, para distanciar essa insegurança da própria identidade.
Em vez de reprimir o pensamento, a estratégia recomendada é “educar”. Quando surge o medo do fracasso, é preciso reconhecer e reafirmar a escolha pelo aprendizado, utilizando argumentos como: “Ainda não sei, mas estou aprendendo”.
Erros como ferramentas
Mudar para uma mentalidade de crescimento exige transformar o diálogo interno: em vez de enxergar os erros como provas de falta de capacidade, o foco deve estar no que pode ser construído a partir deles.
No trabalho, ao receber uma crítica, a postura ideal é separar o desempenho da identidade pessoal. Enquanto o gestor avalia o resultado do momento, cabe ao profissional usar esses dados para melhorar as próximas entregas. A prioridade deixa de ser o julgamento sobre o intelecto e passa a ser o aperfeiçoamento do método.
O hábito de aprender
Para consolidar essa mudança, é essencial criar o hábito de refletir sobre o dia. Fazer perguntas ao fim do expediente ajuda a fixar o aprendizado:
O que eu aprendi hoje?
Que erro cometi que me ensinou algo?
Em que tive de me esforçar mais hoje?
Quais foram as oportunidades de aprender e crescer hoje?
Ao transformar a rotina em um espaço de experimentação, o medo de errar diminui, as falhas deixam de ser um problema e passam a ser a base necessária para alcançar a excelência e o crescimento constante na carreira.
Inteligência emocional também se aprende
A mudança para uma mentalidade de crescimento não depende apenas de reconhecer erros e buscar novos repertórios técnicos. Ela também passa pela capacidade de lidar melhor com frustrações, críticas, pressão e conflitos — situações em que a inteligência emocional se torna uma competência decisiva para sustentar o desenvolvimento profissional.
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