Diploma e boas notas continuam relevantes, mas parte importante da preparação para o mercado acontece fora da sala de aula. Empresa júnior, iniciação científica, monitoria, organizações estudantis e eventos profissionais colocam universitários diante de responsabilidades, decisões e problemas que ajudam a formar repertório antes do primeiro emprego.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, mostra que pensamento analítico continua sendo a competência central mais procurada pelos empregadores: sete em cada dez empresas consultadas a consideram essencial. Liderança e influência social, resiliência, flexibilidade e agilidade também ganharam importância nos últimos anos.
Veja, abaixo, sete formas de se destacar na faculdade.
- Entre em uma empresa júnior e assuma responsabilidades reais
Empresa júnior aproxima o estudante de situações que dificilmente aparecem apenas nas disciplinas da graduação.
Formadas e administradas por universitários, essas organizações exigem que os participantes lidem com clientes, projetos, prazos e trabalho em equipe. A CNI destaca inovação, empreendedorismo e colaboração entre as competências estimuladas nesse ambiente.
Para a carreira, o principal valor não está simplesmente em escrever “empresa júnior” no currículo. Está em conseguir explicar o que aconteceu durante essa passagem: um projeto entregue, uma negociação realizada, uma equipe coordenada ou um problema que precisou ser resolvido.
- Faça iniciação científica ou participe de projetos de extensão
Iniciação científica e extensão oferecem duas maneiras diferentes de ultrapassar os limites da sala de aula.
Na pesquisa, o estudante precisa formular perguntas, levantar informações, analisar evidências e testar hipóteses. Nos projetos de extensão, o conhecimento acadêmico encontra problemas e públicos fora da universidade.
Essa capacidade de investigar problemas conversa diretamente com as necessidades atuais do mercado. O Fórum Econômico Mundial coloca o pensamento analítico no topo das habilidades consideradas essenciais pelos empregadores.
Mesmo para quem não pretende seguir carreira acadêmica, aprender a investigar antes de concluir é uma competência transferível para áreas como negócios, tecnologia, finanças, marketing e gestão.
- Use a monitoria para aprender a comunicar o que sabe
Dominar um assunto e conseguir explicá-lo são habilidades diferentes. A monitoria obriga o universitário a atravessar essa distância.
Para ajudar outro estudante, é preciso identificar dúvidas, reorganizar conceitos e encontrar novas maneiras de apresentar uma informação.
A atividade também pode demonstrar dedicação e capacidade de compartilhar conhecimento — atributos que podem ganhar importância especialmente na busca pelo primeiro emprego.
É uma experiência que pode parecer exclusivamente acadêmica, mas desenvolve algo bastante profissional: comunicação.
- Assuma projetos em centros acadêmicos, diretórios e outras entidades
Organizar uma semana acadêmica, administrar orçamento, buscar patrocínio ou mobilizar estudantes em torno de uma proposta são tarefas com consequências reais.
Centros acadêmicos, diretórios e outras organizações estudantis permitem assumir essas responsabilidades ainda durante a graduação.
Esses ambientes estimulam trabalho em grupo, organização, engajamento e resolução de problemas. Existe também uma dimensão importante de liderança.
Dentro de uma organização estudantil, muitas vezes não há autoridade formal suficiente para simplesmente ordenar que as coisas sejam feitas. É necessário negociar, convencer pessoas e dividir responsabilidades.
Essas são justamente competências que ganharam importância no mercado. Liderança e influência social registraram uma das maiores altas entre as habilidades consideradas centrais pelos empregadores no levantamento mais recente do Fórum Econômico Mundial.
- Construa networking enquanto ainda está estudando
A rede profissional não começa no momento de pedir uma indicação para uma vaga.
Colegas de turma podem se tornar profissionais da mesma indústria. Professores podem aproximar alunos de pesquisas e projetos. Congressos e palestras permitem conversar com quem já trabalha na área que o estudante pretende conhecer.
A construção dessa rede aparece entre as recomendações da CNI para aproveitar melhor a universidade. O networking mais consistente, porém, não funciona como uma coleção de contatos.
Seu valor está na troca. Uma conversa pode ajudar a descobrir como determinada carreira funciona, entender quais competências estão sendo cobradas ou conhecer uma oportunidade acadêmica que ainda não circulou amplamente.
- Procure experiências além da grade obrigatória
Cursos complementares, idiomas, congressos, intercâmbios e leituras independentes também entram na lista. A recomendação ganhou uma nova dimensão com a velocidade das transformações no mercado.
O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades existentes dos trabalhadores serão transformadas ou perderão relevância entre 2025 e 2030. Ao mesmo tempo em que IA, big data e cibersegurança avançam rapidamente, criatividade, resiliência, liderança e colaboração continuam consideradas competências centrais.
Isso amplia a responsabilidade do universitário sobre a própria formação.
Acumular certificados, porém, não é necessariamente a melhor estratégia. Um curso complementar ganha mais força quando ajuda a resolver um problema concreto, desenvolver uma competência ou avançar em uma área profissional de interesse.
- Tire uma ideia do papel e gere algum tipo de impacto
Participar de uma atividade é diferente de assumir responsabilidade pelo que acontece dentro dela.
É possível frequentar uma palestra ou organizar o evento. Integrar um grupo ou propor um projeto novo. Estudar um problema ou construir uma solução para ele.
Essa passagem da participação para a execução é justamente onde aparece o protagonismo.
O Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário foi criado para reconhecer jovens que transformaram a experiência universitária em iniciativas e realizações concretas. A seleção considera a trajetória e o impacto gerado pelos candidatos, dando visibilidade nacional a universitários que assumiram responsabilidade por projetos e resultados.
A proposta se aproxima de algo que o mercado também procura: profissionais capazes de ir além de uma tarefa determinada e mobilizar recursos, conhecimento e pessoas para fazer algo acontecer.
Fonte exame
Foto: Png-Studio/Thinkstock








