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Preso no trânsito? Veja quantos dias moradores do DF perdem no congestionamento

Chegar ao trabalho, voltar para casa ou cumprir compromissos diários tem custado caro...

Chegar ao trabalho, voltar para casa ou cumprir compromissos diários tem custado caro ao tempo e à paciência dos brasileiros. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que motoristas e passageiros das principais capitais do país perdem centenas de horas todos os anos travados em engarrafamentos nos horários de pico.

O diagnóstico foi apresentado pela diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, durante o Seminário Nacional NTU 2026, promovido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos na feira Lat.Bus, em São Paulo.

Surpreendendo quem aposta nas maiores metrópoles no topo, Curitiba lidera a lista negativa: são 135 horas anuais perdidas no trânsito — o equivalente a mais de cinco dias e meio ininterruptos no tráfego. São Paulo aparece logo em seguida, com 132 horas, empatada de perto com Recife e Belo Horizonte, ambas com 130 horas por ano desperdiçadas nos gargalos viários. Já Brasília figura com o menor índice entre as capitais avaliadas, somando 58 horas anuais.


Horas perdidas em congestionamentos nos horários de pico

1º Curitiba (PR) | 135 h | ~ 5,6 dias |

2º São Paulo (SP) | 132 h | ~ 5,5 dias |

3º Recife (PE) | 130 h | ~ 5,4 dias |

4º Belo Horizonte (MG) | 130 h | ~ 5,4 dias |

5º Porto Alegre (RS) | 125 h | ~ 5,2 dias |

6º Fortaleza (CE) | 121 h | ~ 5,0 dias |

7º Rio de Janeiro (RJ) | 92 h | ~ 3,8 dias |

8º Salvador (BA) | 81 h | ~ 3,4 dias |

9º Brasília (DF) | 58 h | ~ 2,4 dias |

Fonte: Plano CNT de Transporte e Logística / Apresentado no Seminário Nacional NTU (Lat.Bus)

Gargalo exige R$ 518 bilhões em investimentos

A falta de fluidez nas ruas e avenidas é reflexo direto do deficit histórico de investimentos em infraestrutura. Segundo dados do Plano CNT de Transporte e Logística, o Brasil necessita de R$ 518,4 bilhões aplicados exclusivamente em mobilidade urbana, distribuídos em 328 projetos prioritários:

  • Ferroviário (metrôs e trens urbanos): R$ 410,5 bilhões (83 projetos)
  • Rodoviário urbano (corredores e faixas exclusivas): R$ 97,6 bilhões (230 projetos / 2.896 km de extensão)
  • Terminais de integração: R$ 2,8 bilhões (12 projetos)
  • Aquaviário: R$ 7,5 bilhões (3 projetos)

Do montante previsto para o modal rodoviário, R$ 86,39 bilhões destinam-se justamente a obras de priorização do transporte coletivo (como faixas exclusivas e BRTs), medida apontada como essencial para destravar o tráfego e reduzir o tempo de deslocamento da população.

Mais ônibus, menos poluição

Além da perda de tempo, o modelo atual sobrecarrega o meio ambiente e a saúde pública. Durante o evento, Fernanda Rezende destacou a desproporção entre veículos individuais e coletivos na pegada de carbono urbana. “Quando falamos de descarbonização, um ônibus emite cerca de um sexto do que emite uma frota equivalente de motos para transportar o mesmo volume de passageiros. Cerca de 10% das emissões do setor vêm dos ônibus, enquanto veículos leves respondem por 48%. Se tiramos motos e carros da via e colocamos mais ônibus com infraestrutura segregada, o ganho ambiental e de fluidez é imediato”, defendeu a diretora da CNT.

Crise de financiamento e envelhecimento da frota

Outro alerta acendido no seminário diz respeito à sustentabilidade financeira dos sistemas. A dependência quase exclusiva da tarifa paga pelo passageiro tem dificultado a renovação dos veículos — a idade média da frota nacional de ônibus saltou do patamar histórico de 3 a 4 anos para cerca de 6 anos.

Para enfrentar o cenário, a NTU e a CNT defendem uma reformulação estrutural do modelo de custeio no país, com:

  • Apoio da União e linhas de crédito acessíveis para compra de frotas pesadas e transição energética (ônibus elétricos e a gás);
  • Uso de recursos de outras pastas (como Saúde, Educação e Assistência Social) para bancar gratuidades de estudantes, idosos e pessoas com deficiência;
  • Reformulação do Vale-Transporte e diversificação das fontes de receita extra tarifária.

Para a CNT, a mobilidade urbana precisa ser tratada como política de Estado urgente: sem corredores dedicados e investimentos maciços, as cidades continuarão reféns dos engarrafamentos e da perda de produtividade.


*A repórter viajou a convite da NTU.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves DA/ CB Press

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