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Moradores comemoram aniversário de 60 anos da 312 Norte

Moradores da Quadra 312 Norte comemoraram, neste sábado (26/9), os 60 anos da...

Moradores da Quadra 312 Norte comemoraram, neste sábado (26/9), os 60 anos da área mais populosa da Asa Norte. Inaugurado e entregue à população em 1966, o local é cheio de histórias que atravessam o tempo. Organizador do evento, Carlos César, conhecido como Ceceu, 65 anos, é nascido e criado na 312 e define a festa como “um resgate e uma tentativa de replicar” o que vivia nos tempos de adolescência.

“Quero fazer com que os jovens sejam atraídos por esse movimento de cultura, lazer, arte e diversão e fazer com que as pessoas aproveitem os espaços livres”, afirmou.

Ele explica que, para quem cresceu na quadra, há um sentimento de unidade na vizinhança. “Éramos a quadra mais afastada da Asa Norte, quase no interior de Brasília. Como tudo era longe, fazíamos nossos próprios eventos e entre nós mesmos”, afirmou.

Embalado pelo rock n’roll que tocava na festa, o prefeito Thertitus Hernane Piau, 56, definiu o local como ”diferente do padrão por origem”. Ele comenta que, no início, a quadra recebeu muitos pioneiros. ”Eu cheguei aqui com meus pais quando tinha um ano.”

Entre os antigos moradores, estão os irmãos mineiros Vicente de Paula, 66, e Paulo Henrique Soares, 56, que moraram na 312 Norte na infância e voltam toda edição para relembrar os velhos tempos. Morando em Belo Horizonte, Vicente de Paula afirma que é emocionante voltar à antiga morada em todo festival que é realizado. “Eu gosto muito. Nosso coração está aqui. Praticamente nasci nesta quadra”, afirma.

Vicente ainda comenta que as outras quadras deveriam aderir à prática e fazer festas de aniversário. “É muito bom poder rever amigos e vizinhos. Acho que as outras quadras, que até são mais antigas do que a da 312, têm muita história para ser celebrada. Essas festas deveriam ser patrimônio de Brasília”, disse. 

Túnel do tempo

A 312 Norte também foi palco de imensas manifestações culturais. O poeta Nicolas Behr definiu a festa em homenagem à quadra como “túnel do tempo”. “Esta quadra é muito especial. Vim aqui em 1981 para o panelão da arte. É preciso ter esse encontro. Hoje, eu vi gente que não via há muitos anos, quase há milênios”, brinca o poeta. Entre suas melhores memórias, está seu encontro com Clodo Ferreira, em 1978. “Demos um abraço nesta quadra, como se nos conhecêssemos há anos. Esta quadra é emblemática para todos que tiveram alguma história aqui”, comentou. 

Martha Salustiano é um verdadeiro ícone para a vizinhança. Dos seus 90 anos, 60 foram na 312 Norte. Sua história favorita é quando relembra de seus tempos como professora. “Eu participei da educação de muitas crianças. Trabalhava em turnos no matutino e no vespertino. É gratificante encontrar todas elas adultas hoje em dia”, afirmou. 

Seu filho, Walsy Salustiano, completou 60 anos junto com a quadra e se considera um verdadeiro “cria” da 312. Em meio a festa, ele ressaltou o espírito companheiro da vizinhança. “As pessoas têm um amor imenso por essa vizinhança. Colaboramos uns com os outros e não deixamos a tradição acabar”, destacou.

Além de seus queridos alunos, Martha também criou seus cinco filhos na quadra. Ela comenta que a popularidade do bloco residencial e a colaboração da vizinhança transformaram o local em um espaço único. “Ainda estar aqui, colaborando para que essa festa seja maravilhosa é indescritível. Ter ensinado alunos e criado cinco filhos, hoje todos formados, é um orgulho”, concluiu. 

Fonte Correio Braziliense
Foto: Luiz Fellipe Alves/CB/DA Press

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