O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar, neste sábado (26/9), a condução das investigações do caso Banco Master e afirmou que a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocou um “dano reputacional” que não pode ser reparado.
A manifestação ocorre um dia após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitar a abertura de uma investigação contra Gonet e manter o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) na condução dos processos relacionados ao Master. O pedido de apuração foi rejeitado por 5 votos a 4. Já a tentativa de afastá-lo da atuação nos casos não prosperou no colegiado.
Para Gilmar, o resultado confirmou que não havia elementos capazes de impedir a atuação do procurador-geral. O decano, no entanto, direcionou críticas à forma como o nome de Gonet foi exposto durante as apurações.
“A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público”, escreveu.
O nome de Gonet apareceu em conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Parte do material veio a público após o então relator dos casos no Supremo, ministro André Mendonça, retirar o sigilo de documentos da investigação. Gonet negou proximidade com Vorcaro e afirmou que o contato entre os dois foi breve e sem relação profissional.
Gilmar voltou a questionar justamente a retirada do sigilo. Segundo o ministro, a posterior conclusão sobre a inexistência de elementos suficientes contra Gonet não seria capaz de desfazer os efeitos da divulgação.
“Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas”, afirmou. Na sequência, classificou o desfecho como um “reparo tíbio e conveniente” e disse que, quando houve o reconhecimento, “o dano reputacional já estava consumado”.
O decano também elevou o tom ao mencionar o andamento das investigações durante o período eleitoral. Segundo ele, o episódio deixou “um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Rosinei Coutinho/STF









