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Itamaraty nega vistos de funcionários dos EUA para discutir sistema eleitoral

O Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty) negou os vistos de dois funcionários dos...

O Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty) negou os vistos de dois funcionários dos Estados Unidos que viriam ao Brasil para discutir a liberdade de expressão durante as eleições. A informação foi confirmada ao Correio pelo órgão. 

O ministério recebeu os pedidos de liberação para os vistos em 20 de julho, contudo a data da visita acendeu um alerta na equipe do governo.

Em conversas reservadas, interlocutores do Itamaraty afirmam que a chegada dos funcionários para discutir liberdade de expressão durante as eleições de outubro seria na sequência do episódio recente de questionamento nas urnas com corpo diplomático em Brasília.

Com base no acontecimento desta semana, o Itamaraty resolveu, então, engar os documentos. Até o momento, não houve nenhum questionamento por parte do governo norte-americano sobre a recusa.

Em discurso durante a convenção estadual do PT de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que “vão apanhar muito” indivíduos que vierem de fora do Brasil para tentarem interferir nas eleições.

A fala ocorreu após o jornal americano The Washington Post publicar uma reportagem sobre uma possível vinda de dois integrantes da Casa Branca para questionar o sistema eleitoral brasileiro e a negativa dos vistos pelo Itamaraty.

“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras vão apanhar muito”, disse.

Entenda o caso

Na última quarta-feira (22/7), o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com representantes de cerca de 40 embaixadas e afirmou que a empresa das urnas eletrônicas, a Smartmatic, é citada em suspeitas de fraudes eleitorais na Venezuela, alegação que já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“E uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, uma das suspeitas é que tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país. As eleições sobre suspeitas que são citadas nos relatórios da CIA são as de 2012. Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa venezuelana”, disse Flávio ao corpo diplomático.

No evento, Flávio também relembrou da reunião em 2022 quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada e apresentou questionamentos sobre as urnas.

O pré-candidato também comentou sobre denúncias do governo norte-americano sobre suspeitas de fraudes em processos eleitorais na Venezuela, citando um relatório da Agência de Inteligência (CIA) dos EUA sobre o pleito venezuelano em 2012.

“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processos eleitorais e eletrônicos, em especial na Venezuela. Inclusive, utilizando uma documentação do próprio Serviço de Inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidade do sistema eletrônico de votação”, comentou.

Flávio negou que tenha questionado as urnas e disse que deseja apenas que mais países enviem observadores para as eleições no Brasil.

“Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode ter eleições mais seguras e transparentes.”

Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

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