O domínio da inteligência artificial começa a ocupar um espaço diferente no mercado de trabalho: deixa de ser uma competência restrita a profissionais de tecnologia e passa a fazer parte das habilidades esperadas de executivos.
O movimento aparece no Executive Compensation & Talent Trends 2026, da Page Executive. Segundo o levantamento, 75% dos executivos brasileiros afirmam utilizar IA generativa em suas atividades profissionais. Na América Latina, são 74%, contra 41% em 2024.
Entre os líderes da região, 83% dizem que a tecnologia aumentou sua produtividade e 79% afirmam que ela melhorou a qualidade do trabalho.
Para quem trabalha, a mudança não significa necessariamente aprender programação. O que ganha importância é entender como a tecnologia pode ser aplicada ao próprio trabalho, avaliar seus resultados e tomar decisões com base nessas informações.
O que muda para os executivos
O uso individual é apenas uma parte da transformação. A expectativa sobre os líderes passa a envolver também a capacidade de incorporar IA à estratégia da empresa.
Um executivo pode, por exemplo, usar uma ferramenta generativa para analisar documentos, preparar cenários ou resumir informações. Mas sua função não termina na geração do conteúdo. É preciso avaliar a qualidade da resposta, identificar riscos e decidir como aquela informação será usada.
Essa diferença tende a separar o simples uso de ferramentas da alfabetização em IA, que envolve compreender possibilidades, limitações e impactos da tecnologia.
Um levantamento do IBM Institute for Business Value mostra que 65% dos executivos brasileiros entrevistados afirmam que agentes de IA já ajudam suas organizações a tomar decisões melhores e mais rápidas. Além disso, 75% esperam que esses sistemas operem de forma independente até o fim de 2026.
Quais habilidades ganham importância
A transformação também altera o conjunto de competências esperado dos profissionais em posições de liderança. Entre elas estão:
Tomada de decisão com apoio de dados e sistemas de IA
Capacidade de identificar aplicações práticas da tecnologia
Avaliação de riscos, erros e limitações dos modelos
Gestão de equipes que utilizam ferramentas de IA
Capacidade de conectar tecnologia a resultados de negócio
O ponto central é que o executivo não precisa necessariamente ser especialista técnico. Ele precisa saber fazer as perguntas certas, entender as consequências de uma implementação e conectar a tecnologia aos objetivos da organização.
A mudança também aparece no mercado de trabalho de forma mais ampla. O Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas e identificou que as competências exigidas nas ocupações mais expostas à IA mudam mais de duas vezes mais rápido do que nas demais. No Brasil, a participação das vagas que exigem competências em IA passou de 1,1% para 3,6% entre 2024 e 2025.
A habilidade vai além da ferramenta
Para os próximos anos, saber operar uma ferramenta específica pode ter menos importância do que compreender como trabalhar com IA.
Isso inclui saber delegar tarefas para sistemas generativos, revisar resultados, proteger informações sensíveis e identificar quando uma decisão exige análise humana.
Também muda o papel do líder diante das equipes. Em vez de apenas adotar uma nova ferramenta, o executivo precisa definir onde a tecnologia pode gerar ganhos, quais atividades devem permanecer sob responsabilidade humana e como medir os resultados.
A Deloitte identificou movimento semelhante: empresas estão entrando em uma fase de avaliação mais crítica da IA generativa, com maior atenção à eficiência, aos dados e aos riscos associados à tecnologia.
Nesse cenário, a inteligência artificial passa a integrar não apenas a rotina operacional, mas também as competências de liderança. Para profissionais, acompanhar essa mudança significa entender como a tecnologia altera tarefas, decisões e responsabilidades dentro das empresas.
Fonte exame
Foto: Magnific/Reprodução









