Em 1984, acompanhado de legionários, o ex-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV) José de Paiva Netto caminhava por um plano terreno em Brasília e concluiu que era hora de concretizar um antigo sonho do fundador da LBV, Alziro Zarur: erguer o Templo da Boa Vontade (TBV) na capital federal. O que estava no papel se concretizou. Em 21 de outubro de 1989, o monumento foi inaugurado e se consagrou como o templo do ecumenismo irrestrito, acolhendo visitantes de todas as filosofias, crenças e origens em busca comum pela paz interior e pelo fortalecimento espiritual e que completa 37 anos de história, com programações para comemorar sua existência.
O Templo é eleito uma das Sete Maravilhas de Brasília e foi reconhecido pela Secretaria de Turismo (Setur-DF) como um dos monumentos mais visitados da capital federal. A arquitetura do monumento também foi pensada no simbolismo religioso que a Legião apresenta aos peregrinos. O formato de pirâmide do Templo é um exemplo do que a LBV representa. Com sete vértices e um cristal de quartzo puro de 20 quilos na estrutura, a função é de centralizar as energias em que, dentro do TBV, há a Nave, onde as pessoas são convidadas a caminhar descalço no piso espiral para realizar pedidos, anseios e até para se acalmar.
Sem conflitos políticos
O espaço é aberto para todos os públicos, independentemente de ser uma pessoa com crenças e filosofias diferentes da LBV. É assim que Rodrigo de Oliveira, de 39 anos, define o Templo. A localização na 915 Sul é afastada do centro do DF por ficar “longe das políticas”, uma vez que a LBV é uma organização apartidária e preserva os valores de união da sociedade, afastando-se de conflitos. “É um local onde as tradições de fé, instituições públicas e privadas, associações civis e pessoas que não professam religiões possam estar juntos no mesmo local, comungando por um único ideal”, explica o representante do Templo da Boa Vontade. “O templo é um exemplo disso, neste ambiente, há várias representações culturais e artísticas de diferentes povos do mundo que nos visitaram e queria ser representado”, completa.
De acordo com Oliveira, são mais de 100 mil peregrinos por mês que visitam o monumento para participar do atos de energia limpa, em que ele conta que existe pessoas de todo o Brasil e dos países do mundo, com programações para pessoas de todas as idades e com acessibilidade pensada para todo o público.
“A celebração dos 37 anos tem uma expectativa muito grande. A gente se prepara todos anos para a programação que está acontecendo em todos os locais do Templo. Então, há palestras, rodas de conversas, orientações, espaços de escuta ativa para conseguirmos interagir com todos os peregrinos”, destaca o representante. “Este local é um templo de acolhimento, de respeito e de ecumenismo. Independente dos desafios que elas passam e da fé que elas professam, nós temos uma força capaz de transformar e que a gente as faça felizes”, avalia.
O gestor público Gilson Fernandes, 47, veio de São Paulo para celebrar os 37 anos do TBV. O peregrino está com o Templo desde a criação, e conta que é uma honra participar de mais uma comemoração. “Pelo menos uma vez no ano, eu venho aqui para renovar minhas energias que me preenche interiormente”, narra o turista.
Ele não era um dos únicos peregrinos de fora da capital federal. A gestora administrativa Andrea Duarte, 50, e a bombeira militar Rogéria Maia Ribeiro, 46, são irmãs e vieram de São Sebastião do Paraíso (MG) com a família. Elas contam que o pai sempre passou a ideologia da LBV para que elas se tornassem “pessoas da paz” e que não “arrumassem conflitos” com outras pessoas.
“Nós estamos aqui para unir força para que eles nos auxilie nas nossas caminhadas. E nós costumamos vir há 37 anos para nos energizarmos e receber essa conexão de pessoas de todos os lugares e vamos congregar esse sentimento”, destaca Andrea Duarte. “Aqui, a gente renova a nossa alma e voltamos para nossa casa para enfrentar todos os desafios e também ajudar as pessoas que necessitam enfrentar os desafios e por isso, agradecemos por estar aqui”, conclui Rogéria Maia Ribeiro.
*Estagiário sob a supervisão de Patrick Selvatti
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press









