Integrantes da oposição no Senado avaliam que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem atuado para favorecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, de quebra, construir as condições políticas para permanecer no comando da Casa Alta em 2027. Na avaliação desses parlamentares, o senador passou a priorizar propostas de apelo popular que podem beneficiar eleitoralmente o petista na reta final do segundo turno.
Entre as iniciativas apontadas pelos oposicionistas estão o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação do teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), além da retirada da PEC da Segurança do debate no plenário da Casa Alta.
As duas pautas são tratadas por esse grupo como parte de um “pacote de bondades” de Alcolumbre, que, segundo os adversários, busca oferecer ao governo entregas de impacto político e social às vésperas da eleição presidencial.
Nas hostes bolsonaristas, a leitura é de que o presidente do Senado tenta transformar a agenda legislativa em um instrumento de negociação política. Ao contribuir para o avanço de medidas com repercussão entre trabalhadores e pequenos empreendedores, Alcolumbre, na avaliação da oposição, fortaleceria sua interlocução com o Palácio do Planalto e ampliaria as possibilidades de apoio a uma nova candidatura à Presidência da Casa.
A estratégia atribuída ao senador também considera a composição do Congresso que tomará posse em fevereiro de 2027. Parlamentares oposicionistas acreditam que uma eventual vitória de Lula poderia facilitar a formação de uma maioria favorável à permanência de Alcolumbre no posto, em meio às articulações que já movimentam os bastidores do Legislativo.
Aliados do presidente da Casa disseram ao Correio que a narrativa criada pelo grupo oposicionista não passa de “oportunismo”, uma vez que, nas palavras de um interlocutor, “é o desejo do povo brasileiro e o presidente [Alcolumbre] havia dito que trabalharia a pauta depois do primeiro turno das eleições”.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado









