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Saúde lidera prioridades dos eleitores para o próximo governo do DF

A saúde está no topo das maiores preocupações da população do Distrito Federal,...

A saúde está no topo das maiores preocupações da população do Distrito Federal, de acordo com a pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política. A última rodada do levantamento mostra que a saúde está em primeiro lugar na lista de prioridades listadas pelos eleitores para o próximo governador ou governadora do DF. Além disso, a pesquisa traz uma lista dos problemas que mais afetam as famílias. O tema saúde ficou em primeiro lugar na questão das prioridades e em segundo entre os temas que mais prejudicam as famílias.

Registrada na Justiça Eleitoral com o número DF-08851/2026, a pesquisa entrevistou 1.006 pessoas de forma presencial em 31 regiões administrativas. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

De acordo com o levantamento, realizado de forma estimulada, 77,4% dos entrevistados acreditam que a saúde deve ser a primeira prioridade que o próximo governador ou governadora precisa enfrentar. Um total de 47,6% citou a segurança pública como prioridade, enquanto 39,1% mencionou a educação básica. Na pesquisa, 19,3% das pessoas ouvidas citam o combate à corrupção como mais importante e 18,2% considera emprego e renda como item prioritário para o próximo governante. 17,2% acham que o custo de vida deve ser tratado com prioridade; 16,1% citaram transporte público e mobilidade urbana; 8,1% mencionaram habitação e moradia popular; 7,4% ressaltaram a importância da qualidade na gestão e nos serviços públicos; 6,9% destacaram infraestrutura urbana; 6,8% citaram assistência social e redução das desigualdades e 6,4% mencionaram creches e educação infantil. 

Quanto aos principais problemas que afetam as famílias, 28% mencionaram ser o preço dos alimentos/custo de vida; 21,7% destacaram a saúde; 12,8% segurança/violência; 9,3% dívidas e contas atrasadas; 5,6% renda baixa/salário que não dá; 4,7% desemprego/falta de trabalho; 3,1% moradia/aluguel; 2,3% educação e 1,6% transporte.

Reflexos

“A pesquisa traz questões muito concretas, que afetam a vida das famílias todos os dias. O próximo governo precisará olhar para essas demandas de maneira integrada, porque elas também estão relacionadas. Uma família que precisa gastar muito com transporte, que não consegue atendimento na rede pública de saúde ou que não tem acesso a uma creche, por exemplo, acaba comprometendo uma parte maior da sua renda para conseguir suprir necessidades básicas”, analisa a cientista política pela Universidade de Brasília (UnB), Teresa Starling.

A especialista avalia que há muito o que se fazer em âmbito distrital para suprir os gargalos apontados pela pesquisa. “Investir em transporte público, melhorar a qualidade e o acesso aos serviços de saúde, ampliar a oferta de creches, fortalecer os programas de segurança alimentar e facilitar o acesso ao mercado de trabalho são medidas que podem melhorar diretamente as condições de vida da população”, elenca Teresa. “É importante lembrar que o Distrito Federal é uma região profundamente desigual. As dificuldades enfrentadas por uma família que mora no Plano Piloto são muito diferentes das de uma família que mora na periferia, que precisa atravessar a cidade para trabalhar e que depende integralmente dos serviços públicos”, acrescenta.

PRIORIDADES DO PRÓXIMO GOVERNO
PRIORIDADES DO PRÓXIMO GOVERNO(foto: Valdo Virgo)

“Por isso, o próximo governo precisa pensar suas políticas a partir dessas desigualdades, direcionando os investimentos públicos para os territórios e as populações que mais precisam. Porque, mesmo quando o governo não consegue resolver determinado problema econômico, ele pode construir políticas que diminuam seus efeitos sobre a população”, completa Teresa.

Coordenador de análise política estadual da BMJ Consultoria e cientista político, Ariel Calmon destaca que a saúde necessita de atenção especial. “Há um consenso nos estudos sobre saúde pública de que os governos precisam fortalecer a atenção básica para que a UBS resolva o que hoje vai parar na emergência. Junto com isso, contratar especialistas nas áreas em que o próprio GDF mediu o deficit e tornar a fila pública para que o paciente saiba em que posição está, quanto tempo deve esperar e por que critério alguém passa na frente. A estratégia de mutirão de cirurgias eletivas, adotada pelo GDF, atende quem estava na fila, mas todo mês entram novos pacientes e a fila voltará a crescer se a rede de saúde não ganhar capacidade permanente de prevenção e atenção constante”, ressalta.

Cientista político e professor do Ibmec Brasília, Leandro Gabiati observa que as prioridades do cidadão seguem sendo questões essenciais. “O eleitor certamente espera que o próximo governo consiga melhorar a qualidade dos serviços e ampliar o acesso a eles. Moradia, infraestrutura urbana e oportunidades de lazer também são importantes, especialmente nas regiões mais vulneráveis e menos desenvolvidas do DF”, diz o especialista. “É importante destacar que não existem eleitorados separados, mas cidadãos que compartilham preocupações semelhantes, mas enfrentam realidades diferentes. Para quem tem menor renda, a precariedade dos serviços públicos costuma ter consequências mais graves, pois não tem acesso às  alternativas privadas”, acrescenta.

“O cidadão percebe a atuação do governo quando consegue marcar uma consulta, obter uma vaga na creche, ter transporte público de qualidade ou circular com segurança pelo seu bairro. São experiências que influenciam diretamente sua percepção sobre a qualidade da gestão. Nesse contexto, não basta anunciar investimentos ou apresentar números positivos. O desafio político é transformar recursos públicos em melhorias efetivamente percebidas pela população.

Em relação aos grandes projetos e obras prometidos pelos candidatos, eles serão relevantes para o eleitor se fizerem parte das soluções para os problemas do dia a dia”, comenta Leandro. “O desafio será conciliar as expectativas do cidadão com os recursos orçamentários limitados e as dificuldades de execução. O próximo governador terá que estabelecer prioridades, planejar investimentos e garantir capacidade administrativa para transformar políticas em realidade”, destaca.

Confira o que o povo fala:

Pedro Florentino de Alencar Cunha, 23 anos, estudante de direito da UnB, mora no Guará:

“Penso que a educação no DF poderia melhorar a estruturação da carreira dos professores, na questão salarial e para os concursados também, pois a educação começa a melhorar quando você valoriza o profissional da educação. Além disso, acho que a segurança dentro da sala de aula também é importante, em conjunto com equipamentos ou computadores, trazendo mais oportunidades para os alunos.”

Isabela Cristina Santos Barbosa, 22 anos, estagiária em comunicação, mora em Sobradinho:
“Eu gostaria que fossem abertos mais concursos públicos voltados para os cidadãos daqui do Distrito Federal e mais oportunidades de jovem aprendiz, assistentes e estágios ofertados pelo governo. Eu acredito que quanto mais oportunidades de se profissionalizar, é possível ter mais emprego para todos.”

Gabriel Fernandes Feitosa, 22 anos, estagiário em órgão público, mora no Itapoã:
“Eu gostaria que a segurança pública fosse melhorada em regiões periféricas, que são mais afastadas do centro. Acho que para isso poderiam fazer mais fiscalizações, mais segurança nessas áreas, ruas com uma iluminação melhor, para não ter insegurança.”

Francisca Medeiros, 50 anos, secretária, mora em Ceilândia:
“Eu acho que a saúde no DF poderia melhorar com a contratação de mais profissionais da saúde, que atuassem com eficiência, pois saem dos hospitais e vão fazer suas consultas particulares. Se eles permanecessem com os poucos que trabalham, seria bem melhor.”

Victor Viana, 20 anos, estagiário do Conselho Nacional de Justiça, mora em Taguatinga Norte:
“Sinto muita falta de lazer e cultura aqui em Brasília, é muito preto no branco, uma cidade sem cor. Acho importante o governo investir mais em espaços culturais, que já possuímos, e tornar esses espaços mais acessíveis para a população, com preços menores para que todos possam apreciar a arte.”

Maria Clara César Gonçalves de Meneses, 20 anos, estudante de enfermagem na UnB, mora na Vila Planalto:
“Eu acredito que para melhorar a saúde, a ampliação do acesso para pessoas que moram longe de hospitais é essencial, para que não tenham que percorrer longas distâncias para receber atendimento, então a criação de mais hospitais regionais. Também penso que é importante o investimento principalmente na adesão primária, como as UBS e fornecer mais materiais.”

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

Fonte Correio Braziliense
Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde-DF

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