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Farmácias ampliam serviços e passam a oferecer exames e vacinas

Vender medicamentos, testes prontos e itens de perfumaria e higiene não são as...

Vender medicamentos, testes prontos e itens de perfumaria e higiene não são as únicas atividades das drogarias e farmácias. Esses estabelecimentos podem realizar exames, incluindo os de gravidez e dengue, que ajudam a acompanhar a saúde e a identificar possíveis complicações. A ampliação das atribuições dos farmacêuticos, válida desde julho, foi o tema abordado por Anna Maly Eduardo, professora universitária e diretora-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF), no CB.Saúde — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — de ontem. Em conversa com as jornalistas Carmen Souza e Paloma Oliveto, ela explicou as mudanças estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). A seguir, os principais trechos da entrevista:

O que se pode fazer hoje nas farmácias, inclusive pensando em prevenção?

Tivemos, nos últimos anos, uma ampliação dos serviços farmacêuticos que podem ser prestados nas farmácias e drogarias. Esses serviços incluem vários exames, que a gente chama de testes rápidos, como exames de glicemia e colesterol, além de testes rápidos de gravidez e dengue. Temos a aplicação de vacinas e de medicamentos injetáveis de uma maneira geral. Vale lembrar que, quando eu falo de medicamentos injetáveis, não estou falando de medicamentos que são aplicados por via endovenosa, ou seja, diretamente na veia. Mas as triviais injeções, por exemplo, para um processo anti-inflamatório ou de contracepção, que podem ser aplicadas nas farmácias e drogarias.

Qual a novidade mais recente para o consumidor?

O consumidor pode e deve continuar acreditando nas farmácias e drogarias, na qualidade de todos os serviços prestados pelo farmacêutico, que é um profissional responsável técnico e cuja presença nas farmácias é indispensável durante todo o funcionamento desses estabelecimentos. As atualizações vêm corroborar o que o CFF e o CRF-DF sempre defendem: a ampliação dos serviços farmacêuticos para a população.

O que acontece quando o resultado do exame feito na farmácia vem alterado?

Uma vez que o farmacêutico percebe que a glicemia está alterada, acima dos valores de referência, ele vai encaminhar esse paciente para o serviço de saúde. Mas o acompanhamento do farmacêutico não termina ali, pois percebe-se que já se criou um laço de fidelidade e confiança entre o farmacêutico e o paciente. Se esse paciente for diagnosticado com diabetes, ele tende a voltar à drogaria e continuar o acompanhamento com o farmacêutico, que a gente chama de acompanhamento farmacoterapêutico, durante todo o tratamento medicamentoso dele.

Em municípios que não possuem tantas unidades de saúde, essa relação entre farmacêutico e paciente é ainda mais próxima?

Sim. No interior, é muito comum que o primeiro local que os pacientes procurem seja, de fato, a farmácia, e que busquem a figura do farmacêutico. Esse elo de confiança é firmado, e o profissional farmacêutico sabe dos seus limites legais. Uma vez que percebe que o paciente possivelmente possui uma doença crônica, como hipertensão ou diabetes, deve encaminhá-lo para atendimento médico.

Existe interação com as Unidades Básicas de Saúde (UBSs)?

Essa interação já existe, mas a gente percebe que ela precisa ser ampliada consideravelmente. O farmacêutico, cada dia mais, precisa se apropriar desse serviço clínico. Ele precisa se apropriar dessas possibilidades de entrar em contato e encaminhar o paciente, para que as redes de saúde pública e privada caminhem juntas para o bem da população.

Como é a consulta?

Vamos supor que eu tenha um paciente com uma doença crônica, que faz uso contínuo de medicamentos, como um paciente hipertenso. Então, todos os meses, a partir do momento em que esse serviço é ofertado ao paciente, ele assina um termo de permissão para que o serviço seja prestado. O farmacêutico vai acompanhar esse paciente mensalmente, não só em relação ao uso dos medicamentos, mas também para verificar se ele está tomando os remédios na quantidade, no horário e na dose correta. A aferição da pressão também será feita constantemente. Esse paciente vai ter uma ficha, e o farmacêutico vai acompanhá-lo. Assim que percebe que algo está fora do padrão considerado normal, o farmacêutico já encaminha o paciente para atendimento médico.

E em relação ao paciente idoso, há especificidades no atendimento do farmacêutico?

É um nicho que vem crescendo muito no país, não só para os farmacêuticos, mas também para os demais profissionais de saúde, porque a gente percebe um aumento da expectativa de vida e uma queda da natalidade no Brasil nos últimos anos. Trabalhar e atender pacientes idosos é maravilhoso porque eles chegam não só cheios de histórias, mas também cheios de dúvidas. Quando um paciente idoso se sente acolhido e recebe um atendimento humanizado na drogaria, aquela vai ser a drogaria do coração dele. Ele sempre vai voltar, nem que seja para bater um papo.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press

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