No mundo corporativo de 2026, a “demissão humanizada” deixou de ser um conceito abstrato de RH para se tornar um imperativo de negócio.
No entanto, os dados da pesquisa Como as demissões impactam a cultura organizacional, realizada pela INTOO em parceria com a Workplace Intelligence, acendem um alerta vermelho para o mercado brasileiro: 6 em cada 10 trabalhadores afirmam que seus líderes não demonstram empatia no momento do desligamento.
O impacto não é apenas emocional, é sistêmico. O estudo, que ouviu 2.200 pessoas em cinco países, mostra que o Brasil é particularmente sensível à condução ética dos cortes. Enquanto globalmente 33% dos colaboradores perdem a confiança na empresa após demissões, no Brasil esse índice salta para 40%.
O RH sob pressão: o suporte que não chega
O levantamento aponta uma lacuna crítica no papel estratégico do RH. Cerca de 42% dos brasileiros sentem que não recebem o apoio adequado durante a transição, superando a média mundial (38%).
Para Candice Gentil Fernandes, business manager da INTOO no Brasil, o problema muitas vezes reside na falha de comunicação sobre benefícios e serviços disponíveis.
“Conduzir desligamentos sem cuidado pode comprometer a relação de longo prazo com os talentos e afetar a estabilidade organizacional”, alerta a executiva.
Brasil lidera em Outplacement, mas falha no acesso
Um dado curioso revela uma maturidade precoce do mercado nacional em relação a benefícios de transição:
Mundo: Apenas 33% das empresas incluem programas de recolocação (outplacement) nos pacotes.
Brasil: O índice chega a 48%.
Apesar da oferta ser maior, apenas 18% dos empregados globalmente sabem que têm acesso a esse suporte. No Brasil, o desafio para 2026 é transformar o benefício em uma ferramenta de comunicação ativa, garantindo que o profissional em transição saiba que a empresa está investindo no seu futuro.
A pesquisa traz um dado vital para a gestão de marca: 1 em cada 4 jovens da Geração Z afirma que faria críticas públicas à empresa nas redes sociais caso se sentisse maltratado em uma demissão.
Com a viralização de vídeos de desligamentos em tempo real, a falta de transparência — que atinge 60% no Brasil — torna-se um risco jurídico e de imagem sem precedentes.
Por Revista Plano B
Fonte Exame
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