Com uma narrativa silenciosa e profundamente sensorial, o filme “Sonhos de Trem”, aposta da plataforma de streaming Netflix para a temporada de premiações, aposta na força das imagens para conduzir o espectador por temas como luto, pertencimento, relações familiares e a conexão entre o ser humano e a natureza.
Em entrevista à CNN, o brasileiro por trás da fotografia do filme, Adolpho Veloso, revelou as inspirações que moldaram o olhar contemplativo da obra.
Por trás da construção visual de “Sonhos de Trem”
Adolpho Veloso contou que usou como principal referência fotografias antigas, a fim de retratar a história como uma memória.
“Tinha esse sentimento de memórias ao ler a história, como se você estivesse vendo a vida dessa pessoa através de lembranças que nem sempre foram exatamente como aconteceram. A ideia era como se você encontrasse fotos soltas, fora de ordem, da vida de alguém, e tentasse entender quem foi essa pessoa. Por isso, o aspecto fotográfico era muito forte. A gente decidiu filmar numa janela mais fotográfica, em vez de uma janela mais cinematográfica, para remeter a isso”, contou o diretor de fotografia.
“Falamos muito sobre a fotógrafa Dorothea Lange, especialmente as fotos que ela fez durante a Grande Depressão nos Estados Unidos. Elas capturam beleza em meio à devastação e mostram não só os personagens, mas o ambiente ao redor, que ajuda a entender o que eles estão vivendo. Isso era muito importante para o filme”, complementou Veloso.
Referências cinematográficas também tiveram seu lugar. O profissional destacou o trabalho de Andrei Arsênievitch Tarkóvski, cineasta ruso, especialmente nas obras “O Espelho” (1975), “Stalker” (1979) e “O Sacrifício” (1986).
“Tem referências óbvias, como o fogo, casas pegando fogo, mas também a maneira de contar a história. Tanto eu, quanto o Clint [Bentley] gostamos muito do trabalho dele.”
Adolpho Veloso também disse que percebeu que, apesar do contexto histórico e geográfico específico, a trama dialoga diretamente com questões muito atuais.
“Quando eu li o roteiro, me conectei muito com a história. Apesar de ser sobre um americano que viveu no começo do século passado, é uma história muito contemporânea, com temas como luto, imigração, questões ambientais, relações familiares, pessoas que precisam estar fora por causa do trabalho.”
Tal proximidade com os dilemas apresentados no filme guiou as escolhas visuais do diretor, que buscou uma abordagem que não criasse barreiras entre o público e os personagens. “Eu me identifiquei muito e imaginei que qualquer pessoa no mundo poderia se identificar. Meu objetivo com a fotografia foi remover o máximo possível de obstáculos para que o público se conectasse diretamente com os personagens e com esses sentimentos.”
Por Revista Plano B
Fonte CNN Brasil
Foto: Divulgação







