Palmeiras e Flamengo são os protagonistas da final da Libertadores, neste sábado (29/11), às 18h, no Estádio Monumental, em Lima, no Peru. Está em jogo o status de primeiro clube brasileiro tetracampeão continental. A decisão carrega consigo milhões de corações apaixonados e apreensivos. Esperança de pintar novamente a América do Sul de alviverde ou de rubro-negro. De ver o filho comemorar pela primeira vez uma conquista continental.
Para os torcedores, o jogo simboliza um laço afetivo capaz de unir gerações. Em 2025, o palmeirense Selassie Neto e o flamenguista Anderson Henrique, ambos de 31 anos, apresentarão aos filhos Lucca das Virgens e Arthur Gabriel, respectivamente, a sensação de testemunhar uma final de Libertadores.
Nascidas em 2021, as crianças atingem neste ano a faixa etária na qual as memórias duradourasse tornam mais claras e podem ficar registradas. Aos quatro anos, o palmeirense e o rubro-negro mirins sentirão as sensações da Glória Eterna. Conhecerão o significado de torcer. Morador de Águas Claras, Selassie abriu o coração ao Palmeiras aos quatro anos. Influência do tio Anderson Mello.
Selassie é de 1994, ano do octa brasileiro na Era Parmalat. Em 1999, aos nove anos, emocionou-se com a conquista da primeira Libertadores do clube. No ano seguinte, o Palestra Itália havia sido proclamado pela Federação Paulista de Futebol e por jornais e revistas do Brasil “Campeão do Século 20 do futebol brasileiro”. Duas décadas depois, o tão sonhado bicampeonato. “Aquele gol inesquecível do Breno Lopes no finalzinho contra o Santos”, revive. Ele conta que Lucca comemorou na barriga da mãe, Alessandra Mateucci.
“Em 2021, foi ainda mais especial. O Lucca estava em meus braços vivendo o primeiro título da Libertadores”, lembra. O pequeno se declara palmeirense nato. Conhece todos os jogadores do elenco. Dorme e acorda jogando futebol. Segundo o pai, canta o hino como gente grande. “Se ganharmos neste ano, será ainda mais histórico e inesquecível. Fizemos uma virada inédita na semifinal contra a LDU. Eu estava no Allianz naquela noite mágica da vitória por 4 x 0. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida como torcedor. Depois de tudo isso, acredito de coração que merecemos ser coroados com esse título. Mais um título que vamos comemorar juntos. Eu, meus filhos e toda a família”, profetiza Selassie.
Legado
Anderson Henrique herdou do pai, Edivaldo Carvalho, a paixão pelo Flamengo. Instruído nos caminhos rubro-negros, não houve um momento em que o time do coração não estivesse presente. Assim como para todos os flamenguistas, o ano de 2019 foi algo mágico. À época, Anderson não era pai e afirmou sentir a maior emoção e felicidade da vida em 23 de novembro daquele ano. Entretanto, o pódio de melhores dias mudaria dois anos depois com a descoberta da gravidez do filho.
Com o bebê ainda na barriga, combinou com a esposa, Orlandina Ricardo, que escolheria o nome da criança, caso fosse menino; e a mãe, se viesse menina. O exame cravou um garoto a caminho. Diante de um novo momento mágico do Flamengo, Anderson teve dificuldade de escolher entre tantos craques qual homenagearia. “Todo mundo jogando bem, prestar uma homenagem a uma segunda pessoa seria difícil, porque a primeira é o Zico. Escolhi Arthur para homenageá-lo. Não tinha como não ser. Então, procurei encaixar um sobrenome para que ficasse legal e escolhi Gabriel, que decidiu duas Libertadores para nós”, conta.
Diferentemente do palmeirense Selassie, em 2021 o sentimento foi de frustração para Anderson. O morador da Ceilândia compara a trajetória atual com a daquele ano. “Tudo fazia crer que seríamos campeões, mas futebol é isso”, respeita. Naquele momento, a tristeza tomou conta não somente do rubro-negro, mas de uma torcida com mais de 40 milhões de corações magoados. Quatro anos depois, o torcedor de 31 anos acredita no título. “Tivemos que seguir e quis o destino que acontecesse uma revanche. Que nós possamos sair vitoriosos de lá. Sair campeões”, anima-se.
“Minha vida é isso aí, se resume ao Flamengo. Se o Flamengo joga no domingo e ganhar, a semana é excelente. Se perder, já não é legal. Não tem quem faça ficar legal. É o que o meu pai passou para mim e o que eu quero passar para o Arthur”, emociona-se.
*Estagiária sob supervisão de Marcos Paulo Lima
Fonte Correio Braziliense
Foto: Guilherme Felix/CB/D.A Press







