Tão perto, tão longe. O piloto Enzo Weisheimer Elias nasceu em 8 de fevereiro de 2002. Tem 23 anos. Em 12 deles, o Autódromo Internacional Nelson Piquet esteve fechado. Terceiro colocado na classificação da temporada da Stock Car com 618 pontos ao lado de Gabriel Casagrande, ambos atrás de Caetano Di Mauro (722) e do líder Felipe Fraga (790), o brasiliense, finalmente, realizará no domingo o sonho de guiar o Chevrolet da Scuderia Bandeiras no asfalto do DF em um competição oficial. O circuito foi oficialmente reaberto oficialmente ontem.
O autódromo fica no “quintal” da casa de Enzo Elias. Morador do Setor Noroeste, ele é um dos representantes da capital na temporada. “Tem um frio na barriga, uma emoção a mais, eu diria. Um tempero a mais. E é claro que ter todo mundo próximo de mim vai ser um momento muito marcante”, admite em entrevista ao Correio Braziliense no palco da prova.
“É algo que eu também sempre quis a minha vida inteira. Neste fim de semana, nós vamos poder ter a oportunidade de concretizar mais um sonho, mais uma realização e ter todo mundo próximo. Para mim é só uma alegria. Eu não carrego isso como uma pressão nem como um peso. É uma alegria poder ter todo mundo que me ajudou, me viu nos momentos bons e ruins estando comigo em momento como esse”, comemora o piloto.
Mesmo fora do calendário da Stock Car nos últimos anos, o DF segue formando e colocando talentos na vitrine do automobilismo. Enzo Elias e Lucas Foresti representam a cidade na principal categoria nacional. Na última etapa, em Cuiabá, Enzo disputou uma corrida noturna pela primeira vez e foi coroado com o salto do quinto para o terceiro lugar na classificação geral. Neste fim de semana, estreará em casa no autódromo à caça dos líderes com o apoio da família e dos amigos.
O automobilismo entrou na vida de Enzo Elias de maneira lúdica. Em meio a uma brincadeira com a família, aventurou-se no Kart Indoor. Acompanhado pelo pai Anuar Elias, começou a fazer aulas. Aos poucos, foi se inserindo no meio até disputar a primeira prova regional, no Guará. Com o tempo, alcançou a corrida nacional, em Belo Horizonte. Enzo foi respeitando as etapas, os processos, e subindo degraus no kartismo.
Em 2014, ano em que Enzo iniciou a carreira aos 11 anos, o Autódromo Internacional de Brasília fechou. O piloto cresceu competiu em circuitos do país inteiro à espera da realização do sonho de largar em casa, mas o Distrito Federal havia saído do mapa.
A grande reforma estrutural do autódromo faz parte de um projeto dividido em três partes, que estima investimentos de R$ 100 milhões de reais. Só nesta primeira etapa, foram investidos R$ 60 milhões incluindo o novo pavimento, intervenções de drenagem e terraplenagem, modernização completa da pista e áreas de segurança.
Mesmo de longe, o brasiliense acompanhou as obras. “Eu vi o autódromo renascer, é do lado de casa. Eles fizeram um trabalho fantástico. Fizeram um trabalho imensurável, e o autódromo está lindo. Tenho certeza de que dentro do carro vai ser muito divertido”, diz.
Enzo não pretende usar o fator casa como carta na manga. “Eu acho que é um momento especial que eu vou carregar, mas eu também estou tentando não usar isso como nada a mais para não gerar nenhum tipo de pressão extra. E a reta final do campeonato é um momento importante. Eu acho que isso tudo converge para ser um fim de semana difícil, muito técnico, e que a gente não pode errar. Vamos tentar ter a cabeça fria nos momentos decisivos, e eu vou tentar extrair o máximo de número de pontos possíveis”, concluiu.
*Estagiária sob a supervisão de Marcos Paulo Lima
Por Revista Plano B
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press







