O nervosismo diante do recrutador é apontado por 41,26% dos brasileiros como uma das principais dificuldades em um processo seletivo, segundo levantamento da Nube.
O dado ajuda a explicar por que tantos candidatos, mesmo qualificados, perdem oportunidades logo nas primeiras etapas, sem entender exatamente onde erraram.
Para Vitória Alves, analista de Pessoas e Cultura da plataforma de recrutamento Refuturiza, o problema raramente é falta de competência técnica.
É a forma como o candidato se comunica sob pressão. “Respostas muito genéricas, falta de exemplos práticos das experiências vividas e pouca clareza ao comunicar resultados e aprendizados acabam prejudicando o desempenho na entrevista”, diz.
O erro nº1 não é o nervosismo, é fingir
Segundo Vitória, o problema central não é a ansiedade em si, mas a tentativa de adivinhar o que o recrutador quer ouvir. “Alguns candidatos tentam responder aquilo que acreditam que o entrevistador deseja ouvir, mas acabam apresentando informações que não sustentam ao longo da conversa ou em etapas posteriores”, explica.
A recomendação é contraintuitiva para quem está ansioso por causar boa impressão: contar o que de fato aconteceu, mesmo que a resposta pareça menos impressionante. “Quando o candidato fala sobre experiências reais, suas respostas são naturais, coerentes e passam muito mais credibilidade”, diz a especialista.
Não pesquisar sobre a empresa antes da conversa é outro deslize recorrente. “Vejo candidatos que se inscrevem em vagas sem analisar se têm aderência ao perfil, o que gera frustração para ambas as partes”, afirma Vitória.
Doze hábitos que colocam a vaga em risco
Com base na experiência de recrutamento da Refuturiza, Vitória lista comportamentos que costumam pesar contra o candidato:
Falta de entusiasmo ou disposição visível pela vaga
Fazer perguntas precipitadas ou interrogar o entrevistador
Excesso de simpatia ou exagero emocional
Forçar intimidade com quem conduz a entrevista
Demonstrar arrogância ou resistência a críticas
Omitir informações ou se contradizer
Respostas longas, evasivas ou pouco objetivas
Falta de coerência ao se expressar
Falar sobre conflitos com colegas anteriores
Criticar empregos ou chefes do passado
Ser grosseiro com o recrutador
Não demonstrar gratidão pela oportunidade da entrevista
Nos testes comportamentais, não existe resposta certa
A mesma lógica vale para os testes comportamentais, que costumam gerar ainda mais ansiedade porque o candidato acredita haver um “perfil ideal” a ser alcançado. Não existe, segundo Vitória. “Os recrutadores buscam o perfil mais alinhado às atividades da função, à cultura da empresa e à equipe”, resume.
Tentar acertar o teste, arriscando respostas que não refletem o comportamento real, tende a produzir o efeito contrário: inconsistências que comprometem a avaliação. “Quando o candidato dá respostas que refletem seu perfil real, ele facilita uma avaliação mais assertiva e aumenta as chances de encontrar uma oportunidade em que realmente tenha sucesso”, diz.
Preparação prática também conta
Para entrevistas online, Vitória recomenda escolher um ambiente tranquilo e bem iluminado, além de testar áudio, vídeo e conexão com antecedência.
A recomendação vale tanto para a postura quanto para os detalhes práticos: “Durante a conversa, seja online ou presencial, ouça com atenção, responda com calma e seja sincero. A entrevista é uma troca: a empresa está conhecendo você, e você também está avaliando se aquela oportunidade faz sentido para a sua carreira”, aconselha.
No fim, a entrevista deixa de ser um teste a ser vencido e passa a ser uma conversa a ser conduzida.
Fonte Exame
Foto: Exame








