A inteligência artificial está acelerando tarefas e ampliando o acesso a informações, mas também está mudando o que se espera de quem lidera. Em vez de ser apenas a pessoa que tem respostas, o líder passa a precisar interpretar contextos, adaptar decisões e fazer perguntas que ajudem o grupo a encontrar caminhos melhores.
Essas competências podem começar a ser desenvolvidas ainda na universidade.
Essas são três habilidades de liderança especialmente relevantes em um ambiente de trabalho marcado por IA, incerteza e mudanças frequentes. As informações foram retiradas da Inc.
- Aprenda a perceber o que está acontecendo além das tarefas
Uma equipe pode cumprir prazos e, ainda assim, estar enfrentando um problema. Há situações em que algumas pessoas deixam de contribuir, uma tensão permanece sem ser discutida ou todos parecem concordar apenas para encerrar a conversa.
Essa capacidade de perceber a dinâmica emocional coletiva é chamada de abertura emocional. O conceito, desenvolvido pelo pesquisador Jeffrey Sanchez-Burks, da Ross School of Business da Universidade de Michigan, está relacionado à habilidade de identificar padrões emocionais de um grupo — e não somente aquilo que uma pessoa demonstra individualmente.
Na prática, isso exige prestar atenção ao trabalho e também à maneira como as pessoas estão vivendo aquele trabalho.
Essa capacidade também interessa ao mercado. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, mostra que empatia e escuta ativa são consideradas competências centrais por 50% dos empregadores pesquisados. Liderança e influência social aparecem em terceiro lugar entre as habilidades essenciais, citadas por 61%.
- Adapte sua liderança à pessoa e ao momento
Não existe uma única maneira eficiente de conduzir todas as pessoas. Alguém que já domina determinada tarefa pode precisar principalmente de autonomia.
Outra pessoa, enfrentando aquela responsabilidade pela primeira vez, talvez necessite de orientação mais próxima, feedback e acompanhamento.
Essa capacidade é relacionada à liderança situacional: ajustar direção, apoio, autonomia e comunicação conforme a pessoa, a tarefa e o momento.
Na faculdade, essa diferença aparece constantemente. Um estudante experiente em organização de eventos talvez consiga tocar sozinho a negociação com fornecedores. Para alguém participando pela primeira vez, simplesmente entregar a responsabilidade e desaparecer pode gerar insegurança e erros evitáveis.
Uma pergunta resume esse raciocínio: o que essa pessoa precisa de mim agora — direção, orientação, apoio ou espaço?
- Fique confortável em não ter todas as respostas
A pressão costuma produzir um comportamento conhecido: diante da incerteza, as pessoas recorrem às respostas que já conhecem.
Para quem lidera, isso pode significar insistir em uma solução antiga apenas porque ela oferece sensação de segurança.
A terceira habilidade é justamente a capacidade de permanecer aberto quando existem informações incompletas ou ideias concorrentes. Em vez de defender imediatamente a primeira interpretação, o líder procura entender o que ainda está faltando.
Isso ganha importância na era da inteligência artificial. Ferramentas generativas conseguem entregar respostas em segundos. Ter acesso a uma resposta, porém, não significa saber se ela é adequada.
Perguntas como “o que estou deixando passar?”, “qual perspectiva ainda não ouvimos?” e “qual premissa estamos assumindo?” ajudam líderes a fugir de conclusões automáticas e enxergar alternativas.
A curiosidade também aparece entre as competências em ascensão no mercado. O Fórum Econômico Mundial coloca curiosidade e aprendizagem contínua entre as habilidades que devem ganhar importância até 2030, ao lado de pensamento criativo, resiliência e liderança.
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Foto: gorodenkoff /Getty Images









