A permanência do subprocurador-geral José Adonis Callou de Araújo Sá no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) como representante do procurador-geral da República não é dada como certa após seu voto favorável à abertura de uma investigação contra Paulo Gonet.
Adonis foi um dos quatro subprocuradores que defenderam, na sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, o avanço da apuração sobre as relações entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“A análise das mensagens pode até levar à conclusão de que não é possível inferir o envolvimento de Gonet nas tramas de Vorcaro. Inclusive, acho que as mensagens são fracas. Mas a questão é que esse juízo não pode ser feito pelo próprio PGR. Ele não pode pedir a nulidade de um relatório no qual ele próprio é mencionado”, disse em seu voto.
O subprocurador foi designado pelo próprio procurador-geral para atuar em nome da PGR (Procuradoria-Geral da República) no CNJ desde o início da gestão de Gonet, em 2024.
A avaliação na cúpula da instituição é a de que a continuidade do subprocurador não está garantida após o voto contra Gonet. O voto de Adonis surpreendeu e decepcionou algumas dessas fontes, que acreditam não haver clima para a permanência dele no colegiado representando Gonet.
Não está claro, no entanto, se uma eventual saída de Adonis da função partirá dele próprio ou caberá ao procurador-geral da República. O subprocurador sinalizou a interlocutores que deve refletir nos próximos dias antes de tomar uma decisão.
Adonis integra o MPF há três décadas. Neste período, entre outras funções, foi secretário-geral do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), conselheiro do CNJ e coordenador da Lava Jato na PGR. O subprocurador deixou a função em janeiro de 2020 após desentendimentos com o então procurador-geral Augusto Aras.
Além de representar Gonet no CNJ, Adonis é o coordenador do Grupo Nacional de Apoio ao Enfrentamento ao Crime Organizado do MPF. O subprocurador foi indicado ao posto por Gonet no ano passado e aprovado pelo Conselho Superior do MPF.
Em março deste ano, Adonis foi reconduzido por decisão do colegiado e vai permanecer mais um ano à frente do Gaeco Nacional. O subprocurador ficará na função até abril de 2027.
Fonte CNN Brasil
Foto: CNN









