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Quanto vale sua empresa? O erro mais comum de donos ao calcular isso sozinhos

Toda empresa tem um valor de mercado. Poucos donos sabem qual é, e...

Toda empresa tem um valor de mercado. Poucos donos sabem qual é, e quase nenhum sabe por quê.

A maioria dos empresários brasileiros só calcula o valuation do próprio negócio uma vez, geralmente na véspera de uma venda, de uma captação ou de uma sucessão. O número entra na planilha, resolve a urgência do momento e depois vai para a gaveta. 

O problema é que o valor de mercado de uma empresa reflete sua capacidade de gerar caixa no futuro, e essa capacidade muda a cada trimestre.

O erro que começa na conta errada
O erro mais recorrente entre donos que calculam o valuation sozinhos é usar o lucro contábil no lugar do EBITDA ajustado. O lucro que aparece no demonstrativo de resultado carrega distorções acumuladas ao longo dos anos: pró-labore fixado abaixo do valor de mercado, despesas pessoais lançadas como custo da empresa, depreciação acelerada para reduzir imposto. 

Nenhuma dessas escolhas é errada do ponto de vista fiscal. Todas distorcem o valuation.

Qualquer comprador ou investidor experiente vai refazer esse ajuste antes de sentar à mesa de negociação. Quem chega com o número não revisado perde a régua da própria negociação antes mesmo de abrir a conversa.

Múltiplo baixo pode não ser sobre desempenho
Um segundo erro comum aparece na leitura do resultado, não no cálculo em si. Interpretar corretamente o número costuma ser mais difícil do que calculá-lo, e um múltiplo abaixo da média do setor pode não significar operação fraca. 

Pode indicar concentração de receita em poucos clientes, dependência do fundador nas decisões do dia a dia ou ausência de processos documentados. São pontos que não aparecem no relatório mensal, mas aparecem no valuation.

Uma empresa com 60% do faturamento vindo de um único cliente carrega um desconto estrutural no valor, independentemente da margem que apresenta, e esse desconto pode chegar a 30% ou 50% em transações reais. É o tipo de fragilidade que só fica visível quando alguém tenta colocar um preço na empresa, e não apenas medir seu lucro.

O método errado distorce o resultado inteiro
Existe ainda um terceiro erro, anterior aos dois primeiros: escolher o método de avaliação sem entender para que tipo de negócio ele serve. Métodos de valuation diferentes têm limitações distintas e servem a situações específicas, o fluxo de caixa descontado funciona melhor para empresas com geração de caixa previsível, enquanto o método patrimonial serve melhor a negócios com ativos tangíveis relevantes. 

Para empresas de serviços ou tecnologia, calcular pelo valor patrimonial tende a subestimar fortemente o resultado, porque o valor real está nos intangíveis, não no imobilizado.

O risco não é apenas técnico. Tratar valuation como se fosse uma ciência exata, com uma única resposta certa, é um dos equívocos mais persistentes entre empresários, e leva tanto à subestimação quanto à superestimação do valor real do negócio.

Um número que deveria ser monitorado, não calculado uma vez
Executivos que acompanham o valuation como um indicador de gestão, e não como um exercício pontual, tomam decisões diferentes ao longo do ano. A leitura recorrente do número muda a forma como o dono reage à perda de um cliente estratégico, à contratação de um gestor abaixo da expectativa ou à abertura de um novo canal de vendas. 

Cada um desses eventos move o valor da empresa, ainda que nenhuma planilha seja atualizada no mesmo dia. A régua de decisão, nesse caso, deixa de ser puramente instintiva e passa a ter um número atualizado por trás.

Quando o dono decide, mas não é ele quem calcula
Nenhum desses erros costuma aparecer quando a empresa contrata quem vive de captação, M&A e valuation todos os dias. A questão não é terceirizar a conta em si, e sim entender o suficiente sobre ela para participar da negociação com autoridade, questionar premissas e reconhecer quando um múltiplo está sendo usado a favor do outro lado da mesa.

Esse é justamente o tipo de leitura que separa quem sofre o resultado de uma negociação de quem a conduz.

A nova régua da alta liderança
Diretores, heads, donos de empresa, C-levels e conselheiros estão sendo cobrados por uma competência que antes parecia restrita à área financeira: a capacidade de sustentar decisões estratégicas com lógica de capital.

Um diretor de marketing precisa defender investimento com argumentos de retorno. Um executivo de tecnologia precisa conectar inovação a eficiência financeira. Um dono de empresa precisa entender captação, estrutura societária e valuation. Um C-level que mira conselho precisa participar de discussões sobre governança financeira sem recuar quando a pauta entra em números.

O ponto não é transformar executivos em financistas, mas impedir que líderes experientes percam espaço justamente nas decisões que mais importam.

Fonte exame
Foto: Getty/Getty Images

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