O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado, ontem, no hospital DF Star, em Brasília, para tratar um quadro grave de broncopneumonia bilateral (que afeta os dois pulmões), de provável origem aspirativa. Ele foi atendido depois de apresentar febre alta, vômitos, calafrios e queda na oxigenação do sangue. Apresentava falta de ar, com saturação de oxigênio em torno de 80%, índice bem abaixo do normal, que costuma variar entre 95% e 96%. O ex-presidente recebeu suporte de oxigênio ainda no 19º Batalhão da Polícia Militar, a Papudinha — onde está preso —, e foi transferido rapidamente, onde passou por tomografia do tórax, exames laboratoriais e avaliação clínica. O tratamento foi iniciado com dois antibióticos intravenosos e monitoramento contínuo.
Em coletiva no começo da noite de ontem, a equipe de especialistas que acompanha Bolsonaro afirmou que o estado de saúde era estável, mas ainda com risco de complicações. O ex-presidente está na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e os médicos estimam que o atendimento será prolongado.
“Foi uma pneumonia mais grave do que as duas anteriores que ele teve no ano passado, no segundo semestre. Agora, ele vai permanecer na UTI. A gente não tem prazo para alta da UTI. Ele vai ficar o tempo que for necessário para restabelecer os pulmões”, disse o cardiologista Leandro Echenique a jornalistas na coletiva no início da noite. “Na hora em que ele apresentar uma melhora, a gente dá alta da UTI para o apartamento. Mas ainda não há previsão. Vai ser um tratamento mais prolongado”, acrescentou.
Em relação à falta de ar, o ex-presidente apresentou melhora em relação ao quadro verificado quando chegou ao hospital. Bolsonaro estava estável e consciente. Os antibióticos devem ser administrados por entre sete e 14 dias, dependendo da evolução que apresentar. Ele não precisou ser intubado e não há previsão de cirurgia.
Também participaram da coletiva o chefe da equipe cirúrgica, Cláudio Birolini, e o cardiologista Brasil Caiado. Questionados sobre a possibilidade de Bolsonaro passar à prisão domiciliar — o que vem sendo negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) —, devido ao quadro de saúde, a equipe respondeu apenas que a prioridade, no momento, é manter o quadro de saúde estável. Porém, comentaram que a permanência na Papudinha dificulta a adoção de medidas preventivas.
“Nesse período que ele está lá (na prisão), várias vezes nós corrigimos alguns problemas como crises hipertensivas, distúrbios gastrointestinais, soluções incoercíveis, que não foram notificados. Mas vários episódios ele apresentou nesses últimos dois meses, que não foi necessariamente preciso internação. Ele está tendo alguns quadros recorrentes. A pressão arterial dele descontrolou várias vezes”, disse Brasil Caiado. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado, mas Moraes deixou claro várias vezes que não haverá restrição para o tratamento de saúde do ex-presidente.
Segundo Caiado, o quadro de broncopneumonia bilateral teve início por volta das 2h de ontem. Segundo os médicos, pode estar relacionado a episódios de refluxo que Bolsonaro enfrenta desde que sofreu uma facada, em Juiz de Fora (MG), na campanha presidencial de 2018. Isso facilita a broncoaspiração, quando líquidos entram no pulmão, e pode levar a infecções. Há a possibilidade de o ex-presidente ter reincidência do quadro no futuro.
Questionada por jornalistas, a equipe médica disse que não pode descartar riscos à vida de Bolsonaro devido à gravidade do quadro, mas que o atendimento inicial já reduziu as chances de complicação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o pai sentiu-se mal de madrugada e foi levado ao hospital após comunicar aos policiais responsáveis pela custódia. Segundo ele, o ex-presidente chegou consciente, mas “bastante debilitado. Ele teve febre, calafrios e vomitou bastante. Graças a Deus estava lúcido quando cheguei, mas com a voz fraca e a aparência abatida”.
O senador afirmou ainda que esta foi a internação mais grave do ex-presidente. Flávio afirmou que Bolsonaro apresentou dificuldades em um teste de equilíbrio e permanece sob efeito de medicamentos fortes.
Para o senador, o pai deve cumprir pena em regime domiciliar por razões humanitárias. “Não dá mais para tratar isso como frescura. Ele precisa de cuidados permanentes”, disse.
O ministro determinou que a Polícia Militar mantenha vigilância permanente no hospital, com ao menos dois policiais na porta do quarto e equipes responsáveis pela segurança dentro e fora da unidade. O acesso a celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos está proibido.
*Colaborou Rafaela Bonfim, estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi
Por Revista Plano B
Fonte Correio Braziliense
Foto: Valdo Vigo









