A Procuradoria-Geral da República (PGR) ratificou, nesta terça-feira (10/3), o pedido de condenação de oito acusados por envolvimento em um esquema de corrupção e organização criminosa. O grupo é acusado de desviar recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde no estado do Maranhão, exigindo um “pedágio” de 25% sobre os valores repassados aos municípios.
O julgamento ocorre na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. Entre os oito denunciados, destacam-se três deputados com foro ou trajetória política no Partido Liberal (PL):
- Josimar Cunha Rodrigues, ou Josimar Maranhãozinho (PL-MA): apontado pela PGR como líder da organização criminosa. Ele coordenava a destinação das emendas e a operacionalização da propina;
- Gildenir de Lima Sousa, ou Pastor Gil (PL-MA): atuava na pressão direta contra prefeitos para garantir o pagamento das “pendências financeiras”;
- João Bosco da Costa, ou Bosco Costa, ex-deputado federal pelo PL de Sergipe: responsável pelo envio de emendas e pela cobrança de prioridade nos pagamentos.
“Dizia ele, pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são. Infelizmente, quase um século após Mário de Andrade escrever sua frase, a realidade de descaso continua semelhante, o que demanda uma resposta firme de punição às responsáveis pela grave e contundente realidade apurada nos autos”, destacou Paulo Vasconcelos Jacobina, sub-procurador da República, representando o Ministério Público Federal. “Diante do exposto, o MPF ratifica integralmente suas alegações finais e pugna pela procedência total da denúncia para condenar Josimar Cunha Rodrigues, Gildenemir de Lima Sousa, João Batista Magalhães pelos crimes de organização criminosa, e João Bosco da Costa por corrupção passiva, sendo a posição de liderança da organização exercida pelo acusado Josimar”, disse.
De acordo com as investigações e a sustentação oral de Jacobina, o grupo exigia 25% do valor total das emendas enviadas. O esquema focou na destinação de R$ 6,67 milhões em recursos públicos para o município maranhense de São José de Ribamar. Em contrapartida, os parlamentares exigiram o retorno de R$ 1,6 milhão em propina.
Uma das emendas, no valor de R$ 4,1 milhões, foi enviada especificamente por Bosco Costa para o referido município. Segundo a PGR, a estrutura criminosa operou de forma ordenada entre 2019 e 2021.
A investigação teve início após uma notícia-crime apresentada pelo ex-prefeito de São José de Ribamar, José Eudes, que relatou estar sendo ameaçado por agiotas para devolver os valores.
Além dos políticos, o MPF pede a condenação de:
- Thalles Andrade Costa: intermediário das emendas de seu pai, Bosco Costa;
- João Batista Magalhães: responsável por monitorar a liberação das verbas no sistema federal e recrutar prefeitos;
- Antônio José Silva Rocha: organizador da abordagem inicial de cobrança ao prefeito;
- Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto: executores das investidas físicas e perseguições contra o prefeito.
- Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como “Pacovan”: agiota (já falecido) que auxiliava na cobrança física dos valores.
Por Revista Plano B
Fonte Correio Braziliense
Foto: Rosinei Coutinho / STF









