Outros posts

Pesquisa mostra que mulheres veem violência em alta no DF

A percepção sobre o avanço da violência contra as mulheres aparece de forma...

A percepção sobre o avanço da violência contra as mulheres aparece de forma expressiva entre as brasilienses. Dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), mostram que, no Distrito Federal, 79% das mulheres consideram que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou. Para 46% das entrevistadas, as mulheres não são tratadas com respeito no Brasil.

No Distrito Federal, a pesquisa entrevistou 802 mulheres com 16 anos ou mais. Desse total, 269 afirmaram ter sofrido violência em algum momento da vida e 33 disseram ter passado por uma situação de violência nos 12 meses anteriores à entrevista. Entre as mulheres que relataram agressões, 16 procuraram uma delegacia comum ou uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o equivalente a 48%.

A pesquisa mostrou a dimensão da violência psicológica e física entre as brasilienses que relataram agressões. Segundo os dados, 91% afirmaram ter sofrido violência psicológica e 82% relataram violência física. Em 51% dos casos, as mulheres disseram que, no momento da agressão, o autor estava com ciúmes. Em 48%, o agressor estava inconformado com o término ou com uma tentativa de término do relacionamento.

O companheiro ou marido aparecem como o principal agressor entre as mulheres do DF que sofreram violência. Eles foram identificados em 48% dos casos, percentual abaixo do registrado no país, de 62%. Além disso, 16% das brasilienses que sofreram algum tipo de violência afirmaram que ainda moram ou convivem com a pessoa que as agrediu.

A rua foi apontada por 53% das entrevistadas como o espaço onde se sentem menos respeitadas, enquanto 26% citaram o ambiente de trabalho.

violencia mulher df
violencia mulher df(foto: pacifico)

Apesar de a maioria reconhecer a existência do problema, ainda há dúvidas sobre a capacidade de proteção da legislação. Entre as brasilienses, 22% acreditam que a Lei Maria da Penha protege as mulheres contra a violência doméstica e familiar. Outras 55% consideram que a lei protege apenas em parte, enquanto 21% não acreditam que a legislação seja capaz de garantir essa proteção.

O conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, no entanto, é maior no Distrito Federal do que na média nacional. Segundo a pesquisa, 28% das mulheres do DF afirmaram conhecer muito a legislação, contra 21% no Brasil. A Delegacia da Mulher é o serviço de proteção mais conhecido pelas brasilienses: 98% disseram conhecer o equipamento.

A proximidade com casos de violência também é elevada. No DF, 69% das mulheres afirmaram conhecer alguém que sofreu violência doméstica ou familiar, o que evidencia a presença do problema no cotidiano da população.

Histórico

A 11ª edição do levantamento marca duas décadas de acompanhamento da violência contra a mulher no país. A primeira pesquisa foi realizada em 2005 e serviu de subsídio para a formulação da Lei Maria da Penha, sancionada no ano seguinte. Desde então, o estudo passou a incorporar novas dimensões da violência, como questões relacionadas a raça, gênero e tecnologia, além de ampliar a análise sobre a rede de proteção e os mecanismos disponíveis para as vítimas.

José Henrique Varanda, coordenador do Instituto DataSenado, afirmou que o levantamento acompanha, a cada dois anos, as mudanças na violência contra as mulheres, na legislação e na percepção da sociedade sobre o problema. “Quase 29 milhões de brasileiras — uma em cada três mulheres com 16 anos ou mais — vivenciam violência a cada 12 meses, e 87% delas não a percebem ou não a declaram como violência”, disse.

Segundo Varanda, o objetivo do levantamento é dar visibilidade a uma realidade que ainda não chega aos registros oficiais. “Nosso papel é justamente tornar visível essa realidade, para que ela se transforme em consciência, políticas públicas e proteção efetiva para as mulheres”, completou.

A pesquisa utiliza amostras totalmente probabilísticas, com resultados calculados com nível de confiança de 95%. No Distrito Federal, foram realizadas entrevistas por telefone com mulheres de 16 anos ou mais. Considerando as estimativas simples apresentadas no levantamento, a margem de erro média observada para o DF foi de 2,35%, com desvio padrão de 1,72%.

Os dados estaduais integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência, pelo Instituto Natura e pela Gênero e Número. A ferramenta permite comparar as diferentes realidades das 27 unidades da Federação e evidencia a distância entre a violência vivenciada pelas mulheres e aquela que chega às estatísticas oficiais.

Onde pedir ajuda

  • Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Uma viatura é enviada imediatamente até o local. Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
  • Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF).
    E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
    WhatsApp: (61) 98626-1197
    Site: https://www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher
  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, além de reclamações, sugestões e elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
  • Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam): funcionamento 24 horas por dia, todos os dias.
  • Deam 1: previne, reprime e investiga os crimes praticados contra a mulher em todo o DF, à exceção de Ceilândia.
    Endereço: EQS 204/205, Asa Sul.
    Telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673
    E-mail: deam_sa@pcdf.df.gov.br
  • Deam 2: previne, reprime e investiga crimes contra a mulher praticados em Ceilândia.
    Endereço: St. M QNM 2, Ceilândia
    Telefoes: 3207-7391 / 3207-7408 / 3207-7438

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Caio Gomez/CB/d.a Press

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp