Um passeio ciclístico homenageia, nesta quarta-feira (19/8), o biólogo Pedro Davison, cuja morte, em 2006, inspirou a criação do Dia Nacional do Ciclista. A concentração será às 18h30, na Praça do Museu Nacional, com saída prevista para as 19h30.
Organizado pela ONG Rodas da Paz e pelo coletivo Bicletada DF, ligado ao movimento global Massa Crítica, o evento é aberto a pessoas de todas as idades e não exige inscrição. A programação continuará na Praça Chico Mendes, na Universidade de Brasília (UnB), com o “Cine Pipoca no Rolê”.
A programação, pensada para chamar a atenção para a mobilidade e o trânsito na capital, marca os 20 anos da morte de Pedrinho, como era chamado pelos amigos e familiares. O pai de Pedro, Pérsio Davison, disse que a conexão do filho com a natureza começou cedo. Pedro nasceu em um parto normal, em casa.
“Ele se focou na natureza desde cedo. Certa vez, um bem-te-vi caiu do ninho e ele acabou levando para casa”, conta. Pedro cuidou do pássaro, que dormia no quarto do então menino. “O pássaro acabou virando um bem-te-vi domesticado.” Ou quase domesticado, ponderou a mãe de Pedrinho, Beth Davison, já que o animal acordava todos os moradores da casa.
Porém, quando cresceu, resolveu alçar voos mais altos e, na ausência de asas como as do bem-te-vi, contou com a ajuda da bicicleta para desbravar a região e o país. Quando era adolescente, reunia-se com os amigos para aproveitar as cachoeiras da região.
“Ele programou uma viagem de 10 dias para Trancoso e fez o percurso sozinho. Durante esse tempo, manteve contato diário, dizendo quantos quilômetros tinha pedalado”, diz Beth. O plano inicial era fazer o percurso em grupo, mas, com a desistência de alguns amigos, ele se aventurou sozinha sobre as duas rodas.
“Não dá para falar sobre Pedro sem mencionar a bicicleta e a natureza. Ele também foi aprovado em um concurso para o Ibama e estava sendo chamado para assumir o cargo”, relembra Pérsio.
Segundo ele, o filho reunia características como inteligência, compreensão, bondade e disposição para o diálogo. “Essas qualidades estavam presentes na forma como ele se relacionava com os colegas e amigos, deixando um impacto que permanece até hoje”, diz. Beth também ressalta que os amigos ainda frequentam a casa do casal, mostrando que Pedro continua impactando vidas.
Mas, aos 17 anos, foi o filho quem teve a vida transformada: tornou-se pai de Luíza. “Eram adolescentes cuidando de uma criança”, disse a mãe. A chegada da filha transformou o modo como Pedrinho via a cidade e a mobilidade.
“A paternidade impactou profundamente a vida de Pedro, que levou essa responsabilidade muito a sério. Ele também passou [esses valores] para a filha”, pontua.
Segundo Beth, o projeto de vida do filho era pegar uma bicicleta e começar a conversar com pessoas de todas as regiões do DF sobre meio ambiente. Algo que ele não conseguiria concretizar, já que perdeu a vida aos 25 anos, após ser atingido por um carro conduzido por um motorista alcoolizado e com a documentação irregular.
Mesmo com o luto pela perda do filho, o casal e amigos começaram uma luta por mudanças. Segundo o pai, 20 anos depois, é possível ver que Pedro ajudou a transformar o debate sobre o tema.
“Extrapolou a realidade daqui [Distrito Federal]. Você começa a ter legislações como a Lei Seca e uma mudança de foco, que não é resultado de uma única iniciativa, mas de um movimento coletivo de não aceitação daquela realidade. Para nós, é uma perda permanente, mas que, ao mesmo tempo, não foi em vão”, reflete.
“A intenção é que seja um dia de pensarmos como podemos ser melhores, que os gestores possam pensar em cidades mais humanas, onde as pessoas tenham direito de andar de bicicleta, que não precise de tanta velocidade”, conclui Beth.
Vinte anos depois, a ausência de Pedrinho ainda é sentida pela família e pelos amigos. A bicicleta que marcou sua vida, porém, permanece como símbolo de uma luta que continua: tornar as cidades mais seguras para quem pedala, caminha ou simplesmente precisa circular por elas.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Sérgio Barata/Divulgação









