O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), cobrou nesta quarta-feira (2/9) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retire integralmente o sigilo das investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O petista também mandou, sem citar diretamente, um recado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao afirmar que as apurações não podem poupar envolvidos por razões eleitorais.
“André Mendonça, você tem obrigação de retirar todo o sigilo das investigações do Banco Master. A verdade sobre tudo que envolve o Vorcaro precisa aparecer. A gente não pode ter vazamento seletivo, como aconteceu na Lava-Jato”, afirmou Pimenta.
A cobrança ocorre um dia depois de Mendonça retirar o sigilo de parte do material produzido pela Polícia Federal sobre as relações de Vorcaro com autoridades. O relatório tornou públicas mensagens atribuídas ao banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes, além de registros sobre encontros e tratativas envolvendo o ex-dono do Master.
Segundo a PF, parte dos contatos ocorreu antes da contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, pelo banco. O material também revelou conversas nas quais Vorcaro buscava a interlocução de Moraes às vésperas de sua prisão.
Na avaliação do líder governista, a divulgação de apenas determinados elementos das investigações pode acabar direcionando o debate público sobre quem deve ou não ser atingido pelas apurações. Pimenta defendeu que sejam reveladas todas as relações mantidas pelo banqueiro, independentemente de quem apareça no material.
“O Brasil tem o direito de saber toda a verdade. Doa a quem doer: é preciso que toda a verdade seja colocada a público. Todas as relações do Vorcaro, financiamentos da campanha, relações no Poder Legislativo, Judiciário, no MP, com o mundo empresarial, seja com quem for. Não é possível que a gente só saiba uma parte da verdade”, disse.
Pimenta também afirmou que cabe às instituições assegurar que as denúncias sejam investigadas e que eventuais crimes resultem na responsabilização dos envolvidos. Na sequência, direcionou a cobrança para o cenário eleitoral e fez uma referência à condição de candidato à Presidência.
“Não dá pra proteger alguém porque é candidato a presidente da República, não dá para esconder outros encontros que o Vorcaro teve”, afirmou.
A declaração ocorre ainda em meio à repercussão sobre as relações de Vorcaro com Flávio Bolsonaro. O caso ganhou novo componente após a revelação de outro repasse relacionado ao filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse, episódio que voltou a colocar as ligações entre o banqueiro e o entorno do candidato do PL no centro da disputa eleitoral.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado









