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O que faz alguém virar líder não é o que o time valoriza, diz estudo

Aquilo que leva um profissional ao topo da hierarquia corporativa pode não ser,...

Aquilo que leva um profissional ao topo da hierarquia corporativa pode não ser, necessariamente, o que sustenta sua liderança no dia a dia. É o que mostra um novo estudo global da Hogan Assessments, que identificou uma desconexão relevante entre o perfil dos executivos promovidos e o tipo de liderança que os funcionários esperam.

O levantamento, que reúne dados de mais de 21 mil executivos e quase 10 mil profissionais em 25 países, incluindo o Brasil, aponta um dado emblemático: não há sobreposição entre as principais características demonstradas por líderes e aquelas mais valorizadas por suas equipes.

Na prática, isso significa que empresas podem estar promovendo profissionais com base em competências que pouco contribuem para a construção de times mais engajados e produtivos.

O que leva ao topo, e o que sustenta a liderança
De acordo com o estudo, executivos costumam se destacar por atributos como iniciativa, competitividade, capacidade de inspirar e exposição de ideias. Já os funcionários priorizam um conjunto diferente de qualidades: comunicação clara, integridade, responsabilidade, boa tomada de decisão e capacidade de liderança efetiva.

O contraste revela uma falha estrutural nos critérios de promoção. Enquanto o sistema corporativo tende a premiar visibilidade e ambição, os times valorizam consistência, confiança e clareza.

“Historicamente, organizações valorizam visibilidade, confiança e ambição em seus líderes. Mas os funcionários estão dizendo que querem algo mais fundamental: líderes confiáveis, que se comuniquem com clareza e criem condições para o sucesso das equipes”, afirma Allison Howell, CEO da Hogan Assessments.

O recado dos brasileiros
No Brasil, o desalinhamento ganha contornos ainda mais claros. As empresas tendem a valorizar líderes com perfil competitivo, técnico e orientado a resultados, enquanto os profissionais esperam líderes que combinem confiança, comunicação e decisões consistentes.

Os dados mostram que:

61% dos brasileiros valorizam colaboração e senso de pertencimento
57% priorizam decisões baseadas em dados
72% destacam a importância de uma comunicação cuidadosa
69% consideram essencial o aprendizado contínuo
O resultado aponta para uma expectativa por líderes mais equilibrados, capazes de unir desempenho com sensibilidade e racionalidade analítica.

O que mina a liderança
Se o estudo revela o que importa, também escancara o que prejudica, e muito, a relação entre líderes e equipes.

No Brasil, os comportamentos mais criticados são:

Instabilidade emocional (84%)
Arrogância (72%)
Postura passivo-agressiva (69%)
Um dos pontos mais sensíveis é a linha tênue entre autoconfiança e arrogância. A mesma assertividade que impulsiona carreiras pode, quando excessiva, comprometer a confiança e o engajamento do time.

Promoção não é sinônimo de liderança
O estudo sugere que muitas organizações ainda confundem potencial de ascensão com capacidade real de liderança. Em outras palavras, quem sobe mais rápido nem sempre é quem lidera melhor.

Além disso, aspectos como colaboração, pertencimento e construção de relações – valorizados por 61% dos brasileiros – ainda recebem menos atenção nos critérios tradicionais de avaliação de executivos.

O que muda para as empresas
Diante desse cenário, o relatório aponta um caminho claro: repensar os modelos de identificação e desenvolvimento de líderes.

Entre as recomendações estão:

Reduzir o peso de atributos como visibilidade e carisma
Priorizar comunicação, responsabilidade e julgamento consistente
Investir em feedback estruturado e desenvolvimento contínuo
Incentivar decisões baseadas em dados
Fortalecer a cultura de confiança e colaboração
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, liderança eficaz não é apenas sobre performance individual, mas sobre a capacidade de construir times fortes, engajados e sustentáveis no longo prazo.

Foto: Envato/Divulgação

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