Enquanto boa parte do mundo corporativo ainda trata felicidade no trabalho como discurso aspiracional, benefício periférico ou tema de RH, Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, decidiu ir à origem do conceito.
O presidente da gigante do aço foi até o Butão — país que aposta no FIB (Felicidade Interna Bruta) – para entender como essa filosofia transformou o bem-estar da população em política pública. O objetivo do FIB foi criado para estudar como felicidade, saúde mental e qualidade de vida podem ser estruturadas como estratégia real de desenvolvimento.
De volta ao Brasil, o executivo traduziu a experiência para o universo empresarial e colocou o tema no centro da gestão de uma das maiores companhias industriais das Américas.
“Faz alguns anos que eu fui estudar o tema da felicidade interna adulta no Butão. Fiquei 10 dias neste país e quando eu voltei, traduzi os conceitos aplicados no Butão ao nível de Estado para um conceito de negócio”, afirma Werneck, em entrevista ao podcast De Frente com o CEO, da EXAME.
“O tema do bem-estar e da saúde está presente na Gerdau, é o centro da nossa estratégia,” diz o CEO.
A lógica, segundo ele, não é filantrópica nem simbólica: é econômica.
“Quando as pessoas se sentem bem e bem cuidadas, elas conseguem dedicar mais tempo aos clientes e à empresa. Isso gera mais produtividade”, diz o CEO.
Butão, saúde mental e performance
A experiência no Butão se traduziu em práticas cotidianas. “Uma é a qualidade do sono. Isso eu aprendi no Butão”, diz, citando ações como evitar celular antes de dormir. Também falou sobre atividades fora do ambiente do trabalho.
“Eu, por exemplo, sou faixa preta de Karatê. É uma forma de cuidar da minha saúde”, afirma o CEO. “Destinar tempo para a vida pessoal e profissional está diretamente relacionado à performance da nossa organização.”
Do “MBA da vida” à liderança humanizada
Mineiro, formado em engenharia mecânica em Belo Horizonte, Werneck conta que a escolha pela indústria do aço nasceu antes da carreira.
“Nasci em Minas Gerais, a gente nasce respirando minério, aço, a metalurgia”, diz. “Por isso o convite da Gerdau é quase uma convocação para um engenheiro”.
Ao falar da própria trajetória, o CEO afirma que nunca construiu um plano para chegar ao topo. “Eu nunca tive esse plano”, afirma. Em vez disso, diz ter combinado foco em duas áreas.
“Um foco muito grande com os clientes e com a gestão humanizada”.
Antes dos MBAs formais, Werneck diz que fez o que chama de “MBA da vida”.
“Eu sempre tive o hábito de ir para a operação muito cedo, acompanhar a troca de turno… conhecia todas as pessoas, esse tipo de experiência a gente só tem na prática, no dia a dia.”
“Desconstruir” a liderança tradicional
Desde que assumiu a presidência da Gerdau, em 2018, o maior desafio, segundo ele, não foi técnico, mas cultural. “O maior desafio é tu entender como é que a gente exerce uma liderança diferente da liderança tradicional”, afirma.
Para Werneck, a virada passa por abandonar o comando e controle como modelo central.
“O mais importante muitas vezes não está no que você aprende na teoria, mas na prática”, disse, ao defender ambientes onde as pessoas possam se desenvolver e usar o potencial criativo a favor do negócio.
O CEO que tem tempo sobrando na agenda
Ao falar de rotina, Werneck aponta a delegação como chave. “A chave disso tudo é tu entender que a delegação é muito importante”, afirma. “Eu sou muito pragmático de buscar pessoas que são melhores do que eu.”
Segundo ele, isso cria tempo para pensar o futuro. “Hoje eu tenho tempo pra fazer as reflexões sobre o futuro da Gerdau e como levar a empresa nos 125, 135 e 150 anos.”
Para ele, a missão centenária de uma empresa que produz aço em 7 países, é focar além da tecnologia, mas também nas pessoas.
“Eu marcaria este ano da Gerdau como mais um ano importante na gente humanizar a nossa gestão.”
Por Revista Plano B
Fonte Exame
Foto: Leandro Fonseca/Exame







