quinta-feira, 18 de abril de 2024
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Mulheres são maioria na prova do Enem

E isso tem muitos significados. Segundo o boletim do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIESSE), em relação a rendimentos, as mulheres ganharam 21% a menos do que os homens por setor de atividades, mesmo quando as mulheres eram maioria

Mulheres compõem a maioria no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano, representando 61,3% dos mais de 3 milhões de inscritos. Já os homens representam 38,7%, totalizando 1,5 milhão.

A busca pela igualdade de gênero deve ser pelo caminho da educação. Para a professora e especialista em direitos humanos, Gina Vieira (Foto), a educação é uma das chaves para incentivar a liderança feminina, porém esse caminho ainda tem muito o que avançar.

Conforme destacado pela professora Gina, as mulheres atualmente enxergam o Enem como uma oportunidade de investir em seu futuro, impulsionadas principalmente pela necessidade de conquistar maior autonomia financeira.

“Ter uma formação em nível superior aumenta significativamente as chances de a mulher, tanto ter acesso ao mundo do trabalho, quanto ter uma remuneração melhor, o que certamente colabora para maior autonomia e maior qualidade de vida”, diz a professora.

Segundo o boletim do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIESSE), em relação a rendimentos, as mulheres ganharam 21% a menos do que os homens por setor de atividades, mesmo quando as mulheres eram maioria.

A especialista explica que, para que as mulheres ocupem cargos mais elevados no trabalho com salários mais altos, é fundamental que o Estado ofereça oportunidades de educação de qualidade.

“A presença de um maior número de mulheres fazendo o Enem para mim é um forte indicador de que as mulheres tomaram ainda mais consciência do poder que a educação tem quanto a permitir que elas sejam protagonistas de suas histórias. Elas não vão parar, e é ótimo que não parem. Acredito que, de fato, o futuro é feminino” afirma a educadora.

A moradora de Ceilândia, Nathalia Lara Gomes, hoje com 25 anos, vai prestar a prova e diz que para ela, alcançar um diploma de ensino superior é uma oportunidade para mudar a sua situação financeira. A estudante assegura que o Enem tem sido uma das portas que ela tem para alcançar a sua realização profissional.

Nathalia também relata que em suas experiências no mercado de trabalho percebeu que as mulheres sempre precisavam se esforçar mais do que homens, principalmente para subir de cargo. “Percebi o machismo mais ainda quando comecei a trabalhar. Todas as mulheres que conheci em cargos altos de uma empresa sempre precisavam ser grossas ou falar mais alto para que fossem respeitadas”, diz a estudante.

Além disso, a especialista diz que investir em mulheres pode gerar grandes avanços tanto para economia, quanto para a sociedade. “Nós já temos pesquisas suficientes que sinalizam que investir em mulheres e em grupos historicamente excluídos traz muitos ganhos não só para as mulheres e para estes grupos, mas para as famílias, as comunidades, o território onde estas pessoas têm incidência, portanto, os ganhos são para a sociedade como um todo”.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Por Agência UniCeub

Foto: Nathália Maciel / Reprodução Jornal De Brasília  

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