Outros posts

Michel Platini (Psol) cobra mais inclusão para deficientes auditivos

Candidato a deputado distrital pelo PSol, Michel Platini falou, no Podcast do Correio,...

Candidato a deputado distrital pelo PSol, Michel Platini falou, no Podcast do Correio, sobre sua trajetória como intérprete de Libras, a atuação em movimentos sociais e as pautas que pretende defender na Câmara Legislativa (CLDF), caso seja eleito. Às jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira, ele também falou sobre a defesa dos direitos das pessoas com deficiência auditiva e da população LGBT. Confira os principais trechos da conversa.

Por que você se interessou em aprender Libras?

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Quando fazia parte do grêmio estudantil, um jovem surdo foi apreendido em uma delegacia, mas ninguém sabia falar Libras. A escola se mobilizou, e eu fui buscar um intérprete para mediar a situação. Foi quando percebi o quanto era difícil encontrar esse profissional. Anos depois, aprendi Libras com a deputada Erika Kokay na Câmara Legislativa e organizei a primeira sessão solene em homenagem ao Dia Nacional dos Surdos. Na época, a profissão de intérprete ainda não existia. Passei a atuar voluntariamente, porque não fazia sentido cobrar de uma pessoa surda que precisava de atendimento médico ou de assistência em uma delegacia. Percebemos que a presença de intérpretes era necessária em políticas públicas, eventos e diversos espaços. Eu me formei em Libras e atuei pela regulamentação da profissão, participando também da elaboração do Estatuto do Intérprete de Libras. Hoje, minhas principais propostas têm relação com a língua. Quero que Libras seja ofertada nos Centros Interescolares de Línguas (CILs) de Brazlândia, Ceilândia e Guará. A língua está sendo elitizada: uma parcela da população consegue ter acesso, enquanto outra não. Ao mesmo tempo, a população surda vive apartada de diversos contextos da sociedade.

Quais pautas pretende defender caso seja eleito?

Eu sou LGBT e, há mais de 20 anos, estou na linha de frente da defesa dos direitos civis e humanos da população LGBT. Posso dizer que estive presente nas principais lutas da nossa comunidade. A gente não tem escolha. Não é uma escolha estar no espaço político ou ter que ir lá defender os próprios direitos. A gente já nasceu sem direitos. Na minha primeira relação, com meu primeiro marido, eu tinha menos de 36 direitos civis em relação aos casais heterossexuais. Eu fazia tudo como todo mundo, pagava tudo, mas não tinha os mesmos direitos. Nossos direitos civis foram conquistados recentemente, por meio de decisões do STF.

Você também já liderou coletivos relacionados à luta LGBT?

No DF, presidi o grupo LGBT Brasília, antigo Grupo Estruturação, que tem mais de 30 anos de existência e esteve presente em grandes conquistas da comunidade. Também presidi o Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos Humanos, entidade que fundamos após meu mandato no Conselho de Direitos Humanos. No Conselho, entrei com habeas corpus para transferir mulheres trans para o presídio feminino e apresentei requerimento para impedir que raspassem o cabelo delas na ala masculina. Conseguimos criar uma ala específica para elas no presídio feminino do DF. Também escrevi uma resolução do Conselho de Direitos Humanos que disciplina a internação de pessoas LGBT no sistema prisional, garantindo direitos básicos e respeito à expressão de gênero.

Como ficou a questão da Parada Gay de Taguatinga?

Houve uma decisão do governo de Celina Leão de não realizá-la por causa do caos financeiro em que colocaram nossa cidade. O mesmo ocorreu com o Festival de Cinema de Brasília e com o aniversário de Brasília. Sobre o aniversário, o Ministério Público de Contas do DF já revelou que é mentira a afirmação de Celina Leão de que houve transferência de recursos da festa para a saúde. A cidade vive um caos. Também há um problema de gestão. Como membro do Conselho de Saúde, atualmente afastado, analisei os relatórios do fundo de saúde e quase 50% do previsto para o ano ainda não havia sido executado até outubro.

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Minervino Júnior/CB

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp