O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu em defesa do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), à época em que o magistrado estava à frente da relatoria do caso Master.Em entrevista ao Metrópoles, na manhã desta quinta-feira (26), Hugo disse que Toffoli conduziu o inquérito “com equilíbrio” e disse que, até aqui, o Supremo tem “cumprido o seu papel” constitucional para investigar as suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira.“As antigas decisões proferidas pelo antigo relator, Dias Toffoli, atenderam a todos os pedidos que o Ministério Público e a Polícia Federal fizeram. Penso que houve um exagero por parte da mídia e, no geral, do papel que o ministro Toffoli cumpriu. Ele atendeu a esses pedidos e vinha conduzindo com muito equilíbrio”, disse Hugo.Os termos da
saída de Toffoli da condução da investigação que apura fraudes no Banco Master de Daniel Vorcaro foram negociados com os demais ministros da Suprema Corte no dia 12 de fevereiro.Toffoli afirmou aos colegas que não fazia questão de seguir na relatoria do inquérito, mas foi enfático ao dizer que não sairia do caso por suspeição.No último sábado (21), o presidente do STF, Edson Fachin,
arquivou a ação que questionava a atuação de Toffoli no caso envolvendo o Master. Embora não seja mais o relator da investigação sobre as supostas fraudes envolvendo o banco, Toffoli não foi declarado suspeito e, em princípio, pode participar de julgamentos relacionados ao processo.A ação, tecnicamente denominada arguição de suspeição, foi aberta após a PF (Polícia Federal) encaminhar a Fachin um relatório tratando da relação entre o ministro do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro.Em 10 de fevereiro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, esteve com Fachin para entregar um documento de cerca de 200 páginas, com diálogos extraídos do celular de Vorcaro, menções a Toffoli e registros sobre possíveis pagamentos.
CPI do Banco Master
Questionado se a Câmara irá instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o caso, Hugo Motta voltou a dizer que é preciso respeitar a fila de pedidos de criação de colegiados de investigação, conforme prevê o regimento interno da Casa.“Nós temos regimentalmente que analisar essa cronologia. É preciso ter o fato determinado e, na Câmara dos Deputados, regimentalmente só se pode funcionar cinco CPIs ao mesmo tempo. Nem que eu quisesse eu conseguiria chegar nessa CPI que trata da questão do Banco Master”, destacou o presidente da Câmara.Parlamentares têm cobrado a instalação de uma CPI que investigue especialmente o caso do Banco Master. Segundo o senador Eduardo Girão (Novo-CE), o requerimento para criação desta comissão já conta com 51 assinaturas, número superior à maioria absoluta dos 81 senadores.Na tarde de quarta-feira (25),
a CPI do Crime Organizado aprovou a convocação do empresário Daniel Vorcaro. Os requerimentos solicitando a presença do banqueiro na comissão do Senado foram apresentados pelo relator do colegiado, Alessandro Vieira (MDB-SE), e pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val (Podemos-ES).Por Revista Plano B
Fonte CNN Brasil
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados