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Maio Furta-Cor: Hmib oferece atendimento em saúde mental para gestantes

Um sangramento inesperado acabou revelando uma situação delicada na vida de Tamires Rodrigues,...

Um sangramento inesperado acabou revelando uma situação delicada na vida de Tamires Rodrigues, de 28 anos. Sem saber que estava grávida, ela passou mal e precisou de atendimento médico. Foi então que descobriu uma gravidez ectópica (fora da cavidade uterina). Submetida a uma cirurgia de emergência, ela precisou retirar uma das trompas e lidar, ao mesmo tempo, com a perda e o impacto emocional do episódio.

“Eu queria muito aquela gravidez. Depois que tudo aconteceu, entrei em depressão, fiquei sem vontade de sair da cama, sem perspectiva”, relembra. O cuidado psicológico começou na unidade básica de saúde (UBS), que a direcionou para o Ambulatório de Saúde Mental Perinatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

No ambulatório, Tamires iniciou acompanhamento com a equipe especializada e encontrou acolhimento em um momento de fragilidade. “A equipe me ouviu, me acolheu de verdade. A psiquiatra conversava muito comigo, me ajudou a reorganizar meus pensamentos e a lidar com o medo”, conta.

Em uma nova gestação, marcada por ansiedade e complicações, como pré-eclâmpsia, Tamires seguiu sendo acompanhada de perto. Hoje, ela celebra a maternidade ao lado da filha, Geovana, de 8 meses. “Sem esse apoio, eu não teria conseguido. Foi essencial para eu conseguir viver esse momento e criar vínculo com a minha filha”, diz.

Atendimento especializado

Pioneiro no país, o Ambulatório de Saúde Mental Perinatal do Hmib atende mulheres com transtornos mentais graves durante o período gravídico-puerperal, que inclui pré-natal, parto e pós-parto. Entre os casos acompanhados estão depressão, ansiedade, transtorno bipolar, estresse pós-traumático e transtornos psicóticos.

“O foco é atender mães em sofrimento e adoecimento mental significativo nesse período, oferecendo cuidado com acompanhamento médico e psicológico, além de suporte em situações mais graves, inclusive, com internação”, explica a coordenadora do Serviço de Saúde Mental Perinatal do Hmib, Maria Marta Freire.

As pacientes chegam ao serviço por encaminhamento do Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde (SES-DF). O atendimento inclui consultas individuais e grupos terapêuticos, como o pré-natal psicológico, coordenado pela psicóloga Alessandra Arrais, que aborda temas como rede de apoio, manejo das emoções e prevenção da depressão pós-parto.

Durante os encontros, também se discute o impacto da saúde mental materna na relação com o bebê. “Quando a saúde mental da mãe não está bem, há risco de prejuízos no vínculo, na amamentação e no desenvolvimento da criança, que pode carregar consequências ao longo da vida”, afirma a psicóloga da unidade, Cristina Azevedo.

Conscientização

A trajetória de Tamires mostra como o cuidado em saúde mental pode transformar experiências marcadas pela dor em caminhos de reconstrução. “Cuidar da minha saúde mental fez toda diferença. Aprendi a lidar com meus medos, a focar o presente e a me permitir viver a gestação sem tanto sofrimento”, relata.

Esse cuidado é o foco da campanha Maio Furta-Cor, que busca ampliar a visibilidade da saúde mental materna e incentivar o acesso ao tratamento. A iniciativa integra ações do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas à promoção do cuidado no pré-natal durante a gestação e no pós-parto.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, no mundo, cerca de 10% das gestantes e 13% das mulheres no pós-parto desenvolvem transtornos mentais, principalmente depressão. Em casos graves, o sofrimento materno pode ser tão intenso que há risco de suicídio, além de impactos diretos no desenvolvimento físico e emocional do bebê.

Formação integrada

O serviço também se destaca pela atuação de residentes de diferentes áreas da saúde, que participam diretamente do atendimento e contribuem para a construção de um cuidado integral.

“A prática aqui permite desenvolver um olhar mais sensível, entender o momento de cada mulher e como oferecer apoio de forma respeitosa e efetiva”, afirma a psicóloga Bruna Adorno, residente em saúde da criança.

Para a médica residente em psiquiatria Letícia Santana, a experiência amplia a compreensão sobre o papel da especialidade. “Aprendemos que o cuidado não se resume à medicação. É olhar para a mulher, para a família e para o contexto em que ela está inserida, com mais humanidade”, aponta. 

O acompanhamento das pacientes pode se estender por até um ano e meio após o parto, garantindo continuidade no cuidado e suporte especializado em uma fase marcada por intensas transformações físicas e emocionais.

*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

Por Revista Plano B
Fonte Agência Brasília
Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

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