Os direitos reprodutivos das mulheres começam pelo direito de escolher se querem ter filhos, quando tê-los e quantos desejam ter. Para milhares de mulheres do Distrito Federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) representa a possibilidade de exercer essa autonomia sem arcar com os custos de um procedimento particular.
Atualmente, o SUS oferece gratuitamente o DIU de cobre e o Implanon, dois dos métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes disponíveis. As taxas de eficácia chegam a cerca de 99% para o DIU e 99,7% para o Implanon, superiores às de métodos que dependem do uso regular, como pílulas, injeções e preservativos.
Ambos integram o grupo dos LARCs (Contraceptivos Reversíveis de Longa Ação), recomendados por entidades como a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo o ginecologista e obstetra Vamberto Maia Filho, uma das principais vantagens dos métodos de longa duração é não correr o risco do esquecimento. “Ambos são métodos que não dependem de um uso diário, conferindo o máximo de proteção inerente a cada um deles. É uma falha inferior a 0,1%, o mesmo nível, por exemplo, de uma esterilização por laqueadura tubária”, explica.
A oferta pela rede pública também amplia o acesso. Segundo o médico, o DIU de cobre pode custar entre R$ 100 e R$ 250, enquanto o Implanon varia de R$ 850 a R$ 1.300, considerando apenas o dispositivo, sem os demais custos do procedimento. “A disponibilidade no SUS amplia o acesso para um público que poderia ter dificuldades para arcar com esses custos”, afirma.
No Distrito Federal, a procura pelo DIU tem crescido. Em 2024, foram realizadas 6.283 inserções na rede pública. O número subiu para 7.701 em 2025 e, até julho de 2026, chegou a 3.015 procedimentos. Ceilândia, Planaltina e Gama estão entre as regiões com maior demanda.
Uma das mulheres que optou pelo método foi Laura Cunha, 31 anos, auxiliar administrativa e moradora de Samambaia Norte. Ela já tinha interesse em utilizar o DIU, mas não sabia como funcionava o acesso pela rede pública. A oportunidade surgiu durante uma consulta preventiva, na UBS 17 de Ceilândia. Após conversar com a equipe sobre sua vida sexual e os métodos contraceptivos disponíveis, recebeu orientação sobre o DIU de cobre e decidiu fazer a inserção.
“A experiência foi muito boa. Aproveitei para me informar como funcionava e saí de lá com o DIU colocado”, relata. Segundo Laura, a preferência era por um método não hormonal. Ela também destaca o cuidado durante o atendimento: “Impressionou muito que, quando fui fazer o preventivo, o médico chamou uma enfermeira mulher para ficar na sala com a gente e ela permaneceu durante a implantação do DIU também.”
A possibilidade de realizar o procedimento gratuitamente foi determinante para a escolha, já que o custo na rede particular seria incompatível com sua realidade financeira. Três anos depois da inserção, Laura afirma que a decisão trouxe “uma proteção a mais” para sua rotina.
Segundo a SES-DF, a inserção do DIU deve ser programada com a equipe de Saúde da Família de referência da paciente. A mulher deve procurar a UBS responsável por sua região para avaliação e agendamento. A indicação é feita individualmente, considerando o histórico clínico e as características de cada paciente.
Implanon
Já o Implanon é disponibilizado pelo SUS para mulheres de 14 a 49 anos, mas a oferta segue critérios de priorização, com atenção a mulheres em situação de maior vulnerabilidade ou com necessidades clínicas específicas. Segundo o Ministério da Saúde, o método passou a ser oferecido pelo SUS em 2025. Desde então até maio de 2026, foram distribuídas 28.350 unidades e realizadas 12.810 inserções em todo o país. Mulheres de 20 a 24 anos concentraram 23,6% dos procedimentos.
Para Vamberto Maia Filho, a escolha do método deve considerar as características clínicas e as necessidades de cada paciente. O DIU de cobre não contém hormônios e pode ser uma opção para mulheres com contraindicação ao uso hormonal. Por outro lado, pode aumentar o fluxo menstrual e contribuir para quadros de anemia em pacientes que já apresentam sangramento intenso. Sua duração pode ultrapassar 10 anos.
O Implanon libera hormônio e atua inibindo a ovulação. Pode reduzir o sangramento menstrual e, em algumas pacientes, contribuir para o controle dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM). O implante tem duração de até três anos, quando precisa ser substituído.
Além desses métodos, o SUS oferece outras opções gratuitas de planejamento reprodutivo, como preservativos, anticoncepcionais orais, contracepção de emergência, laqueadura tubária e vasectomia.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde









