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Inteligência emocional pode virar sobrecarga no trabalho — e este é o risco

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Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/carreira/inteligencia-emocional-pode-virar-sobrecarga-no-trabalho-e-este-e-o-risco/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento

Perceber rapidamente que uma reunião ficou tensa, notar quando um colega não está bem ou antecipar um conflito antes de ele chegar à superfície costuma ser associado à inteligência emocional. 

Em ambientes de trabalho disfuncionais, porém, essa sensibilidade pode cobrar um preço: profissionais mais atentos às emoções da equipe podem acabar absorvendo problemas que deveriam ser resolvidos pela liderança e pela própria organização.

A discussão parte das análises da psicóloga Elise Dyer, pesquisadora da Universidade de Kent, que estuda bem-estar profissional.  Segundo ela, inteligência emocional envolve diferentes capacidades — e alguém pode ser muito eficiente em perceber as emoções dos outros, mas ter mais dificuldade para se proteger do impacto daquilo que percebe. Em contextos tóxicos, essa combinação pode contribuir para exaustão e sobrecarga emocional.

Para a carreira, o alerta é importante: inteligência emocional não significa assumir a responsabilidade por manter todos ao redor emocionalmente estáveis. As informações foram retiradas do The Irish Times.

Ler bem o ambiente também significa perceber problemas antes dos outros
Há profissionais que entram em uma reunião e rapidamente percebem que alguma coisa mudou. Uma resposta mais curta do gestor, o silêncio incomum de um colega ou uma tensão entre áreas podem indicar problemas que ainda não foram verbalizados.

Essa leitura pode ser uma vantagem.. O problema começa quando perceber um conflito passa a significar automaticamente assumir a responsabilidade por resolvê-lo.

O profissional que acalma todo mundo pode estar pagando a conta
Em equipes disfuncionais, pessoas com maior sensibilidade interpessoal podem assumir informalmente o papel de mediadoras. São aquelas procuradas depois de uma reunião difícil, que tentam diminuir conflitos, explicar a reação do chefe ou manter o grupo funcionando quando a comunicação está ruim.

Profissionais com esse perfil podem acabar usando suas competências emocionais para compensar falhas estruturais da organização. Em vez de a liderança enfrentar o problema, alguém da equipe absorve a tensão e tenta manter o equilíbrio.

Esse trabalho pode nem aparecer na descrição do cargo, e também pode não gerar reconhecimento, remuneração ou promoção — mas consome energia.

Empatia sem autogestão pode se transformar em desgaste
Essa é uma distinção importante dentro da própria inteligência emocional. Perceber o estado emocional de outra pessoa é uma habilidade. Administrar o impacto dessa percepção sobre si mesmo é outra.

Uma pessoa pode reconhecer rapidamente que um colega está angustiado e ainda assim ter dificuldade para encerrar a conversa, estabelecer um limite ou evitar levar aquela tensão para o restante do dia.

É por isso que a inteligência emocional não pode ser reduzida à empatia. Autogestão também envolve entender até onde vai sua responsabilidade.

Limite também é inteligência emocional
Existe uma imagem equivocada de que profissionais emocionalmente inteligentes estão sempre disponíveis, pacientes e dispostos a resolver conflitos — mas não necessariamente.

Em alguns momentos, a resposta mais adequada pode ser dizer que determinado problema precisa ser levado ao gestor. Em outros, pode ser encerrar uma conversa que está ultrapassando limites ou deixar claro que uma responsabilidade pertence a outra pessoa.

Isso não significa falta de empatia, mas sim reconhecer a diferença entre compreender uma emoção e assumir responsabilidade por ela.

Para a carreira, essa capacidade é especialmente importante conforme aumentam as responsabilidades. Quem lidera precisa saber apoiar pessoas, mas também precisa criar sistemas em que os problemas não dependam permanentemente de um único profissional emocionalmente habilidoso para serem resolvidos.

Fonte exame
Foto: Yasser Chalid/Getty Images

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