A possibilidade de uma eleição decidida por uma pequena diferença de votos, as propostas dos candidatos e os efeitos do resultado sobre as relações internacionais do Brasil ganharam destaque na imprensa estrangeira neste domingo (25/10).
Jornais e emissoras de diferentes países acompanham o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que mobiliza um eleitorado de aproximadamente 159 milhões de brasileiros.
As reportagens abordam desde as divergências entre os dois presidenciáveis sobre economia e segurança pública até a relação do próximo governo com os Estados Unidos. A polarização política, a participação dos eleitores e os episódios de violência registrados durante a campanha também aparecem na cobertura internacional.
A emissora Al Jazeera chamou atenção para a importância dos eleitores que não participaram do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo o veículo, diante da proximidade entre os candidatos nas pesquisas, o comparecimento desse grupo pode ter influência significativa no resultado.
A reportagem também ressalta que as intenções de voto registradas nas sondagens não permitem antecipar o desfecho da eleição.
“Embora os números das pesquisas não garantam resultados, até mesmo pequenas oscilações na participação dos eleitores poderiam ser decisivas em uma disputa tão acirrada, segundo especialistas”, destacou o veículo.
A BBC, por sua vez, concentrou parte da cobertura nas diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro em relação à política externa, especialmente no relacionamento com Washington. A emissora relembrou a defesa da autonomia brasileira feita pelo presidente, que declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Em contrapartida, o veículo britânico destacou a posição de Flávio, favorável a uma aproximação com os Estados Unidos no enfrentamento às organizações criminosas. A BBC também acompanhou as manifestações realizadas nos últimos dias por apoiadores das duas candidaturas.
A influência norte-americana na América Latina foi igualmente abordada pelo Financial Times. O jornal britânico analisou o significado da disputa para os interesses dos Estados Unidos, considerando os resultados de eleições recentes em outros países da região.
Na avaliação apresentada pela publicação, o Brasil se tornou “um campo de batalha crucial para as ambições de Washington na América Latina, após uma série de vitórias eleitorais de direita por toda a região”.
Violência política e diferenças entre candidatos
O jornal The Guardian também destacou a possibilidade de um resultado apertado, avaliando que a decisão poderá depender dos brasileiros que não possuem preferência consolidada por nenhum dos presidenciáveis.
Segundo a publicação, grande parte dos apoiadores de Lula e Flávio já definiu sua escolha, o que aumenta a importância dos eleitores que permanecem sem identificação com as duas candidaturas.
“Independentemente do resultado, espera-se que a disputa seja decidida por uma margem estreita no maior país da América Latina, que conta com um eleitorado de 159 milhões de pessoas”, afirmou o jornal.
A cobertura do Guardian também mencionou a agressão sofrida pela vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. A parlamentar foi atingida durante uma manifestação em apoio à reeleição de Lula, realizada no sábado (24/10), e precisou receber atendimento hospitalar.
Ao repercutir o episódio, o veículo atribuiu o ataque a apoiadores de Bolsonaro.
“Iara Pimentel, vereadora do partido de Lula, sofreu ferimentos no rosto e precisou ser levada ao hospital depois que a carreata em que estava foi atingida por garrafas de vidro e tijolos arremessados por apoiadores de Bolsonaro.”
Já o jornal francês Le Monde abordou as diferenças políticas entre os candidatos e as possíveis repercussões internacionais da eleição. Para a publicação, “os eleitores brasileiros foram chamados a decidir entre duas visões radicalmente opostas para o país, com consequências que se estenderão muito além das fronteiras do Brasil”.
O The New York Times também dedicou espaço aos projetos defendidos pelos dois presidenciáveis, sobretudo nas áreas econômica, institucional e de segurança pública. A reportagem aponta que Lula e Flávio apresentam “visões nitidamente distintas para o futuro da maior democracia da América Latina”.
Entre as principais preocupações do eleitorado brasileiro, o jornal norte-americano mencionou o avanço do crime organizado e as dificuldades econômicas enfrentadas pela população, destacando a “disseminação de redes criminosas e a estagnação econômica persistente, que tem deixado muitas pessoas em situação de dificuldade financeira”.
A cobertura dos veículos estrangeiros evidencia a atenção internacional voltada à escolha do próximo presidente brasileiro, tanto pelas diferenças entre as propostas dos candidatos quanto pelos possíveis desdobramentos políticos e diplomáticos do resultado.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ricardo Stuckert | Charles Vieira








