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Eliminação do Brasil na Copa deixa brasilienses em luto esportivo

As bandeirolas e cortinas metalizadas pelas ruas do Distrito Federal ainda enfeitam a...

As bandeirolas e cortinas metalizadas pelas ruas do Distrito Federal ainda enfeitam a cidade, enquanto os torcedores ainda digerem a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 no último domingo. Em um jejum prolongado da taça mundial, que logo alcançará três décadas, um misto de revolta e desânimo domina a cidade. Nos bares e comércios, o clima também é de luto.

De coração partido pelo filho de 6 anos, Maurício José Santos, o empresário Walisson Nascimento, 38, descreve ter assistido ao menino chorar após a eliminação brasileira nas oitavas de finais. Reunidos na casa da mãe do torcedor e avó da criança, localizada na Asa Sul, a família acompanhou o jogo com um aperto no peito. “Meu filho é doido pelo Neymar e estava assistindo à primeira Copa. Depois de investir no álbum de figurinhas, ele estava considerando abandonar a coleção, precisei intervir”, relatou o empresário.

Ao relembrar momentos da partida, Walisson Nascimento questiona a escolha de Bruno Guimarães para cobrar o primeiro pênalti da Seleção, especialmente com o Vini Junior em campo. Para o torcedor, faltou coragem do jogador que vestia a camisa 7. “Acho que ele deveria ter feito aquela jogada e se resolvido com quem quer que fosse depois”, protestou. Na sua perspectiva, o Neymar fez o que poderia com o único gol brasileiro nos últimos minutos do jogo, “entregou o que dava”, desabafou Walisson.

Segundo o dono do bar e hamburgueria Pit Stop, Edilson Santos, 40, o domingo encerrou com lágrimas de clientes do estabelecimento, com torcedoras expressando o claro desapontamento no final da partida. “Em pouquíssimo tempo depois do jogo, aqui já estava vazio”, aponta ele, em frente à TV instalada para assistir à competição. Edilson ainda explicou que nunca abre aos domingos, mas fez e exceção por estar esperançoso na primeira Copa que o bar, localizado no Conic, estaria em funcionamento.

Nas palavras do torcedor, o resultado da partida deveria ser atribuído ao treinador do time, o italiano Carlo Ancelotti. A crítica de Edilson se concentrou na má coordenação do time, com trocas desnecessárias, que atrapalhou a Seleção. Assim como Walisson, Edilson reclama que Bruno Guimarães não foi uma boa escolha para o pênalti. “O time inteiro estava meio fraco. Aqui estávamos esperando 2×0, com vitória brasileira”, lamenta o homem.

Vendedores de artigos decorativos e acessórios de vestuário também não conseguiam esconder a frustração com a saída da Seleção. Roberto Moura, 45 anos, é dono da loja Atacadão Biju, em Taguatinga, e descreve que investiu em peças variadas; desde blusas, adereços e até mesmo prendedores de cabelo personalizados com as cores da bandeira nacional. Apesar de ter vendido 80% do estoque, muitas peças ainda ficaram.

Mas o desapontamento vai além do trabalho. “A eliminação foi decepcionante, não demos sorte. Agora espero vender esses produtos no período eleitoral, que também sai bastante com os clientes de direita”, descreve o vendedor, cabisbaixo com o resultado. Nas palavras do empresário, o esperado seria uma vitória brasileira, seguido com uma evolução até as quartas de final.

Conexão e luto

A expectativa do título de hexacampeão da Copa do Mundo pode explicar a frustração brasileira. De acordo com o psicólogo Caíque Sousa, o campeonato é um dos maiores fenômenos de identidade compartilhada no Brasil. Para além do esporte, a admiração pelo esporte faz parte da expressão cultural, da socialização e, até mesmo, dos afetos. “Ao entrar em campo, a Seleção se torna um símbolo coletivo e âncora do nosso sentimento de pertecimento”, explica o coordenador do curso de Psicologia do Centro Universitário Módulo.

O resultado desse sentimento? Quando a derrota ocorre, o impacto é sentido com intensidade. De acordo com o especialista, ela provoca mais do que uma frustração esportiva, gera uma interrupção súbita em todo o investimento afetivo dos torcedores. Caíque Sousa descreve que é nesse contexto que surge o fenômeno do “luto esportivo”; um momento onde os torcedores processam uma perda significativa. “Com a eliminação, essa “casa imaginária” onde depositamos nossos afetos desaba. Por isso, após o apito final, é comum sentirmos um vazio, uma tristeza real, irritação ou uma necessidade de recolhimento”, finaliza o docente da Cruzeiro do Sul Virtual.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

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