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Drones e IA ajudam DF a combater criadouros do mosquito da dengue

O Distrito Federal registrou 10.203 casos suspeitos de dengue entre a primeira e...

O Distrito Federal registrou 10.203 casos suspeitos de dengue entre a primeira e a 34ª Semana Epidemiológica de 2026, segundo o mais recente boletim da Secretaria de Saúde (SES-DF), de 31 de agosto. Do total, 195 foram confirmados para a doença, sendo 14 com sinais de alarme, mas não havia registro de mortes. Nesse cenário, um trabalho silencioso e fundamental ocorre na regiões administrativas. Com o apoio de drones, os Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde (Avas), vão às ruas, entram em imóveis, identificam possíveis criadouros e orientam moradores para evitar que o mosquito se reproduza.

Durante o voo do equipamento tecnológico, realizado a cerca de 120 metros de altura, as imagens são processadas por um sistema de inteligência artificial capaz de identificar possíveis depósitos que podem servir de criadouro para o Aedes aegypti, como caixas-d’água sem tampa, piscinas, pneus e resíduos de obras espalhados. As imagens também passam por mecanismos de proteção de privacidade, com a retirada de pessoas identificadas nas fotografias.

De acordo com a pasta, o planejamento das ações divide o território do DF em cinco níveis de risco. Brazlândia, São Sebastião, Fercal, Estrutural, Varjão, Sol Nascente/Pôr do Sol e Arapoanga estão no Estrato 5, considerado o de maior atenção. No 4 estão Paranoá, Planaltina, Ceilândia, Itapoã, Sobradinho II, Recanto das Emas, Sobradinho e Água Quente.

Após o mapeamento, os dados são transformados em roteiros para os agentes, que visitam os imóveis indicados pela tecnologia. No caso de uma caixa-d’água aberta, por exemplo, o proprietário é orientado e recebe prazo para solucionar o problema. Em seguida, os agentes retornam para verificar se a situação foi resolvida. De acordo com os supervisores, a taxa de pendências tem ficado abaixo das metas estabelecidas. No último levantamento realizado no Sol Nascente, de 1,5 mil casas investigadas, 150 não foram alcançadas, e gerou cerca de 10% de imóveis pendentes.

O Correio acompanhou uma equipe dos Avas durante uma ação no Sol Nascente, uma das regiões classificadas pela pasta como prioridade máxima para as ações de vigilância e controle. Entre o trabalho feito pelos profissionais estão visitas domiciliares, monitoramento de armadilhas, uso de drones e tecnologias como as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs) e as ovitrampas. A atuação é planejada a partir de informações epidemiológicas e entomológicas, como o histórico de casos, a presença do mosquito e os resultados das armadilhas utilizadas para monitorar a infestação.

O subsecretário de Vigilância à Saúde (SVS) da SES-DF, Rodrigo Republicano, avaliou de forma positiva a luta contra a dengue na capital. “Até o momento, neste ano, conseguimos resultados expressivos a partir desse esforço conjunto. Mas precisamos continuar atentos. Mais de 80% dos focos do mosquito estão dentro das residências, por isso a participação da população é essencial”, destacou.

Supervisor dos agentes na região, Ernesto Araújo destacou que o trabalho tem um forte caráter educativo e investigativo. “Nosso trabalho é muito de orientação as pessoas. Muitos não sabem o risco que podem estar correndo”, afirmou. Segundo ele, as equipes explicam aos moradores que a vistoria não significa que o imóvel estará livre de risco por muito tempo, e reforçam necessidade de inspeções frequentes nos lares. 

Armadilhas

Além do uso dos drones, outro instrumento utilizado no combate são as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), recipiente cheio d’água que recebe um produto que impede o desenvolvimento das larvas. A estação não depende de um produto para atrair o mosquito, uma vez que a própria água chama a atenção da fêmea do Aedes aegypti. O mosquito entra em contato com o larvicida e pode levar a partícula para outros locais onde deposita os ovos. Com isso, o alcance do controle para criadouros que podem ser difíceis é ampliado.

Segundo dados da SES-DF, existem 2,2 mil estações instaladas em 2,2 mil imóveis no DF, acompanhadas por 15 agentes e um supervisor. Em 2025, eram cerca de 2,6 mil estações mantidas mensalmente, o equivalente a, aproximadamente, 31,2 mil visitas de manutenção durante o ano, uma vez que a manutenção das EDL é realizada mensalmente. 

População

Em um dos imóveis que recebem a tecnologia, a equipe verificou higienizou o recipiente para ser usado novamente. Para João Victor Gomes Lima, 26, morador beneficiado pela tecnologia, a presença dos agentes representa uma proteção adicional contra a doença. “Esse trabalho deles é nota 10. Já tive dengue, e foram os piores dias da minha vida”, afirmou.

A atuação também pode revelar problemas que passam despercebidos pelos oradores. A equipe identificou, por meio do mapeamento com drone, que uma das caixas-d’água estava sem tampa. O morador Jair Colares, 57, contou que não havia percebido o problema. “Depois do trabalho deles. há um ano ninguém foi picado. Fomos muito abençoados porque as pessoas passam muito mal e correm risco realmente de morte”, relatou.

As ferramentas são utilizadas de forma complementar. Enquanto as ovitrampas ajudam a indicar onde há maior presença do mosquito, os drones identificam possíveis criadouros e as EDLs atuam no controle da reprodução do inseto. As visitas domiciliares completam o trabalho com a inspeção direta dos imóveis e a orientação dos moradores.

Vacinação

A vacinação também é uma das principais ferramentas de prevenção e está disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme estratégia definida pelo Ministério da Saúde. O esquema é composto por duas doses, com intervalo de 90 dias. Os dados mais recentes da SES-DF indicam cobertura de 65,9% para a primeira dose e 41,3% para a segunda. (Veja os locais de vacinação no QR code.)

Segundo a pasta, caso a criança ou adolescente tenha sido diagnosticada com dengue, é necessário aguardar seis meses para iniciar o esquema vacinal. Caso tenha ocorrido contaminação por dengue após a primeira dose, deve-se manter a data prevista para a segunda dose, uma vez que haja um intervalo de 30 dias entre a infecção e a segunda dose. Ao identificar sintomas como febre, dores no corpo, dor de cabeça, manchas vermelhas ou mal-estar, a recomendação é procurar atendimento de saúde.

Apesar do avanço das tecnologias utilizadas pela Vigilância Ambiental, os agentes reforçam que nenhuma ferramenta substitui a eliminação de criadouros dentro dos imóveis. “Em casa, a recomendação é reservar pelo menos 10 minutos por semana para vistoriar quintais, caixas-d’água, vasos de plantas, calhas, pneus, garrafas e outros recipientes que possam acumular água. Caixas-d’água e reservatórios devem permanecer vedados, enquanto baldes e recipientes precisam ser guardados virados para baixo”, explicou a pasta. 

Outra tecnologia empregada no DF é o método Wolbachia, que utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria que leva o nome do projeto. O microrganismo reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, Zika e chikungunya pelo mosquito.

A implantação dessa iniciativa começou em setembro de 2025 em 10 regiões: Planaltina, Brazlândia, Sobradinho II, São Sebastião, Fercal, Estrutural, Varjão, Arapoanga, Paranoá e Itapoã. A liberação dos mosquitos foi encerrada em março de 2026 e, atualmente, a estratégia está na fase de monitoramento na população de mosquitos e do comportamento dos casos de dengue nas áreas atendidas.

Clima

Com o retorno do El Niño e a aproximação do período de maior circulação do Aedes aegypti, os cuidados contra a dengue devem ser reforçados. “O fenômeno climático não causa diretamente a doença, mas pode influenciar condições relacionadas à reprodução do mosquito, como temperaturas elevadas e alterações no regime de chuvas”, detalhou a secretaria de saúde. Segundo a pasta, os casos da doença crescem durante o período chuvoso e nos meses mais quentes.

Em parceria com Ministério da Saúde, a pasta elabora o Plano de Preparação do DF para o Enfrentamento dos Impactos El Niño. “O objetivo é estruturar as ações de preparação, contingência e resposta frente aos impactos à saúde pública decorrentes dos eventos do clima intensificados por esse fenômeno”, informou. O plano está em fase de elaboração e a Gerência de Vigilância Ambiental de Fatores Não Biológicos, da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival) desenvolve ações permanentes de preparação e resposta a eventos climáticos extremos.

Locais de vacinação

  • A campanha é exclusiva para todas as crianças e adolescentes de 10 anos completos a 14 anos de idade (14 anos, 11 meses e 29 dias)
  • São duas doses, com intervalo de 90 dias entre elas
  • Pais ou responsáveis devem levar com documento de identificação e a caderneta de vacinação
  • Segundo a pasta, há cerca de 5500 doses de dengue disponíveis

Fonte: SES-DF

Número de casos

Em 2024, até a 52ª Semana Epidemiológica (SE), o Distrito Federal notificou 324.776 casos suspeitos de dengue, entre eles, 284.278 foram considerados prováveis. O número representou um aumento de 594,5% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados 40.934 casos prováveis entre moradores do DF. Até 30 de dezembro de 2024, foram confirmadas ainda 440 mortes por dengue de residentes na capital, considerado o ano de maior crise da doença.

Já em 2025, até a SE 52, foram notificados 24.759 casos suspeitos da doença, sendo 11.875 classificados como prováveis. O resultado representa uma redução de aproximadamente 95,8% nos casos prováveis em comparação com o mesmo período de 2024, quando havia sido contabilizados 284.278 registros. Os dados mostram uma forte queda na circulação da dengue no DF após o cenário de alta registrado no ano anterior.

Fonte: SES-DF

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Ed Alves/CB/D.A Press

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