O Distrito Federal está entre as unidades da Federação com maior interesse por canetas emagrecedoras comercializadas ilegalmente no país. Levantamento publicado na revista científica Ciência & Saúde Coletiva mostra que a capital federal ocupa a terceira posição nacional nas buscas on-line por medicamentos sem autorização sanitária, atrás apenas de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
A pesquisa “Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil” analisou dados do Google Trends referentes às buscas pelos termos Lipoless, Retatrutide, Tirzec, Lipoland e T.G. entre 4 de maio de 2025 e 3 de maio de 2026. Segundo o estudo, Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes. Em seguida, aparecem Mato Grosso, com 48,8 por milhão, e o Distrito Federal, com 39 buscas por milhão de habitantes. Em contraste, São Paulo apresentou a menor taxa do país, com apenas 2,5 pesquisas por milhão de moradores.
Os pesquisadores Cláudia Galhardi, Neyson Freire, Renata Pereira e Janaina Kanni identificaram diferenças estatisticamente significativas entre as regiões brasileiras, com destaque para o Centro-Oeste, que concentrou os maiores índices de interesse pelos produtos clandestinos.
Os dados também revelam uma rápida expansão da procura ao longo do período analisado. Entre junho de 2025 e janeiro de 2026, as buscas agregadas cresceram, em média, 6,29% por semana, indicando aumento contínuo do interesse dos brasileiros pelas chamadas “canetas paraguaias”.
Os autores associam o fenômeno à popularização de medicamentos para emagrecimento, à circulação de informações enganosas nas plataformas digitais e à busca por alternativas mais baratas diante dos elevados preços dos produtos regularmente comercializados em farmácias.
A Anvisa alerta que o consumo de medicamentos sem registro na Agência representa riscos significativos à saúde. Sem garantia de procedência, armazenamento adequado ou composição química conhecida, os produtos podem conter doses inadequadas do princípio ativo, substâncias diferentes das anunciadas ou até contaminantes.
Para os autores do estudo, o cenário evidencia a necessidade de ampliar a vigilância sanitária digital, fortalecer campanhas de comunicação em saúde e aperfeiçoar mecanismos de fiscalização do comércio eletrônico para conter o avanço desse mercado ilegal e proteger os consumidores.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
Fonte Correio Braziliense
Foto: Reprodução/Anvisa








