Cerca de 625 mil pessoas precisam de cuidados paliativos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, apenas 14% desse público têm acesso efetivo a essa abordagem. No Sistema Único de Saúde (SUS), o cenário é ainda mais desafiador: menos de 10% dos hospitais contam com serviços estruturados na área.
Com o objetivo de fortalecer e qualificar esse tipo de assistência, profissionais do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) participaram, nessa quarta-feira (11), do treinamento Cuidados Paliativos em Pacientes Críticos, realizado no auditório da unidade. A capacitação foi voltada, principalmente, às equipes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e do box de emergência.
A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Cuidados Paliativos, instituída em 2024, que prevê a integração dessa abordagem em todos os níveis de atenção do SUS, incluindo serviços de urgência, emergência e terapia intensiva.
Para o médico paliativista e chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Arthur Amaral, ainda é preciso desconstruir um conceito equivocado bastante comum. “Uma das maiores barreiras é a falsa ideia de que cuidados paliativos representam a ausência de tratamento. As evidências científicas mostram exatamente o contrário, uma vez que pacientes com tratamento precoce apresentam melhor qualidade de vida e, em alguns casos, até maior sobrevida quando comparados àqueles que recebem apenas terapias convencionais”, explica.
Cuidado proporcional e redução do sofrimento
Segundo o especialista, nas UTIs — onde a taxa de mortalidade varia entre 20% e 35% — a abordagem paliativa torna-se ainda mais relevante. Pacientes frágeis, com múltiplas comorbidades, falências orgânicas, reinternações frequentes ou submetidos a procedimentos invasivos de grande porte estão entre os que mais se beneficiam desse cuidado.
“A recomendação é iniciar os cuidados paliativos o mais cedo possível, permitindo que o plano terapêutico priorize a redução do sofrimento e a proporcionalidade das intervenções”, destaca o médico.
A capacitação teve como foco preparar a equipe multiprofissional para identificar precocemente a necessidade desse tipo de cuidado em pacientes críticos, qualificar a comunicação com familiares, subsidiar decisões clínicas complexas e promover uma assistência ética, proporcional e centrada na pessoa.
Para a assistente social do HRSM, Nubia Maria dos Santos, pós-graduada em cuidados paliativos, o conceito de sucesso terapêutico, nesse contexto, vai além da técnica. “O verdadeiro sucesso está alinhado aos valores, aos desejos e à história de vida do paciente. O papel da saúde é assegurar dignidade, conforto e cuidado até o fim”, ressalta.
Decisão compartilhada e humanização
O médico Arthur Amaral destaca ainda que as decisões devem ser construídas de forma compartilhada, envolvendo equipe de saúde, paciente e familiares. Comunicação empática, planejamento antecipado de cuidados e respeito à autonomia são pilares da abordagem, que busca evitar tanto a obstinação terapêutica quanto a negligência assistencial.
O treinamento terá nova edição nesta quinta-feira (12), com o objetivo de alcançar profissionais de outros plantões e ampliar o acesso à capacitação na unidade.
*Com informações do IgesDF
Por Revista Plano B
Fonte Agência Brasília
Foto: Divulgação/IgesDF







