A menos de 20 dias das convenções partidárias, a campanha do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, passa por nova turbulência. Alguns expoentes do partido dizem, nos bastidores, que o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não está confirmado como o nome da sigla no pleito deste ano. Nessa quarta-feira, a crise envolvendo o senador ganhou novos contornos após críticas de um aliado. Fábio Wajngarten, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, defendeu reformulação imediata da equipe de campanha do parlamentar.
Em publicação nas redes sociais, Wajngarten fez um apelo direto ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto: “Caro presidente Valdemar, time que não performa tem que mexer”, escreveu. Na sequência, sugeriu mudanças na estrutura da campanha, com a nomeação de Marcello Lopes, o “Marcelão”, para a coordenação-geral; Duda Lima para a Diretoria de Operações da Comunicação; Walter Longo para o planejamento estratégico; e Antônio “Toninho” para a direção de criação.
A manifestação também propõe maior protagonismo para representantes de segmentos considerados estratégicos para o eleitorado conservador. O ex-assessor de Bolsonaro defende que lideranças católicas, evangélicas, do agronegócio, da segurança pública, da área médica, da educação e do varejo passem a participar de reuniões semanais, com atualizações diárias sobre a campanha.Play Video
“Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo. Ninguém quer mais o PT”, escreveu.
A cobrança intensifica o período de turbulência na pré-campanha de Flávio. Nas últimas semanas, a equipe enfrentou desgastes provocados pela repercussão do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master, mudanças na área de comunicação e divergências internas que culminaram na saída de Marcello Lopes da coordenação da campanha. O Correio entrou em contato com Valdemar Costa Neto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.
Outro capítulo da crise envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que pode ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela acusou o enteado de misoginia. Afirmou que foi “desrespeitada” e “humilhada” por ele durante uma ligação no fim do ano passado. O motivo da hostilidade foi a oposição de Michelle ao apoio do partido ao ex-governador Ciro Gomes no Ceará. A ex-primeira-dama alegou, também, seguir orientações do marido, Jair Bolsonaro. No entanto, de acordo com Michelle, Flávio Bolsonaro se irritou, e ambos tiveram uma discussão por telefone. Dias depois, a ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher.
Em coletiva de imprensa, nessa quarta-feira, Costa Neto disse esperar uma reconciliação entre os dois brevemente. “Nesses 20 dias, deve ter uma reaproximação da Michelle Bolsonaro com o Flávio. A Michelle é uma pessoa especial, fez um trabalho com as mulheres do Brasil que nunca ninguém teve essa oportunidade. Ela conseguiu isso não por causa do tamanho do partido, mas por valores pessoais dela”, argumentou.
Talento
Costa destacou esperar que Michelle seja candidata nas eleições deste ano. “Ela tem talento, e precisamos dela com a gente. Não podemos sair brigando dentro de casa. Temos que ajustar isso aí nos próximos 20 dias, pois a nossa convenção nacional é dia 25. Ela tem passado por situações com o marido dela que descontrola qualquer pessoa. Hoje mesmo a Polícia Federal esteve lá. Eles não têm paz”, completou, numa referência à operação de busca a apreensão da PF, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em busca de eventuais armas na casa do ex-chefe do Executivo.
Outro fator que preocupa a campanha de Flávio é a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella. Ele foi detido em flagrante, na terça-feira, após a Polícia Federal encontrar um fuzil em um carro ligado a ele durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne.
Canella era inicialmente alvo de um mandado de busca e apreensão. Porém, foi preso após a localização do fuzil 556, de uso restrito. Além disso, é suspeito de envolvimento em um megaesquema de lavagem de dinheiro, que teria usado postos de combustíveis para movimentar R$ 7,6 bilhões no Rio de Janeiro. Canellas era o nome defendido por Flávio para o Senado pelo estado.
Além disso, as ligações com o aliado em solo fluminense vão além do apoio político. A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, é a primeira suplente na chapa ao Senado de Canella. O acordo para a indicação dela na composição foi costurado pelo próprio senador. Rogéria também é mãe de Carlos e Eduardo Bolsonaro, exerceu dois mandatos como vereadora no Rio entre 1993 e 2000. A presença dela na chapa ressalta a importância da aliança do ex-prefeito com o grupo bolsonarista.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Reprodução/YouTube Flávio Bolsonaro








