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Comércio aposta no crescimento das vendas para o Dia das crianças

Com a aproximação do Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, o...

Com a aproximação do Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, o comércio do Distrito Federal ajusta as expectativas para uma das datas mais rentáveis do varejo local. Com as pesquisas antecipadas de preços e a busca por alternativas mais acessíveis por parte dos consumidores, o setor projeta um desempenho positivo, embora pautado por um perfil de consumo mais cauteloso.

Segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio-DF), 61,9% dos consumidores pretendem presentear neste período. Entre os empresários, mais da metade acredita em um desempenho de vendas semelhante ao de 2025, enquanto 45% apostam em resultados superiores e apenas 4,3% preveem queda. O valor médio estimado para as compras é de R$ 186, abaixo dos R$ 232 registrados no ano passado. 

Mesmo diante de gastos mais contidos, o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF) projeta um avanço de 7,4% nas vendas em relação aos 5,8% de 2025, com o gasto médio com presentes passando de R$ 136 para R$ 148 — indicadores associados a uma ligeira melhora na economia e ao fato de a data sensibilizar os consumidores. 

“Embora o ritmo de crescimento esperado seja mais moderado, o cenário para o Dia das Crianças continua positivo: 60% demonstraram intenção de compra, ainda que o valor médio esteja menor que no ano passado. Isso mostra que estão pensando em manter a tradição de presentear”, avalia José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio-DF.

Os favoritos

As pesquisas da Fecomércio-DF indicam que os brinquedos continuam no topo da lista de preferências, somando 54,1% das intenções de escolha, seguidos por roupas e acessórios e calçados. As lojas físicas de rua, de bairro e shoppings centers concentram 58,4% da preferência dos compradores, reforçando a tradição de ir presencialmente aos estabelecimentos.

Para atender a esse fluxo, empreendimentos apostam em formatos específicos para atrair o público. É o caso do saldão promovido antes da data festiva e no Natal pela Ciatoy, que opera no mesmo local há três anos com promoções que chegam a 80% de desconto. “Nossa intenção é abranger crianças de todas as classes sociais, dando a oportunidade de elas terem um brinquedo novo. Tivemos um crescimento de público entre 20% e 30% em relação aos anos anteriores, impulsionado por novidades como livros e bicicletinhas de equilíbrio, além de itens da Mattel, Barbie e bonecas”, relata Adriana Pereira, gerente do saldão.

Ela destaca que, embora o e-commerce exerça concorrência sobre as lojas físicas, a movimentação presencial superou as expectativas iniciais. Para suprir a demanda, a operação exigiu a contratação temporária de funcionários, somando 100 colaboradores na unidade e gerando um aumento de 30% no quadro das lojas.

Custo-benefício

A busca por itens educativos a preços acessíveis direcionou a decisão do casal Aline de Moura, 28 anos, e Maurício Veloso, 35, moradores de Ceilândia. Em vez de predefinirem um valor fixo de orçamento, os pais de João Vicente, de 2 anos, aproveitaram a visita à loja física para selecionar mais de 20 livros com valores entre R$ 3 e R$ 10 para estimular o filho em casa.

“Achamos muitas opções para estimular a aprendizagem dele, em vez de colocá-lo na escolinha agora. A compra não foi um pedido, mas ele tem o hábito de ver historinhas antes de dormir. O custo-benefício valeu a pena”, relata Aline. O casal optou pelo pagamento no cartão de crédito, sem parcelamento.

No segmento de vestuário e artigos infantis, a experiência presencial divide espaço com a crescente demanda por canais digitais. Na Amora Kids, no SIA, voltada para o público de 1 a 16 anos, as vendas registram uma alta estimada em 15% durante a temporada.

“As mães de crianças menores preferem roupas alegres e lúdicas, com um orçamento até R$ 130, pois os filhos perdem peças rápido. Para as meninas de 9 a 10 anos a procura maior é por bolsinhas, gloss e acessórios, com gastos que chegam a R$ 250”, detalha a proprietária Stephanie Bispo.

Ela enfatiza que, além da loja física, que funciona de terça a domingo, os canais digitais atraem pais em busca de comodidade: “A procura pelo atendimento on-line via WhatsApp e site cresceu cerca de 20%, pois muitas famílias não têm tempo de ir presencialmente”. A maior parte dos clientes da loja física prefere efetuar o pagamento parcelado no cartão de crédito.

Orçamento planejado

Para otimizar o tempo e contemplar múltiplos presenteados, há quem prefira planejar as compras presencialmente e de forma individual. Luana Moreira, 33, moradora de Valparaíso, organizou um percurso sem a presença dos filhos de 3 e 6 anos para garantir itens surpresa. Ao todo, encheu carrinhos para presentear oito crianças da família, combinando escolhas pessoais e encomendas de avós.

“Minha intenção é não passar de R$ 200 na minha parte e em cerca de R$ 400 no total de cada avó. Priorizei itens com boa qualidade e preços viáveis, como areia cinética, massinhas da Play-Doh, cadernos de colorir com páginas mais grossas e pequenos brinquedos de escavar. Comprar na loja física me permitiu conferir o material de perto e antecipar as compras antes do feriado”, afirma.

Conforme aponta o presidente do Sindivarejista, Sebastião Abritta, o feriado de 12 de outubro, em uma segunda-feira, deve antecipar o movimento do comércio a partir de quinta-feira. “Muitos pais levam os filhos às lojas para escolherem os presentes que desejam ganhar, o que evita trocas posteriores. Por isso, o comércio de rua e de shoppings funcionará normalmente no feriado”, ressalta Abritta.

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Ed Alves/CB/D.A Press

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