Prevenção ao feminicídio, acolhimento a vítimas e papel das instituições públicas no aperfeiçoamento das redes de cuidado foram os temas discutidos no painel Vidas Interrompidas — A jornada da mulher em busca de proteção do Estado, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), nesta quarta-feira (26/8). Mediado pela secretária-geral adjunta de Controle Externo do TCU, Tânia Lopes Pimenta Chioato, o encontro reuniu magistrados, policiais e especialistas em violência contra a mulher.
No primeiro painel, o pastor e teólogo Ed René Kivitz trouxe uma reflexão voltada ao engajamento masculino e à urgência da autocrítica para desestruturar a cultura patriarcal. “É imperativo que nós, homens, iniciemos um diálogo profundo sobre a nossa própria subjetividade. Precisamos aprender a identificar e nomear os sentimentos que nos habitam”, sustentou o teólogo, enfatizando que a posse e a violência mascaradas de afeto destoam da essência espiritual.
No segundo painel, a assistente social e conselheira tutelar Solange Santos destacou a distância entre o arcabouço normativo e a realidade material vivida por mulheres vulneráveis. “As políticas públicas existem e há leis muito bonitas no papel, mas, na hora do acesso, a burocracia dificulta. Tive a oportunidade de ouvir de várias delas a frase: ‘Ruim com ele, pior sem ele'”, relatou, defendendo espaços de escuta qualificada que antecedam o ambiente hostil das delegacias.Play Video
Ao abordar o preparo das forças de segurança e dos servidores públicos, a ex-delegada da Polícia Civil do Distrito Federal Grace Justa pontuou que o aprimoramento técnico não basta se não houver empatia. “A gente fala muito de capacitação, mas antes tem uma coisa chamada sensibilização. A pessoa passa por 500 capacitações, mas, se o coração não estiver convencido, ela não vai acreditar na causa”, afirmou Grace Justa.
Grace chamou a atenção, ainda, para a lentidão na concessão de benefícios sociais. “Nessa hora, a burocracia tem que ser muito reduzida, porque o tempo urge; senão, a mulher pode morrer. A longo prazo, a resposta é a educação; sem ela, não conseguimos mudar a violência nem a realidade do país”, frisou a presidente do Instituto Umanizzare, que atende mulheres em situação de violência.
O juiz de direito substituto do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Heversom D’Abadia Teixeira Borges enfatizou que o acolhimento humanizado é a chave para evitar a desistência das denúncias e que o afastamento do agressor precisa vir acompanhado de amparo social. Ferramentas como a tornozeleira eletrônica e o acompanhamento ativo têm, segundo ele, alto índice de sucesso no DF, mas exigem que a sociedade abandone a omissão. “Devemos superar conceitos obsoletos como ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. A proteção à mulher é uma responsabilidade coletiva; nossas vizinhas, filhas e mães precisam do nosso olhar atento”, concluiu o juiz.
Onde pedir ajuda
- Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Uma viatura é enviada imediatamente até o local. Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
- Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF).
E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
WhatsApp: (61) 98626-1197
Site: https://www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher - Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, além de reclamações, sugestões e elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
- Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam): funcionamento 24 horas por dia, todos os dias.
- Deam 1: previne, reprime e investiga os crimes praticados contra a mulher em todo o DF, à exceção de Ceilândia.
Endereço: EQS 204/205, Asa Sul.
Telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673
E-mail: deam_sa@pcdf.df.gov.br - Deam 2: previne, reprime e investiga crimes contra a mulher praticados em Ceilândia.
Endereço: St. M QNM 2, Ceilândia
Telefoes: 3207-7391 / 3207-7408 / 3207-7438
Fonte Correio Braziliense
Foto: Divulgação/Sindilegis









