A retomada das atividades da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta terça-feira (4/8), marcou o início do segundo semestre de trabalho dos deputados distritais em um período considerado atípico por causa das eleições de 2026. A primeira sessão ordinária, realizada às 15h, teve caráter de abertura e não houve ordem do dia para votação de projetos. Ainda assim, parlamentares da base e da oposição anteciparam as prioridades e os principais embates que devem marcar os próximos meses.
O presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), afirmou que, apesar do calendário eleitoral, a Casa continuará analisando e votando matérias consideradas relevantes para a população. Segundo ele, a expectativa é manter o ritmo dos trabalhos até o período das eleições.
“Hoje foi apenas a abertura, então, não teve ordem do dia, mas a expectativa é que a Câmara continue votando aqueles projetos importantes. Claro, é um semestre atípico por conta das eleições, estamos a pouco mais de 60 dias, é natural que haja um trabalho nesse sentido, mas a Câmara não vai se furtar de cumprir suas obrigações e votar aquilo que é de interesse da população”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que a responsabilidade do Legislativo é assegurar a continuidade da pauta, independentemente do cenário eleitoral. “Essa é a nossa obrigação. Cumprir a nossa meta com aqueles projetos que são importantes. À medida que o Executivo e o Legislativo apresentarem projetos que de fato se destaquem pelas necessidades da população, nós vamos cuidar deles com prioridade”, disse.
Entre os temas prioritários para este semestre, Wellington Luiz citou projetos da área fundiária, a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), pedidos de crédito e propostas ligadas ao transporte público e ao funcionamento da administração distrital. Questionado sobre possíveis discussões envolvendo o Banco de Brasília (BRB), respondeu que espera que o assunto não volte à pauta: “Quanto ao BRB, se Deus quiser, essa página está virada. Espero que a gente não tenha que discutir nada nesse segundo semestre”.
Oposição
Pela oposição, o líder da Minoria, deputado Gabriel Magno (PT), criticou o esvaziamento da sessão de abertura e a ausência de representantes do Governo do Distrito Federal. Segundo ele, a falta de participação do Executivo rompe uma tradição institucional e enfraquece o diálogo entre os poderes.
“Não têm parlamentares, o governo não veio, mais uma vez. É uma tradição na abertura dos trabalhos legislativos a presença do Poder Executivo e a leitura de uma carta do governador, da vice-governadora ou de algum representante. Eles já não fizeram isso no início do ano e, mais uma vez, repetem”, disse.
O deputado também cobrou respostas sobre a situação do BRB e defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso. “Para nós, a prioridade deveria ser a CPI do Banco Master e do BRB. A população precisa saber onde está o dinheiro que foi roubado”, declarou.
Gabriel Magno destacou que a oposição pretende concentrar esforços na fiscalização das políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, educação e assistência social, além de acompanhar a execução do orçamento e a destinação dos recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal. De acordo com ele, a Câmara também deverá discutir os impactos da política de internação compulsória aprovada no primeiro semestre.
Base governista
Na avaliação do deputado Jorge Vianna (Democrata), líder do governo na CLDF, as definições partidárias ainda influenciam o ambiente político. “Ainda temos partidos em aberto para fazer convenções. É um momento muito tenso dos candidatos. Eu mesmo tive minha convenção ontem. Até resolver toda essa questão ficamos um pouco tens”, disse.
O deputado afirmou que a Câmara deve manter como prioridades temas ligados à mobilidade urbana e à saúde pública. Ele também demonstrou otimismo com o cenário fiscal do Distrito Federal. “Continuamos com aquelas pautas prioritárias, que são mobilidade, porque estamos tendo problemas com mobilidade, e também a saúde. Agora, com uma melhor avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag) e um melhor equilíbrio das contas, a gente pode pensar em voltar à normalidade até o fim do ano”, avaliou.
Ao comentar as críticas da oposição sobre o caso envolvendo o BRB e o Banco Master, Jorge Vianna afirmou que o tema deve permanecer no centro do debate eleitoral. “Essa vai ser a pauta da campanha. A esquerda vai sempre usar a pauta Banco Master para atacar o governo”, disse.
O parlamentar também afirmou acreditar que novas definições sobre o caso não devem ocorrer antes do fim das eleições. “De tudo que aconteceu, o que ficou provado? Por que nada aconteceu ainda? Essa é uma pauta que tem muita gente grande envolvida e, por isso, está travada. Tenho certeza de que, até o final da eleição, nada mais vai acontecer”, declarou. Segundo ele, o assunto continuará sendo explorado politicamente durante a campanha. “É uma pauta muito utilizada pela Esquerda porque é o que vai deixar a população sempre na dúvida”, concluiu.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Carlos Silva/CB








