A composição da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para a próxima legislatura será marcada pela continuidade do quadro político e por uma baixa taxa de renovação. Dos 24 deputados distritais escolhidos nas urnas, 18 conseguiram a reeleição e mantiveram suas cadeiras na Casa, confirmando a preferência do eleitorado pela manutenção de mandatos consolidados, e apenas seis novos nomes chegaram ao parlamento local. A base do atual Governo do Distrito Federal (GDF) também se manteve forte, com 17 distritais. Os votos brancos, nulos e abstenções somaram 544.444, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Quinze eleitos se declararam brancos, seis pardos e três pretos. O maior destaque da eleição para distrital foi a expressiva votação de Max Maciel (PSOL). O parlamentar reeleito alcançou 92.234 votos e consagrou-se como o deputado distrital mais votado da história da CLDF. Com o resultado, Max superou a marca histórica anterior estabelecida por Fábio Felix (PSOL) no pleito de 2022, quando havia conquistado 51.792 votos.
A bancada feminina teve um leve avanço em relação à última eleição, garantindo cinco das 24 vagas do parlamento local. As representantes femininas na Casa serão Jaqueline Silva (MDB) e Dayse Amarilio (PSB), que garantiram novo mandato, ao lado das recém-eleitas Estefane Sampaio (Republicanos), Keka Bagno (PSol) e Renata d’Aguiar (Republicanos).
Estreantes
Embora a maioria das vagas tenha ficado com nomes veteranos, o pleito reservou surpresas e abriu espaço para rostos novos de diferentes perfis ideológicos. Entre os estreantes na CLDF, destaca-se a ascensão de jovens lideranças conservadoras impulsionadas pelas redes sociais, como a bacharel em direito Estefane Sampaio e o influenciador digital Victor Jansen (PL), ambos de 25 anos, além do empresário André Kubitschek (PL), bisneto do fundador da capital, Juscelino Kubitschek, e a auditora do Tesouro Nacional Renata d’Aguiar (Republicanos).
No campo das novidades à esquerda e no setor social, estão o advogado e ativista da cultura Múcio (PSB), a assistente social Keka Bagno (PSol). O cenário de novidades no plenário completa-se com o retorno do ex-deputado Rôney Nemer (PP) ao Legislativo distrital. Jorge Vianna (Democrata), Iolando (MDB) e Doutora Jane (Republicanos) não conseguiram se reeleger.
Três perguntas para
Henrique Hellas é cientista político da assessoria Continuum Private
Como avalia o resultado das urnas para a CLDF em termos de renovação e perfil dos eleitos?
Vejo um cenário de muito mais continuidade do que de renovação. Dos 24 deputados eleitos, apenas seis são novos nomes, o que representa uma taxa de renovação de 25% — um índice baixo em comparação com eleições anteriores. Na prática, três quartos do plenário já conhecem a dinâmica regimental da Casa e a articulação com o Poder Executivo. O eleitor brasiliense optou por manter o projeto em andamento, embora a chegada de parlamentares mais jovens deva introduzir novas pautas no debate público e uma comunicação política diferenciada.
Como fica a distribuição de forças ideológicas e qual partido terá o maior peso na liderança do plenário?
O centro de gravidade da Câmara está consolidado na centro-direita, campo que reúne cerca de 17 das 24 cadeiras, enquanto a centro-esquerda fica com aproximadamente sete representantes. O PL obteve a maior bancada individual, com cinco deputados distritais, mas não possui força suficiente para governar a Casa sozinho. O partido dependerá do apoio de legendas estratégicas como MDB, Republicanos, União Brasil e PP. É preciso separar ideologia de governabilidade: na CLDF, a capacidade de formar blocos partidários e negociar a pauta de votações costuma pesar tanto quanto a identidade ideológica.
De que forma o resultado do segundo turno para o Palácio do Buriti afetará o relacionamento do próximo governador com a CLDF?
A organização das bancadas mudará radicalmente a depender do vencedor. Com uma eventual vitória de Celina Leão (PP), o governo começará com ampla vantagem, dada a afinidade da maioria dos distritais de centro-direita com a atual gestão. O desafio de Celina será menos o de construir uma base e mais o de administrar os diferentes objetivos partidários dentro de uma maioria tão ampla. Já se Leandro Grass (PT) for eleito, o cenário se inverte: ele teria em torno de sete deputados ideologicamente alinhados e precisaria buscar apoio no centro e na centro-direita para aprovar projetos, o que daria à Câmara um poder de negociação consideravelmente maior.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press









