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Caiado intensifica os ataques contra Flávio

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), intensificou as críticas ao...

candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), intensificou as críticas ao rival Flávio Bolsonaro (PL). Desde domingo eles vinham trocando acusações sobre quem estaria “ajudando” mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha à reeleição, mas, ontem, o ex-governador de Goiás partiu para o ataque com a ajuda do seu vice, Gilberto Kassab.

Flávio e Caiado começaram a se estranhar depois que Kassab afirmou, na semana passada, que o filho 01 tem “chance zero” de chegar ao Palácio do Planalto. Pelas redes sociais, o senador criticou os candidatos que se apresentam como representantes da direita, afirmando que esperava que todos estivessem contra o PT. O ex-governador não deixou barato.

“Realmente, eles estão desesperados. Não conseguem. Todo dia é um problema. Todo dia é uma explicação. É uma surpresinha todo dia”, afirmou Caiado, acrescentando que sua candidatura é independente e que sempre atuou contra a esquerda.

O ex-governador continuou no ataque. Numa entrevista ao canal MyNews, questionou a legitimidade de Flávio para representar o agronegócio. “Eu sou a raiz, eu não sou sabor agro”, ironizou Caiado, ao responder uma pergunta sobre as razões pelas quais parte do setor apoia o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o presidenciável do PSD, Flávio “não entende” do assunto para um debate. “Onde você tem agricultura investindo e abrindo fronteira, a renda per capita, a saúde, a escolaridade e a condição de vida das pessoas são melhores”, afirmou, dando como exemplos a região do Matopiba (integrada por trechos do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia), de Goiás e do Mato Grosso.

Marqueteiro

Essa mudança de postura de Caiado em relação a Flávio teria sido a razão para a mudança no marqueteiro da campanha. A assessoria de imprensa do PSD divulgou nota, na noite de ontem, anunciando que Paulo Vasconcelos foi substituído por outro profissional da área. “A nova linha de comunicação será conduzida pelo publicitário Marcos Carvalho”, anuncia a campanha. Nos bastidores, a avaliação é de que a troca se deu por causa da mudança da postura de Caiado em relação aos demais adversários do espectro da direita. As críticas dele a Flávio teriam ido na direção contrária à orientação de Vasconcelos de concentrar quase exclusivamente os ataques em Lula e no PT.

Kassab, por sua vez, voltou a fustigar Flávio. O vice de Caiado disse, ontem, que o fato de partidos do Centrão não terem embarcado no apoio à candidatura do filho 01 foi positivo para seu partido. Conforme disse, o PSD não pertence ao Centrão porque resolveu lançar Caiado à Presidência.

“À medida que o Flávio contava com o Centrão, e agora não conta mais, ele perdeu o tempo de televisão. Se ele perdeu o tempo de televisão, esse tempo veio para o Caiado, uma grande parte. Então, foi bom para o Caiado”, disse, em conversa com a imprensa após participar de evento organizado pelo Grupo Voto, em São Paulo. “O PSD lançou o candidato porque acha que é a melhor alternativa para o Brasil para evitar o PT ou o PL, o Bolsonaro ou o Lula. Aqueles que não querem o Lula são 50% da população brasileira”, salientou.

Na avaliação de Kassab, a campanha de Flávio está “preocupada” com Caiado. “Eles não estão preocupados com o Romeu Zema, nem com Renan Santos. Então é jogo político, é jogo da campanha”, provocou.

O filho 01, porém, não contra-atacou Caiado ou Kassab. Preferiu atacar Lula com a divulgação de diálogos entre o filho do presidente, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Disse que o Brasil “não é uma Suíça”, aproveitando o comentário que ela fizera em um diálogo com Lulinha. E acusou o filho do presidente de ter recebido dinheiro do escândalo do desconto dos aposentados e pensionistas do INSS.

Além disso, Flávio concentrou esforços em Minas Gerais, estado que representa o segundo maior colégio eleitoral do país e onde o arco de apoios está confuso para o candidato do PL. Mais cedo, cancelou um evento em Juiz de Fora por causa das condições meteorológicas. A cidade tem um significado quase místico para o bolsonarismo: é onde o pai foi esfaqueado, em 2018, numa passeata pela campanha presidencial. Apesar de ter ficado em delicada situação de saúde, os analistas consideram que foi a partir desse episódio é que a postulação presidencial encorpou e levou Bolsonaro à vitória.

Flávio iria participar e discursar em uma motociata. O percurso total de 7,8 km teria início no aeroporto Francisco Álvares de Assis (Aeroporto da Serrinha) e seguiria até a Praça da Estação (Praça Doutor João Penido), no Centro de Juiz de Fora.

Mesmo sem a presença de Flávio, o deputado Nikolas Ferreira (PL) levou à frente o ato em Juiz de Fora. Eles, porém, estarão juntos em um ato no comitê do parlamentar em Belo Horizonte. Os dois farão um “adesivaço” e concedem coletiva de imprensa. Eles trabalham para aumentar a popularidade do bolsonarismo na capital mineira, além de tentarem turbinar a campanha do candidato do partido ao governo, Flávio Roscoe.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

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