Para alguns, a sorte grande tem nome de destino turístico. Para outros, significa tranquilidade financeira, a possibilidade de recomeçar em outro país ou a chance de ajudar quem enfrenta dificuldades. Com R$ 185 milhões em jogo na Mega-Sena, moradores do Distrito Federal transformam a expectativa pelo próximo sorteio em planos que vão muito além dos números marcados no volante. Há quem nunca tenha viajado e queira conhecer as paisagens do próprio país, quem espere há mais de 10 anos por uma combinação vencedora e quem veja na fortuna uma oportunidade de continuar uma história de solidariedade.
O prêmio acumulou depois que ninguém acertou as seis dezenas do concurso realizado no último domingo (18/10). Os números sorteados foram 12, 22, 41, 45, 51 e 52. O próximo sorteio está previsto para esta terça-feira (20/10), às 21h, no horário de Brasília. A bolada estimada em R$ 185 milhões faz a imaginação correr solta entre os apostadores, cada um com uma ideia diferente sobre como aproveitaria a mudança de vida.
Aos 52 anos, a copeira Ana Paula Araújo, moradora do Recanto das Emas, tem um destino definido: os Lençóis Maranhenses, no Maranhão. Ela conta que nunca viajou para conhecer outras partes do Brasil e gostaria de aproveitar a oportunidade para descobrir paisagens que, até agora, só fazem parte de seus planos. ”Eu nunca saí daqui de Brasília, meu sonho é viajar, conhecer o Brasil. Aqui tem muito lugar bonito”, afirma.
A vontade de conhecer o parque nacional, famoso pelas dunas de areia branca e lagoas formadas pelas chuvas, acompanha Ana Paula há tempos. “Lá é meu sonho. Porque é caríssimo, né, para poder ir para lá. Tem que guardar dinheiro, porque barato não é. Mas ainda vou lá”, comenta.
A copeira também pretende investir parte do dinheiro, para que a fortuna não desapareça com o passar do tempo. A ideia é aproveitar a oportunidade sem abrir mão da segurança financeira. “Tem que investir para não acabar o dinheiro e trabalhar, porque o dinheiro acaba.”
Uma hora vai dar certo
A confiança também move Enoi dos Santos, jardineiro de 67 anos, morador de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Ele aposta na Mega-Sena e na Lotofácil há mais de dez anos. Até hoje, não conquistou o prêmio principal, mas a ausência de uma grande vitória não o fez abandonar a expectativa. “Jogo direto, tem mais de 10 anos. Sempre jogo, sempre jogo”, conta.
A persistência aparece na maneira como ele fala sobre a possibilidade de ganhar. Enoi sabe que ainda não chegou sua vez, mas não descarta que o próximo sorteio possa mudar esse cenário. “Nunca ganhei, ainda. Só experiência. Mas uma hora vai dar certo. Uma hora vai, eu sei que vai”, afirma.
Se os números escolhidos forem sorteados, o jardineiro pretende ajudar pessoas próximas a ele, mas também há espaço para realizar desejos pessoais: Enoi gostaria de deixar o Brasil e, se pudesse escolher um país, iria para Espanha.
A mudança de país abriria caminho para conhecer outra cultura e experimentar uma rotina diferente. Entre os planos, ele menciona até a possibilidade de “tomar vinho com as espanholas”, em tom descontraído.
Continuação de uma história
Para a diarista Marizete Marinho dos Santos, de 74 anos, moradora do Setor O, a fortuna teria um propósito especial. Ela quer construir um espaço para acolher pessoas em situação de rua, contratar profissionais para cuidar delas e oferecer condições mais dignas a quem vive sem moradia.
A vontade está ligada à história da própria família. Marizete conta que a mãe, que morreu aos 100 anos, mantinha uma casa onde ajudava crianças em situação de rua. Se ganhar o prêmio, ela pretende dar continuidade ao trabalho materno e ampliar o cuidado para outras pessoas em situação de vulnerabilidade. “Se eu ganhar, eu quero cuidar dos velhinhos e das crianças com câncer e tirar todo mundo que não tem ujm teto da rua”, afirma.
A diarista diz que se incomoda ao ver pessoas em situação de rua sem acesso às condições básicas de higiene e alimentação. Ao passar pela rodoviária, relata sentir tristeza por não conseguir oferecer a ajuda que gostaria. A falta de recursos, segundo ela, impede que transforme a vontade de acolher em uma iniciativa concreta. “Eu quero fazer um lar para eu recolher eles, pagar alguém para cuidar deles, para eu não ver jogar e comer no lixo aqui na rodoviária. É isso que eu quero, é o meu sonho”, conta.
A lembrança da mãe reforça a motivação. Para Marizete, ganhar na loteria significaria ter condições de continuar uma missão que acompanhou a vida familiar por muitos anos. “Se eu ganhar, é o meu sonho continuar a vida da minha falecida mãe. Ela sempre cuidava de menino de rua”, relata.
Viajar o mundo e viver de renda
Aos 69 anos, o aposentado Arnaldo Parente, morador da Asa Sul, também já imaginou como dividiria o dinheiro. De acordo com ele, se recebesse uma fortuna de R$ 130 milhões, por exemplo, Arnaldo separaria R$ 30 milhões para aproveitar a vida e investiria os outros R$ 100 milhões. A intenção é utilizar parte do dinheiro para viajar e realizar desejos pessoais, enquanto o restante ficaria aplicado para garantir tranquilidade financeira. “Eu pegava uns 30 milhões para gastar mesmo, torrar. E uns 100 milhões eu iria aplicar e viver de renda”, explica.
O roteiro dos sonhos inclui conhecer a Europa inteira, visitar o Marrocos e explorar destinos asiáticos, como Hong Kong e Tailândia.
A sorte tem endereço
A expectativa em torno da Mega-Sena faz com que algumas casas lotéricas do Distrito Federal ganhem fama de pé-quente. Uma delas é a Sorte & Sorte Loterias, na QE 26, no Guará II. O estabelecimento ganhou destaque nacional após registrar cinco prêmios principais em 2024, segundo reportagens publicadas em 2025.
Outras casas também entraram para a memória dos apostadores. Na Asa Sul, a Lotérica 106 Sul funciona desde 1983; na Asa Norte, a Real Lotérica; e no Lago Sul, a Wands Loterias.
A lista de estabelecimentos lembrados pelos apostadores inclui ainda a Onze da Sorte, no Lago Sul, e a Lotérica Itapoan, na Asa Norte. Esses históricos ajudam a alimentar histórias sobre a sorte na capital, mas não significam que uma nova aposta tenha mais chances de vencer por ser registrada em determinado endereço.
Serviço
- Valor da aposta simples: R$ 6
- Onde apostar: em casas lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica Federal ou pelos canais oficiais de apostas on-line.
- Até que horas: as apostas podem ser feitas até as 20h de terça-feira, no horário de Brasília.
*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press









