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Dizer não no trabalho sem parecer difícil: coach executiva ensina 3 formas de impor limites

O chefe entrega um projeto às 16h30 de uma sexta-feira. Um colega pede...

O chefe entrega um projeto às 16h30 de uma sexta-feira. Um colega pede um favor rápido que tem tudo para virar meses de trabalho. Em situações assim, muita gente aceita por medo de parecer egoísta, difícil ou pouco colaborativa. Para a coach executiva americana Melody Wilding, o medo tem fundamento, mas a solução mais repetida também não funciona.

Em artigo publicado pela CNBC Make It, Wilding, autora do livro Managing Up e coach de profissionais de empresas como Google e Amazon, afirma que simplesmente dizer não é um conselho inadequado. Quem impõe limites de forma rígida ou frequente demais pode passar a imagem de inflexível. Quem aceita tudo acaba esgotado e sem tempo para o que importa. Na experiência dela, recusar com tato demonstra bom senso, constrói confiança e costuma atrair oportunidades.

  1. Mostre o que sai da agenda para o pedido entrar
    A primeira técnica, que Wilding chama de compensação, troca o “não posso” imediato por uma explicação do que precisaria mudar para o pedido caber. Como o tempo é finito, acrescentar uma tarefa significa tirar outra.

Segundo a coach, quem pede nem sempre acompanha a carga de trabalho do outro e pode não perceber que está sobrecarregando alguém. A compensação mostra isso de forma diplomática. Também transforma a conversa em uma solução conjunta e deixa a decisão com a outra pessoa, o que aumenta a chance de ela aceitar a sugestão.

Na prática, um estagiário pode responder ao gestor que consegue assumir a nova planilha se o relatório semanal ficar para segunda-feira, e perguntar se a troca faz sentido.

  1. Aceite desta vez, mas deixe claro que é exceção
    O sim condicional serve para situações em que o pedido é urgente e recusar teria um custo alto. A ideia é atender, mas avisar que se trata de uma exceção. Assim, a pessoa ganha a boa vontade de quem precisou de ajuda sem criar o precedente de que sempre vai ceder a demandas de última hora.

Wilding sugere ir além e propor uma mudança que evite a correria da próxima vez, como um processo mais claro, uma etapa de revisão antecipada ou um prazo mínimo para pedidos parecidos. Um exemplo: entregar o material até amanhã, mas combinar que, nas próximas vezes, será preciso receber a demanda com pelo menos dois dias de antecedência.

  1. Diga não apresentando uma alternativa
    A terceira técnica, o não positivo, foi criada por William Ury, cofundador do Programa de Negociação de Harvard. Ela tem três partes: afirmar o que importa para você, declarar o limite e propor outra saída.

Segundo Wilding, o método permite oferecer uma solução que funcione para os dois lados e desloca a atenção do que não pode ser feito para o que é possível. Alguém que não consegue participar das reuniões semanais de um projeto, por exemplo, pode reforçar que quer contribuir, explicar que a agenda não comporta o encontro toda semana e se oferecer para participar a cada quinze dias, mandando atualizações por escrito nos intervalos.

Para dizer não, é preciso saber o que importa
As três técnicas têm um ponto em comum: só funcionam para quem sabe quais são as próprias prioridades e até onde consegue ir. Sem essa clareza, fica difícil decidir o que tirar da agenda, quando abrir uma exceção ou qual alternativa oferecer. No começo da carreira, quando a vontade de mostrar serviço é grande, esse diagnóstico ajuda a aceitar desafios sem perder o controle da rotina.

Fonte exame
Foto: Anatoliy Cherkas/Shutterstock

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