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Ator da peça de “Percy Jackson” conta que teve “medo” de viver Grover

Thales Cesar, 27, já encarou desde competições musicais a grandes personagens no teatro,...

Thales Cesar, 27, já encarou desde competições musicais a grandes personagens no teatro, mas viver o personagem clássico Grover na montagem brasileira de “Percy Jackson” trouxe um desafio inesperado. Escalado para interpretar o sátiro e melhor amigo do protagonista, o ator contou, em entrevista à CNN Brasil, que teve “medo” ao descobrir que precisaria explorar uma habilidade que até então evitava nos palcos.

“Eu quis desistir”, contou Thales sobre o início da preparação, quando se deparou com o nível de desempenho na comédia exigido. Mais acostumado a papéis dramáticos, ele chegou a perder o sono pensando se conseguiria encontrar o tempo do humor e provocar no público a reação esperada. Ao mesmo tempo, quis que Grover não fosse “só o alívio cômico” da trama.

Thales também falou sobre a química com João Lucas, intérprete de Percy, os desafios de conciliar canto, atuação e comédia e uma das cenas mais emocionais do personagem. O ator ainda adiantou o que o público pode esperar da dimensão da montagem brasileira.

“Percy Jackson – O Ladrão de Raios: O Musical” acompanha a jornada de Percy, um adolescente que descobre ser filho de Poseidon e precisa embarcar em uma missão para impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo.

Confira a entrevista completa abaixo:

CNN Brasil: você passou pelo “The Voice”. Estive lá em um dos programas, na plateia, e é inegável a potência da sua voz. Mas você também participa da turnê de Liniker, já fez outros musicais e também tem um projeto musical com o Hypólito, outro ator de teatro. Como é usar a sua voz e equilibrar áreas tão diferentes da carreira?

Eu separo muito o Thales em algumas partes para cada coisa. Existe o Thales, só cantor, que foi o que fiz mais no “The Voice”. Ainda assim, acho que não quis explorar tanto meu lado interpretativo como faço no teatro musical.

No teatro musical é onde preciso me doar por inteiro. Acho que é onde mais preciso me concentrar, porque vem atuação, canto e linguagem corporal. Quem é o meu personagem? O que ele precisa fazer? Isso muda até como tenho que cantar, que voz uso. Acho que no teatro musical é onde preciso usar tudo.

No “The Voice”, foi mais esse lado do cantor. Eu também estava tentando entender o que seria bom no programa, porque nunca tinha participado de um. Se participasse de outro, talvez entendesse melhor até onde poderia me soltar. Na turnê da Liniker, que ainda estou fazendo, sou mais backing vocal e, às vezes, tenho um solo. É outro Thales também. A Liniker me deixa ser eu e fala: “Tem o tempo que você quiser, mas coloca seu coração para fora”. É onde tenho os improvisos e tento colocar um pouco de mim.

Então, separo muito esse Thales para cada coisa. Acho que, com o tempo, vou poder juntar. Mas onde mais preciso me concentrar é no teatro musical, como em “Percy Jackson”, que estou fazendo agora.

CNN Brasil: Qual camada de Grover foi mais interessante — ou desafiadora — de descobrir durante a construção do personagem?

A camada que ainda estou construindo é a da comédia. Com os meus amigos, se alguém me gravasse escondido, veria que sou muito engraçado. Amo fazer gracinha. Mas, no palco, nunca tinha feito isso.

É a primeira vez que estou tendo que expor um lado meu que deixo muito para as pessoas íntimas. Para mim, está sendo um desafio muito grande. O Grover do livro é engraçadinho, mas não é tão cômico quanto o personagem no musical. O do filme, nem se fala. No filme, ele é muito engraçado, tanto que as pessoas dizem que nem parece tanto o Grover, porque é até demais. E acaba não se conectando tanto com os medos que acho que o Grover tem e com essa parte muito leal aos amigos. É um amigo que acho que todo mundo gostaria de ter por perto.

Quando fiz a audição, estava pensando muito nas coisas do livro. Passei e pensei: “Legal, vou estudar”. Quando fui estudar e coloquei o primeiro vídeo, eu quis desistir. Falei: “Tudo que eu mais corro na minha vida é o que vou ter que fazer”. Na audição, fiz a parte dramática. Para mim, pensei: “Vou amar fazer”. Quando fui assistir e vi essa parte cômica, me pegou. Foi um desafio.

Não consegui dormir nos primeiros dias. Fiquei com muito medo: “E agora? Será que vou conseguir? Será que as pessoas vão entender? Será que vou conseguir fazer as pessoas entenderem que isso é engraçado?”.

Acho que ainda estou a caminho de construir. O pessoal que assistiu gostou muito, mas sou muito autocrítico. Já vejo coisas que preciso mudar, melhorar, respirar e ficar mais tranquilo para fazer bem.

CNN Brasil: Você encontrou algo seu no Grover que não esperava? E como criou a sua própria versão dele?

Eu tinha visto muito o filme. O livro tinha lido uma vez, mas o filme assisti muito porque era criança na época. Quando fui ler o livro, pensei: “É outra pessoa, na verdade, esse personagem”. Acho que não esperava que ele fosse tão coração quanto é. Essa lealdade é muito legal de fazer. Tenho alguns amigos que são assim, e que bom que os tenho. Um deles é o Hipólito. Somos muito próximos e sei que existe um lugar de segurança ali. Ele sabe que pode contar comigo para o que der e vier. Acho isso muito especial.

Algumas pessoas falaram, depois de assistir, que essa conexão do Grover com o Percy está muito evidente dentro do musical. Quem assiste percebe que eles são muito grudados e que vou fazer o que for preciso para estar com ele. Quando comecei a pesquisar, vi que muitos fãs não gostavam tanto do filme e um dos pontos era o Grover, porque ele não tem muito a ver com o dos livros. Fiquei preocupado. Pensei: “Vamos estudar bem para entender e não cair nesse lugar de ser só cômico e, no final, não ter nada do que o Grover é”.

Comecei a observar alguns fãs que foram assistir ao ensaio. Eram meninos muito tímidos e alguns diziam que o personagem favorito era o Grover. Um deles até tinha comprado o chifre de sátiro. Comecei a observar e pensei: “Esse é o Grover”. Essas pessoas não se identificam à toa. São pessoas de um coração muito puro, muito lindo. Comecei a me inspirar justamente nessas pessoas que estavam assistindo.

Depois, quando conversei com eles, disseram: “Amei muito o seu Grover”. Foi muito legal, porque eles nem sabiam que tinham sido uma inspiração para mim.

CNN Brasil: Você comentou que a conexão entre Grover e Percy está muito evidente. Como foi construir esse entrosamento com João Lucas?

Conheço o João desde 2019. Ele fez um filme musical que eu fazia e acabamos ficando próximos. Não éramos tão amigos, mas nos conhecíamos, trocávamos mensagens. Ele fazia uma música, eu gravava voz e violão em casa e mandava para ele.

Quando soube que ele seria Percy, achei que seria legal. Depois me mandaram para a audição e pensei: “O bom é que vai ser o João. Vou tentar fazer de tudo para passar. Agora quero muito fazer”.

Assim que cheguei à audição, o João falou: “Cara, estava pensando muito em você. Que bom que você veio”. Pensei que talvez fosse um sinal. Desde então, começamos a conversar muito. Nos ensaios, pensei: “Preciso estar muito perto do João. A gente precisa começar a ter uma conexão na vida em que, às vezes, você quer falar uma coisa engraçada e só olha para a pessoa”.

Começamos a conversar sobre qualquer assunto, entender o que um pensa e o que o outro pensa. O João tem um coração enorme. Não teve como, a gente se entrosou muito. Hoje, às vezes, o diretor precisa chamar a nossa atenção para parar de rir, porque basta um olhar de um para o outro para ficarmos dez minutos perdendo a seriedade. Acho que isso ajudou muito no que temos agora no palco.

CNN Brasil: Você já teve outras experiências no teatro musical. O que “Percy Jackson” está exigindo de você que talvez outros trabalhos não tenham exigido?

Trato cada trabalho como muito único. Não gosto de ficar juntando. Talvez leve a experiência de já ter estado no palco, mas o meu nervosismo, quando apresentamos esses dias, parecia que eu estava começando hoje. Quando estou com muito medo, tento me lembrar: “Você já fez isso antes, já fez para várias outras pessoas. Esse é outro trabalho, então aproveite e mostre o que entendeu desse personagem dentro dessa história”.

Uma coisa que trago dos outros musicais é tentar respirar ao máximo agora. Não esperar a última semana para entender o quanto poderia ser mais leve e divertido.
Em vários trabalhos aconteceu isso: só na penúltima semana eu pensava: “era só seguir esse caminho, teria sido ainda mais legal para mim”. Então tento dizer para mim mesmo: “Thales, não deixa chegar à última semana. Seja mais leve agora.”

CNN Brasil: Existe alguma cena que, durante os ensaios, fez você pensar: “Os fãs vão enlouquecer quando virem isso”?

Tem uma cena do Grover em que ele abre o coração e é muito triste. Ele se culpa por uma amiga ter morrido e precisa contar isso para o Percy. É um número de rasgar o coração. Para mim, também é muito pessoal. Acho que muita gente entende o que é perder alguém. Passamos por uma pandemia e muitas pessoas perderam pessoas queridas. Eu perdi 23 pessoas, infelizmente. Não consegui dar tchau para muita gente e passei um tempo tentando assimilar que aquelas pessoas não estavam mais ao meu redor.

Então, falar sobre perder alguém e, às vezes, se culpar por perder alguém é uma coisa importante. Acho que essa é uma cena que estou muito ansioso para o público ver.

E tem um momento muito engraçado que faço com um esquilo. Não posso falar muito porque seria spoiler. Eu e o esquilo, que é o Pedro Navarro, rimos demais. Então tenho esses dois momentos: um muito profundo e outro muito engraçado.

CNN Brasil: Sem entregar muitos spoilers, o que desta montagem brasileira mais pode surpreender quem já conhece outras versões de “Percy Jackson”?

O cenário é muito bom, mas as projeções que vão aparecer em momentos especiais, inclusive quando o Percy mostra os poderes dele, são surreais. Também tem coisas que vão trazer os subtextos, aquilo que acontece na mente do trio principal, por meio dessas projeções. Vai ser um mergulho enorme dentro dessa história e da mitologia.

E tem o brasileiro fazendo, né? A gente vem com outra realidade de vida para apresentar aquilo. Brasileiro vem com tudo. E tem coisas como o centauro. Ninguém nunca viu um centauro como esse que a gente tem. Vai ser muito bom. Tem muita coisa, mas vou parar por aqui porque sou muito boca aberta.

Percy Jackson – O Ladrão de Raios: O Musical

Local: Teatro Liberdade – End. Rua São Joaquim, n.º 129 – Liberdade – São Paulo;
Abertura da casa: 1h antes do início do evento;
Data: a partir de 10 de outubro;
Duração: 2 horas;
Classificação: Livre;
Ingressos: a partir de R$ 60 pela Sympla ou na bilheteria do teatro.

Fonte CNN Brasil
Foto:  Divulgação

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